O caso Uber: ser contra o lucro e o livre mercado é ser contra a inovação

Os benefícios do livre mercado e os problemas com um governo intervencionista são bem ilustrados através dos serviços oferecidos por smartphones, como Uber e Lyft.

Os empresários que desenvolveram o Uber acreditavam ser uma ótima maneira de criar valor para os passageiros da cidade: o aplicativo Uber liga o cliente com o carro mais próximo e disponível. Mostra aos passageiros que os carros estão se aproximando, mede a distância percorrida, calcula a tarifa, faz a cobrança da corrida, paga os motoristas e permite que motoristas e passageiros deixem avaliações para os outros verem. Que ideia!

Eles perceberam um mercado latente e lucrativo. Então eles acreditaram nessa idéia. Com certeza, eles estão faturando alto. De onde esse lucro vem? Ele vem, como todo lucro obtido por meio de trocas voluntárias, por meio da criação de valor para os outros, neste caso, de prestar um serviço valioso para os passageiros da cidade.

O lucro do Uber é a recompensa de um serviço de transporte valioso e passa a mensagem de que a empresa agrega valor aos passageiros e que pode desenvolver e expandir o seu serviço. O Uber está se expandindo dentro das cidades e quer aumentar seus serviços em novas cidades e novos países. E seu sucesso atraiu concorrentes no segmento, como o Lyft.

Existe uma desvantagem, é claro. O economista, Joseph Schumpeter chamou a inovação numa economia dinâmica de “destruição criativa”, ou seja, a substituição das piores formas de servir aos outros por meio da criação de novos e melhores modos. Sempre que os passageiros escolhem o Uber ao invés dos táxis, essas escolhas significam lucros menores para os táxis. Essas perdas indicam que as empresas de táxi deveriam inovar, ajustar maus hábitos ou para mudar a maneira como fazem negócios.

Se tivéssemos livre mercado nos serviços de transporte, a história seria diferente. Os serviços de transporte preferenciais e os imitadores do Uber iriam prosperar. Entretanto, as empresas de táxi arcaicas e os motoristas com dificuldade de se comunicar com seus clientes desapareceriam gradualmente.

Mas como não temos livre mercado para os serviços de passeio da cidade, os legisladores e burocratas do governo têm autoridade política para intervir nestes mercados. E as empresas de táxi, cujos lucros – e mesmo a existência – estão sendo ameaçados, estão tentando usar essa autoridade para bloquear ou impedir a destruição criativa que está melhorando a vida dos moradores da cidade.

Observe bem: as autoridades do governo que interferem no negócio de serviços de transporte, uma instituição ostensivamente e oficialmente destinada a “proteger” o público dos serviços de passeio de pior qualidade, é utilizada na prática para impedir o acesso do público aos serviços de transporte de melhor qualidade. O caso Uber ilustra a intervenção estatal e como um governo é geralmente utilizado para beneficiar algum grupo em especial, neste caso, as empresas em táxi à custa de seus clientes e concorrentes. Antes do Uber, as companhias de táxi possuíam um oligopólio no serviço de transporte na cidade.

O mercado de transportes deve ser livre. É injusto que o Uber cobre preços de mercado enquanto os táxis são obrigados a cobrar preços regulados por decreto. Mas a solução para esta injustiça é deixar todos os serviços de transporte livres para competir, não utilizar a intromissão estatal para piorar os serviços do Uber e demais aplicativos de motoristas particulares.

Tradução: Rafael Cury

1 COMENTÁRIO

  1. A apreciação é perfeita. O Uber é o futuro e inexorável. Mas não deixam de ter suas razões os taxistas. As Prefeituras ao autorizar o Uber vão devolver a eles as enormes quantias cobradas como autonomias?

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