O preço da liberdade na Catalunha

A comunidade autônoma da Catalunha (algo como um estado, aqui no Brasil) está situada na região nordeste da península Ibérica e possui como capital a famosa cidade de Barcelona. Com reconhecida identidade única, em 11 de setembro de 2012, 2 milhões de habitantes se reuniram no centro de Barcelona para uma manifestação com o slogan “Catalunha, novo estado da Europa”.

Em 11 de setembro de 2013, os catalães se manifestaram com a “Via Catalã”, uma corrente humana de 400 km percorrendo a costa da Catalunha, num movimento inspirado na Cadeia Báltica, da época das mobilizações pela independência dos Países Bálticos da União Soviética.

Previsto para 9 de novembro de 2014, o referendo sobre a independência da Catalunha foi proibido pelo Tribunal Constitucional de Espanha, bem como a alternativa promovida pelas autoridades catalãs para realização de uma consulta popular. No entanto, o próprio ministro da Justiça espanhola, Rafael Catalá, admitiu que nada faria para impedir uma consulta popular promovida e observada por organizações independentes de partidos e sem interferência do governo local no processo. Os resultados desta consulta, onde 2,3 milhões dos 6,3 milhões de catalães com direito a voto participaram, deram vitória de 80,72% ao “sim” para ambas as perguntas “Quer que a Catalunha seja um estado?” e “Se sim, quer que este estado seja independente?”.

Na Catalunha, sucessivas manifestações ocorrem ano após ano, todo dia 11 de setembro e em datas próximas. A “Diada”, o dia nacional da Catalunha, relembra a queda de Barcelona diante da Espanha em 1714. Neste ano de 2017, mais de 1 milhão de catalães se reuniram no centro de Barcelona, batendo tambores, formando torres humanas (uma tradição catalã), carregando bandeiras com seu símbolo nacional e faixas com os dizeres “Seremos um país livre!” e “Cheios de esperança” para demonstrar apoio à independência. Um novo referendo foi marcado para o próximo dia 1° de outubro.

Entretanto, no último dia 13 de setembro, a Procuradoria-Geral da Espanha ordenou uma investigação contra mais de 700 prefeitos da Catalunha por cooperarem com a consulta popular, suspensa por uma corte superior, e solicitou a prisão caso eles desobedeçam.

O Tribunal Constitucional da Espanha suspendeu o plebiscito em resposta a uma contestação legal do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Desde então, a polícia fez buscas em redações de jornais e gráficas em busca de sinais de preparativos para o referendo.

A Catalunha está submetida a uma exploração econômica por parte do estado espanhol, comprovado pelo déficit da balança fiscal – recebe muito menos do que paga de impostos à Espanha – exatamente como na relação do estado de São Paulo e a União Federal brasileira. Porém, para o Rei Filipe VI a “convivência democrática” em seu país só é possível se “as leis forem cumpridas e atendidas pelos cidadãos e pelas instituições”, mesmo desconsiderando a vontade da população, manifestada pacificamente a partir de referendos.

A autodeterminação é um direito, de origem liberal, e significa a liberdade para que os habitantes de um território (seja vila, bairro, cidade, distrito, estado ou territórios adjacentes) declarem, por meio de plebiscito livremente conduzido, o desejo se tornar independentes do estado a que pertencem atualmente e formar um novo estado ou tornar-se parte de outro estado.

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Lucas Oleiro

Formado em finanças e administração, trabalha com Tecnologia da Informação.

17 COMMENTS

  1. A situação na Espanha, pode até ser diferente, no entanto, me faz lembrar dos conterrâneos gaúchos. Aqui, ainda tem uma minoria sonhando com a separação da União.

  2. Bobagem!
    Tenho amigos morando em Barcelona, estive por lá há uns 2 meses e é só mais do mesmo: 20% de lulistas querendo qualquer tipo de confusão com o governo central; 2% de monarquistas e 78% de povo desperto achando suficiente a atual autonomia.
    O resultado das urnas foi pura fraude, as urnas já estavam cheias de votos quando da abertura, mas o Lucas “esqueceu” de mencionar.
    Aos poucos, as máscaras dos “liberais” estão caindo e o artigo do Lucas ajudou!

  3. Dividir e conquistar esse é o lema da NOM e da esquerda globalista, nesse momento apoiar QQ movimento “separatista” tal como aqui no sul (sul é meu país) é apoiar agendas globalista internacionais mesmo que sem querer.

    Força Espanha uma nação não se constrói sob a vontade de alguns. Uma separação deve ser aprovado pelo todo da nação e não somente pelos interessados.

    # OuFicaraPatriaLivreOuMorrerPeloBrasil

  4. Essa pessoa de pseudônimo shirley conseguiu me fazer dar a primeira gargalhada desse Domingo! Tá difícil…

    • Se você decide fazer parte de uma república é porque vê vantagem nisso, certo?
      “Proteção” do exército, “proteção” contra produtos na fronteira e essas merdas aí.
      Se você não quer mais essas “regalias” e acha que é auto-suficiente, por que não desfazer o acordo?

      De qualquer forma, arrecadar impostos do povo e entrega-los aos governantes, independente da quantidade, continua não deixando o povo mais rico.
      Se forem arrecadados 204.151.379.293,05 BRL e pagos 22.737.265.406,96 BRL ao estado (SP nesse caso), esse dinheiro continua não retornando ao bolso da população. (fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=682)

      Imposto é roubo, estado é quadrilha e sonegar é legítima defesa.

  5. Gente, realmente te estou totalmente por fora, comecei a acompanhar o assunto agora, mas qual é o problema da Catalunha ser reconhecida como um novo país? De verdade eu queria entender isso! Por exemplo… Sou mineira, e se o Estado de São Paulo quiser ser reconhecido como um pais independente, por qual motivo, eu (sendo mineira), me oporia?!

    • A questão é que quem é contra a separação (Secessão = SP ser um novo país), pensa de forma totalitária, são pessoas que acham que tem algum direito de mandar nas outras, querem todo mundo trabalhe calado e pague impostos para a União. Você está certa, você não tem nada a ver com isso, se SP quer ser um país, eles que sejam, eles são pessoas livres, e isso é irrefutável, não tem contra-argumento válido, como estão dizendo “Ain, mas a constituição, ain, mas o legislador, mas o Rei, mas o governo mimimi”, simplesmente não tem porque pessoas não são escravas de quem escreveu a constituição, nem do legislador estatal, nem do Rei nem do governo etc.

    • Pensa da seguinte forma, tu é casada a 20 anos e o casamento não da certo e cada vez se deteriora mais, o que tu faz, te mantem sob ojugo do conjugue ou te separa e tenta uma vida melhor? é parecido, mas em nivel de estado.

  6. Viva a unidade nacional! Aqui vencemos a Farroupilha e reanexamos os separatistas! Força Espanha!

    • Seu comentário só mostra como seu pensamento é totalitário, você quer mandar nas outras pessoas, quer que elas trabalhem para pagar impostos para a “unidade nacional”, nada mais absurdo do que isso. Pessoas são livres, deal with it.

  7. Mesquinho, infantil, irresponsável. Nacionalista, coletivista, identitário. Profundamente antiliberal. Não sei como seriam outros, mas este movimento de secesão é assim

    • Nada mais belo do que a secessão: Meio caminho andado em direção a verdadeira liberdade. A secessão é tão bela que defendo até mesmo a secessão a nível individual, pois, como eu disse no outro comentário, pessoas são livres.

  8. É uma pena como a simples discussão desse tema causa tanta comoção até hoje. Secessão é mais um caminho para a descentralização de poder, dando mais liberdade aos cidadãos. Isso que o governo espanhol vem impondo na Catalunha é mais um exemplo do Estado interferindo na livre expressão dos indivíduos. Sou descendente de espanhóis e apoio a independência da região.

  9. Não respeitar as leis e a constituição do país que eles fazem parte – e que eles mesmos votaram a favor – e não respeitar a opinião dos outros, e gerar insegurança jurídica para o resto da Espanha e da Europa são também direitos liberais?
    Sou espanhol e posso dizer que este artigo ignora muitos fatos importantes da situação real da Catalunha e só usa os argumentos e falácias da turma que quer a independência.

  10. É curiosa a simpatia que geram estes movimentos nacionalistas (disfarçados de tanta coisa ao mesmo tempo) entre quem nao os sofrem. E triste e difícil de entender, também. Sugeriria ao autor procurar esse “direito de autodeterminaçao” que ele defende na “Lei Suprema” redigida pelos promotores da secesao.

    • Pessoas são livres e não dependem de leis abusivas e de escravidão feitas por outros pessoas, pouco importa se um suposto “legislador” estatal disse que eles não podem fazer a separação, eles podem porque são pessoas livres. Isso é irrefutável, mas se quiser fazer um contorcionismo mental para criticar o direito 100% real de secessão, fique a vontade.

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