Os “isentões” petistas mostram por que devemos atacar ainda mais Lula e o PT

Tenho dois amigos que representam a “galera do bem” e “contra o golpe”. Os dois apoiam grupos, partidos e personalidades que defendem ditaduras e ideias comunistas, mas nenhum deles se enxerga como comunista. Os dois se dizem apartidários, mas só compartilham publicações dos canais midiáticos que publicam textos e memes de interesse do PT.

Recentemente, diante do espetáculo de marketing montado pelo PT no sertão para mostrar “Lula levando água aos nordestinos”, um deles não se conteve e publicou um textão justificando sua admiração ao ex-presidente corrupto. Todavia, ele continua enfatizando que não defende o PT.

Esse meu amigo se diz cristão. Um cristão “progressista”, desses que apoiam o assassinato de bebês (também conhecido como aborto) e só tem elogios à ditadura cubana que em seus primeiros anos perseguiu, prendeu, torturou e fuzilou padres, fechou igrejas e proibiu comemorações cristãs.

Ele se sente uma pessoa tão evoluída espiritualmente que certa vez publicou um texto para dizer que estava rezando pelos amigos que “marginalizam” aqueles que foram presos por terem roubado, assassinado e estuprado outras pessoas.

Esse meu amigo é contra a reforma de previdência. Talvez por temer que, se aprovada, o cálculo de sua aposentadoria de servidor federal seja igualado ao dos demais cidadãos brasileiros, meros mortais que trabalham, todos os dias, correndo os riscos do mercado.

Ele também não consegue assimilar que eu seja um artista antissocialista, afinal, como diz a esquerda, “quem não milita à esquerda não tem amor no coração” e, portanto, não pode produzir arte.

Dele escutei a seguinte frase: “Não sou contra o capitalismo. Eu apenas acho que o governo deveria controlar o mercado”. Gênio!

Meu outro amigo frequentemente publica a hashtag “#foratodos” para provar sua “imparcialidade” na análise dos acontecimentos da política brasileira. Ele faz questão de dizer que “não apoia ninguém”, mas todas as publicações que compartilha são de canais ligados ao PT. Dele, nunca se viu uma única manifestação criticando os dois últimos presidentes e o partido que esteve no poder por mais de 13 anos.

Esse meu amigo não tem a mínima noção do que seja liberalismo ou libertarianismo, mas é contra.

Esses meus dois amigos jamais votariam em Jair Bolsonaro, afinal, ele defende a ditadura militar que ocorreu no Brasil, mas panfletariam de graça para Marcelo Freixo, que defende a ditadura cubana que existe há quase 60 anos.

Ambos acreditam que o PSDB é de direita, que Lula e Dilma promoveram grandes avanços sociais e que Michel Temer faz um governo “golpista” que está destruindo o Brasil. Para eles, Lula e Dilma representam a bondade e Temer a maldade.

O perfil desses meus amigos normalmente corresponde ao dos demais militantes do PT, PSOL e PCdoB; e, como acredito que a maioria dos liberais e libertários também têm amigos de esquerda, acredito que devem receber a mesma crítica que recebo (“você só bate no PT, em Lula e em Dilma!”), sugerindo que, para cada manifestação contra os petistas, eu deveria escrever algo contra os tucanos.

Diante disso, enumero os motivos para destinarmos a maioria de nossas críticas ao PT, para que cada um de nós, ao ser questionado sobre isso, tenha na ponta da língua a resposta.

1 – Foi o PT, em conluio com o PMDB, que ocupou a presidência durante mais de 13 anos. Durante todo esse tempo, os presidentes não foram Aécio, Alckmin, FHC ou Serra. Foram Lula e Dilma.

2 – É o presidente que tem o poder de nomear pessoas para dirigir ministérios, secretarias, estatais e fundos de pensão. Portanto, Lula e Dilma são corresponsáveis pela conduta daqueles que eles próprios colocaram na direção desses órgãos e empresas.

3 – O partido do presidente é que tem poder para decidir com quais outros partidos formará aliança. O PMDB foi muito bem acolhido pelo PT. Até dois anos atrás, José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá e Eunício de Oliveira eram tratados como grandes aliados. Michel Temer, como vice na chapa de Dilma, foi escolhido num acordo entre os partidos. Se não fosse Temer, poderia ser Sérgio Cabral.

4 – Pelo menos 23 delatores da Lava Jato disseram que Lula e Dilma não apenas sabiam dos esquemas de corrupção, mas se beneficiaram deles.

5 –  Esses mesmos delatores disseram que os dois ex-presidentes, em pleno exercício do mandato, articulavam pessoalmente parte dos esquemas.

6 – Marcelo Odebrecht e o ex-senador petista Delcídio do Amaral delataram, em depoimento à justiça, como Dilma e Lula tentaram obstruir a Lava Jato, incluindo um plano para tirar Marcelo da cadeia.

7 – Foram Lula e Dilma os responsáveis diretos pelo bilionário desperdício de dinheiro com Copa do Mundo e Olimpíadas.

8 – Foram Lula e Dilma que assinaram as desastrosas políticas econômicas e as infames medidas provisórias que privilegiaram uma dúzia de grandes empresas enquanto o Brasil afundava na maior recessão de sua história.

9 – Foram Lula e Dilma que mandaram o BNDES financiar obras na ditadura cubana e venezuelana, além de outras ditaduras obscuras na África.

10 – Foram Lula e Dilma que passaram 13 anos incitando os conflitos entre classes, raças e gênero.

11 – Foram Lula e Dilma que injetaram centenas de milhões de reais dos pagadores de impostos em mídias inescrupulosas que se dedicam a panfletar em favor do PT.

12 – É o PT, não o PSDB ou o PMDB, que conta com um exército de sindicatos, artistas, intelectuais, estudantes, movimentos “sociais” e pessoas “do bem” como meus amigos, todos sempre em prontidão para tomar as ruas em defesa de suas lideranças corruptas.

13 – É o PT, capitaneado por Lula e Dilma, que se dedica a difamar o Brasil no exterior.

Para encerrar, lembro que, na adolescência, morava num bairro onde brigas eram comuns. Um dos meus amigos adorava isso.

Um dia, enquanto voltávamos do colégio, um grupinho de meia dúzia de garotos mexeu com ele, que, por sua vez, não vacilou e partiu para cima deles. A briga não durou 30 segundos. Meu amigo colocou todos para correr.

Perguntei a ele como fazia isso. Lembro-me perfeitamente da resposta: “Eu parto com tudo para cima do maior e mais forte. Quando derrubo ele, os outros se borram de medo e vão embora”.

O PT deve ser o principal foco de toda a nossa ira porque é o partido mais forte do Brasil, principalmente por sua militância. Lula só continua solto porque é do PT. O impeachment só é considerado “golpe” por alguns porque Dilma é do PT. Collor, por muito menos, foi enxotado da presidência. Os tucanos são trombadinhas e Maluf é amador perto dos petistas.

Derrubar Lula e Dilma significa derrubar a cúpula da roubalheira e da politicagem esquerdista brasileira. Derrubar o PT significa derrubar o PMDB, os mais importante aliado do partido no congresso, e o PSDB, que muito ajudou o PT com uma “oposição” fraca e vacilante. Derrubar o PT significa deixar os partidos e os movimentos de esquerda desamparados.

É verdade que Lula e Dilma não inventaram a corrupção. Mas também é verdade – conforme os depoimentos dos delatores da Lava Jato − que Lula e Dilma institucionalizaram e partidarizaram esquemas de corrupção, canalizando-os numa escala nunca antes vista “naistóriadestipaiz” em prol de um projeto de permanência eterna no poder.

Enquanto petistas acusavam os outros de querer privatizar as estatais, Lula e Dilma privatizaram o governo. FHC, Lula e Temer estão se unindo para preservar seus partidos e a si mesmos. E o plano pode ser obstruir a Lava Jato e levar Lula à presidência em 2018.

Não se acaba com isso destruindo Temer ou FHC. É necessário destruir Lula. Destruindo Lula, a destruição dos caciques do PSDB e do PMDB se torna muito mais fácil.

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João César de Melo
Artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.

6 COMMENTS

  1. O resto da direita deste país tem de aprender a argumentar com esta linguagem acessível e cheia de histórias como você faz! Parabéns

  2. Muito bom. Só não considero excelente por causa das referência ao Bolsonaro. Não creio ser o Bolsonaro um liberal, pelo contrário, é tão estatista e Keynesiano quanto os outros, só que ultraconservador. Ainda aguardo por alguém de fato liberal, alguém livre da ideologia de Estado tutor e mais próximo da escola austríaca. Do resto, gostei muito do artigo.

    • Quanta besteira amigo, Bolsonaro já disse diversas vezes que defende a redução do Estado, tanto que defende Niobio e Grafeno pra fazer investimentos para poder abaixar os juros e impostos ao inves de metodos Keynesianos… e outra, o Eduardo estuda na escola austríaca, vc ta parecendo papagaio de pirata, procure se informar de forma concreta…

  3. Parabéns, João César!

    Seus textos são cada vez melhores. Você consegue ser muito claro nas suas ideias e tem a capacidade de passar conceitos, fatos e conclusões dentro de um perfeito encadeamento de frases e parágrafos. Tudo isso de tal forma que prende, invariavelmente, a atenção do leitor que não consegue largar o texto enquanto não chegar ao ponto final.

    Sobre os “isentões” e o PT em particular, meus parabéns de novo!
    De fato, você disseca o cerne da questão e nos direciona para o que realmente importa: derrubar o mais forte, extirpar essa chaga, essa doença infernal que se instalou no país, com milhares de ramificações e metástases. E desmascarar quem se julga acima do bem e do mal, acima de todos e se autointitulando de isento, mas que reza a mesma cartilha do “militonto” desvairado. Achando que ninguém está vendo.

    Ainda bem que temos cabeças e cérebros como o seu que ajudam na elucidação do quadro, na identificação de pontos importantes e na condução de boas soluções.

    Tiro o meu chapéu.

    Aproveito e parabenizo também o Ilisp por permitir textos como os seus aqui nesse espaço virtual.
    Excelente!

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