Somente o capitalismo combina com a liberdade

Durante a Alta Idade Média, do século V ao XI, na Europa Ocidental, se você não fosse um nobre, proprietário de terras ou coisa parecida, ou seja, se precisasse viver do próprio trabalho, e não do trabalho dos outros – filão que os homens descobriram na antiguidade, praticando até hoje, inclusive – você teria algumas poucas opções de vida:  poderia escolher ser um homem livre, estando sujeito, longe dos reinos e dos feudos, a ataques de bárbaros, sarracenos, saqueadores ou ladrões, sendo mais um andarilho, a viajar pela Europa em condições de semi-nomadismo; ou poderia ser um servo, trabalhando em algum feudo na França ou em algum reino da Germânia. Não havia sérias opções de liberdade, e os homens dos estratos inferiores estavam abandonados ao sabor das circunstâncias, literalmente num ambiente selvagem, caso não estivessem contentes com a servidão a algum senhor. A riqueza era a terra, existindo raras moedas em espécie circulando mundo afora.

Não obstante, no final desse período, com o Renascimento Comercial e Urbano, os homens livres – judeus, árabes desmilitarizados, entre outros não necessariamente compreendidos no sistema feudal – viram, finalmente, uma luz no fim do túnel: a reabertura do Mar Mediterrâneo, o surgimento da burguesia  e a circulação de capitais renovaram a Europa, dando-lhe um aspecto mais civilizado, e possibilitando que mais pessoas pudessem desfrutar, mais apropriadamente, de suas próprias capacidades – aqueles mais propensos ao comércio, comerciantes seriam; os mais propensos à navegação, marinheiros seriam; os mais propensos à agricultura, agricultores seriam; tratando-se, nesse caso, de uma questão de escolha, diferentemente do período anterior, no qual escolher a autodeterminação era quase suicídio, sob uma perspectiva pragmática, obviamente.

Por fim, o capitalismo atingiu a forma embrionária que daria origem a sua maturidade com a Revolução Industrial, no século XVIII, abandonando, de vez, o mercantilismo e todas as suas vertentes, que vigoraram durante a Idade Moderna, deixando de lado a velha idéia de que a riqueza tinha valor intrínseco. A produção industrial tomava o lugar do artesanato medieval, findando com as corporações de ofício, cujos produtos eram caros e levavam muito tempo para serem feitos, empregando muito mais mão-de-obra do que outrora, ainda mais do que na época que a civilização ocidental era ruralizada. Em conseqüência disso, o êxodo rural encheu as cidades, meios de transporte foram desenvolvidos e, evidentemente, ocorreu um aumento da produção a custos mais baixos.

Você pode perguntar para um historiador da USP, por exemplo, se isso foi bom o ruim. De imediato, ele responderá: foi péssimo! A Revolução Industrial permitiu a exploração dos trabalhadores e a concentração dos lucros nas mãos dos industriais! A desigualdade era enorme! Os problemas sociais, gigantes!

O que o historiador dessa egrégia universidade não irá considerar, junto do professor que ensina seu filho nos padrões do MEC, é que a Revolução Industrial, ou melhor, o desenvolvimento do capitalismo como um todo, somente trouxeram melhorias à vida do homem. A exploração nas fábricas, que “escravizava” criancinhas indefesas e mulheres, é outro termo errôneo: os povos voluntariamente abandonaram a área rural e migraram para as cidades, para trabalhar nas condições desumanas das fábricas. Você já parou para pensar que ninguém foi obrigado a ir para Londres trabalhar na indústria de tecidos, que nenhum ditador ou monarca baixou um decreto obrigando-as a fazer isso? Ao que tudo indica, leitor, era melhor trabalhar nas “horríveis fábricas inglesas” do que viver no campo. As pessoas, mais uma vez, tiveram a liberdade de escolher entre viver de subsistência no meio agrícola ou trabalhar nas cidades: e todo ônus disso é conseqüência dessa escolha. Os baixos salários e jornadas enormes, que a esquerda tanto demoniza ao se tratar desse período, eram um efeito natural do mercado: muita mão-de-obra desqualificada (os antigos agricultores) agora pleiteava algumas vagas nas fábricas mecanizadas. Logo, o emprego seria de quem aceitasse receber menos e laborar mais – ou você acha que, voluntariamente, o proprietário aceitaria pagar um alto preço por um semi-analfabeto facilmente substituível?

Pode soar estranho, mas a esquerda pensa isso. No entanto, isso é tão lógico quanto imaginar que alguém, voluntariamente, aceitaria um salário de miséria por um cargo altamente qualificado, coisa bem comum no socialismo, por sinal. Então, não imagine você que a posta miséria decorrente dessa revolução foi culpa da “burguesia industrial malvada”: cada período histórico tem suas próprias circunstâncias, não podendo ser objetivamente comparado a outras épocas sem um devido recorte filosófico – e, neste caso, econômico. Hoje, é mesmo esquisito – e contra os direitos humanos – que os funcionários trabalhem nas mesmas condições de antes. A diferença é que a humanidade está em outro estágio de desenvolvimento, e os recursos disponíveis são outros, não sendo necessário que os trabalhadores submetam-se a tais condições.

Também, os industriais possibilitavam ao proletariado a oportunidade de trabalho: sem o industrial, tal emprego não existiria. Entre existir um chefe que fica com os lucros oriundos de seu trabalho, mas ter um salário para colocar comida na mesa, e não existir chefe nenhum para não ter lucro, e também não ter salário nenhum, o que se deve escolher? Os indivíduos do meio rural sequer essa escolha tinham: o trabalho consistia, justamente, no fim de sua existência, não como um meio de existir; o trabalho nas corporações de ofício era custoso e lento, sendo um desperdício de força humana.

“O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro” (Ayn Rand)

Paulatinamente, após essa Revolução muitas outras benesses surgiram: o desenvolvimento de vacinas, o saneamento, a educação, a melhoria das ciências, o domínio sobre a natureza, enfim, fenômenos que, de forma alguma, teriam ocorrido na conjuntura rural, na qual tanto a escassez quanto a fartura são a mesma coisa em termos econômicos, pela ausência de um valor atribuído aos bens e serviços, que não o de ir dormir de barriga cheia ou vazia.  Comparando-se o mundo pré-capitalista e o pós-capitalista, não restam dúvidas acerca das melhorias que esse tão criticado sistema trouxe. Os próprios críticos do capitalismo não estariam hoje sentados em suas cadeiras, escrevendo em seus MacBooks, não fosse a simples existência de uma moeda, pela qual pudessem trocar seu esforço por bens que lhe interessem, ao invés de apenas alimentos.

Até a industrialização da Europa, as pessoas viviam de subsistência, trabalhando sete dias por semana, em jornadas extenuantes, se quisessem sequer ter o que comer e, ainda, tinham de dar parte dessa produção como forma de tributos ao poder estabelecido. Com o desenvolvimento do capitalismo, e a industrialização decorrente dele, os indivíduos, então, poderiam trocar a força de seu trabalho por dinheiro – em vez de só produzirem leite, carne e vegetais, agora os trabalhadores poderiam laborar e receber em moeda, permitindo que comprassem o que quisessem, desde os alimentos de antes até sapatos último modelo. Essa foi a grande conquista do capitalismo no que concerne aos outros modos de produção: ele permite que os agentes possam escolher onde investirão sua riqueza e onde a ganharão: todos são livres para escolher entre a função que acharem melhor desempenhar em sociedade. O capitalismo trouxe férias, final de semana, feriados e a remuneração em dinheiro, cuja existência é inimaginável em qualquer outro sistema em que as trocas não sejam voluntárias. O capitalismo trouxe liberdade.

Só existem, na realidade, dois sistemas econômicos: o voluntário e o não-voluntário. Coube aos homens escolher sob qual desejaria viver e, se estou aqui a escrever isto hoje, é porque nossos antepassados escolheram corretamente.

16 COMENTÁRIOS

  1. Ótimo texto! Esses esquerdistas de merda não sabem raciocinar! O Capitalismo tirou as pessoas da servidão feudal, dando a elas o direito da propriedade privada e concentrando o dinheiro nas mãos destas! Diferente do que vemos em DITADURAS SOCIALISTAS, onde as pessoas trabalham para o Estado e este retribui da pior forma para as pessoas, concentrando novamente a riqueza nas mãos de uma classe privilegiada, repetindo a servidão e a relação senhor/servo que habitava o mundo feudal!

  2. Prezado Augusto,

    Demorei um tempo para (re)ler sua publicação e conseguir digerir todas as informações para elabora essa resposta. Já adianto que espero uma tréplica, mas não darei continuidade ao debate. Esta será minha única cartada. Mas seu texto me espantou em vários aspectos; e não me refiro às suas concepções sociológicas, econômicas e políticas do Capitalismo e seus eventuais frutos. Questiono aqui seu entendimento histórico dos processos que você traçou para elaborar suas conclusões. Novamente, nem entrarei aqui no mérito do Capitalismo ser isso ou não. Em realidade, isso pouco me interessa (mesmo).
    Os alunos de História da USP, que você alfinetou, aprendem logo no início do curso (ou deveriam) que História (com H maiúsculo mesmo) só pode ser feita à base de provas. Evidências são fundamentais para debates frutíferos. Seu texto é cheio de assertivas que mais parecem com um caderno de 7º ano do que qualquer outra coisa. Vários chavões já ultrapassados e eurocêntricos permeiam seu texto como “aspecto mais civilizado”, “ambiente selvagem”.
    Agora parto para alguns exemplos mais específicos e faço algumas, modestas, indicações que você – obviamente – não precisa seguir. Quando você trata sobre o dinheiro (ou falta dela na Idade Média) e da morosidade das corporações de ofício, pode-se contra argumentar de duas formas: sobre o dinheiro, há um livro muito interessante de Jacques Le Goff sobre o assunto que vale muito a pena ser lido e pode trazer algum refrescamento para aquela ideia de que não existia dinheiro (moeda) na Idade Média. Quanto a morosidade do ofício – hereditário (em partes) – medieval, minha assertiva pega a lógica emprestada: a Idade Média não pode (nem outro período) ser analisado com a óptica atual. O trabalho é moroso por que é artesanal, ou seja, depende de um grupo especializado para funcionar. Ele é caro na mesma proporção que é lento inserido na lógica de produção DAQUELE período.
    A última indicação que farei de bibliografia é sobre o “Mar Mediterrâneo fechado”: a obra “O Grande Mar” de David Abulafia é muito completa e vibrante. O professor demonstra os diferentes processos, culturas e enfrentamentos às margens do Mediterrâneo e pode ampliar sua visão sobre o assunto. Novamente, é uma indicação. Você não tem obrigação nenhuma de ler (nem minha resposta).
    Outro momento do seu texto que me espantou muito foi a seguinte frase:
    “Você já parou para pensar que ninguém foi obrigado a ir para Londres trabalhar na indústria de tecidos, que nenhum ditador ou monarca baixou um decreto obrigando-as a fazer isso?”
    Sua assertiva ignora completamente a política de cercamentos iniciada por Henrique VIII lá no século XVII. Tudo bem que podemos considerar esse ato como apenas embrionário da Revolução Industrial, mas ele é considerado essencial e não pode ser, como você fez, ignorado. A gentry e os yeomen britânicos cercaram suas terras e EXPULSARAM os camponeses. A principal alternativa é, então, a cidade.
    Claro que devem existir casos de pessoas que migraram para a cidade por livre e espontânea vontade. Só não ignore situações como esta promulgação régia em favor da burguesia ascendente na Inglaterra.
    Para fechar, só uma rápida reflexão – enquanto comia uma ameixa – que tive hoje durante o intervalo da escola em que leciono: é engraçado afirmar que quem trouxe as férias e décimo terceiro foi o capitalismo quando, se olharmos para o exemplo mais próximo (que é o do Brasil nosso de cada dia), é possível constatar que foram todas ações de um “Estadista” em sua mais pura forma.
    Peço desculpas pela escrita. Posso não ter sido claro. Não escrevo bem como você (não há ironia aqui. Só para deixar claro).
    Cumprimentos,

    Alberto Álvaro Reis

    • Você está tentando destruir a regra usando a exceção. Bela falácia, mas não vou cair nela.
      Cordialmente,
      Augusto

  3. Cada comentário maluco! Enquanto houver o dinheiro somos escravos??!! Mas ninguém é obrigado a ter dinheiro, viva sem dinheiro se quiser meu filho, você não é obrigado a isso… Faça sua própria roupa, seu próprio pão, seu próprio celular, seu próprio carro, etc., e viva sem dinheiro, livre, leve e solto… Que foi? Não sabe fazer essas coisas mas quer todas elas? Por que diabos os outros devem dar essas coisas a você? Ah, você faz alguma coisa pelos outros? OK! E o que prova que você faz alguma coisa pelos outros? Opa!! Olha que curioso, o dinheiro prova que você fez alguma coisa de útil para alguém e agora você pode trocá-lo pelo que quiser! Que mágico! Só o dinheiro nos dá LIBERDADE para produzirmos aquilo que sabemos e/ou que gostamos e ainda assim termos a possibilidade de usufruir o que os outros fazem e/ou gostam. Isso é liberdade garoto, pense antes de escrever asneiras! Trocas voluntárias… só rindo mesmo… imagine um professor ter que dar aula em troca de tudo o que precisar adquirir… “mas professor, eu não quero aprender matemática agora em troca do meu carvão, acho que o senhor vai ter que fazer churrasco sem carvão mesmo…” kkkkk….

    • Vamos de novo: como é a nossa educacao? Para ter uma profissao. E para que? Para ganhar dinheiro, e assim, poder ter o que é seu. Como? Tirando dos demais. Na sociedade capitalista vc precisa agir de maneira egoísta/individualista, e precisa tirar dos demais para ter o que é seu.

      Somos diferentes mas temos em comum necesisidades básicas ( alimentacao, respiração, vestimenta, moradia, saúde) e necessidades de refinamento que dão sentido à vida,e aí, elas sao diferentes ( cultura livresca/musical/artística, espiritualidade, romance, esportes, artes marciais). Animais vivem apenas em necessidades básicas, a condição humana vai além dessas , dentro da hierarquia de necessidades de maslow.

      Só que vivemos em uma contradicao: vc é privado de todas as suas necessidades, em qualquer nível da hierquia, por seus semelhantes, se nao oferecer um pagamento em troca. Voce nao come, nao le um livro ,nao se veste, sequer toma água. Sem dinheiro, vc nao passa de um ser sub-humano. E isso vale inclusive para uma pessoa que tenha dinheiro, nao seja pobre, mas seja assaltada longe de sua casa. Imagina se vc tem dinheiro, e te roubam a carteira e o celular, e vc está viajando. O que te sobra? Vc nao é capaz nem de dar um telefone.

      Nós privamos nossos semelhantes de tudo o que tanto necessitam como querem ou buscam, seja para sobreviver, seja para serem felizes, seja dar sentido à sua vida, se eles nao puderem pagar por isso. E temos que fazer o mesmo, privá-los disso, se eles tambem nao podem nos pagar. Como os outros nao cobram, tambem temos que cobrar. Isso É escravidao. Você é obrigado, compulsoriamente, a cobrar dos outros, a exigir dinheiro, porque os outors tambem te negarão tudo.

      A consequencia é que as relacoes humanas sao substituídas por relacoes monetárias. Temos nossa humanidade negada porque , sem o dinheiro, somos reduzidos à condicao animalesca. Te falta abstracao filosofica para compreender o que eu digo. E que nos leva a agir dessa forma é o capitalismo, ou melhor dizendo, é a existencia do dinheiro, fruto da visao de mundo egoísta, que nos vê como separados dos demais.

      Supondo agora que a nossa educacao seja diferente: estude, trabalhe, se aperfeiçoa,evolua moralmente,espiritualmente e intelectualmente, nao para “ganhar dinheiro”, mas sim, para você, que está inserido em uma sociedade, contribua para que esta funcione bem e os que demais indivíduos inseridos dentor desta sigam vivendo de acordo com seu proposito, seu ideal de vida. Faça algo que vc gosta e é bom e nao exija nada em troca, gratuitamente, dentro de um contexto social em que todos fazem isso. Assim, vc oferece seu bem ou serviço de graça e também receberá dos outros de graça.

      É outra mentalidade. Acabaria voce trabalhar 14 horas por dia para seu chefe ficar milionario com seu trabalho e o governo tirar a outra parte. E vc chegar em casa exausto e só conseguir dormir ou ver um seriado na TV. Acabaria com esse mundo de zumbis, de pessoas pobres interiormente, que vivem sem saber qual é o motivo da propria vida, sem tempo para seu enriquecimento moral,cultura, filosófico, espiritual.

      Existir o dinheiro é uma verdadeira brutalidade, é você ser obrigado a te ruma visao de mundo egoísta, a precisar tirar do outro para ter o seu, agir pensando apenas no seu, ao invés de pensar como um ser humano inserido num contexto social que age para o bem comum.

    • Nao, pois escambo também existe cobrança: você oferece uma mercada e exige uma mercadoria em volta.

      Estou defendendo uma economia baseada em trabalho voluntário e doações voluntárias.

      Utopia? Agora, sim, mas e daqui a 700 anos? Acha mesmo que o capitalismo é o fim da historia? Nao podemos inventar algo melhor?

      abs

  4. Gostaria de ver quando um governo comunista assumir o poder e tu querer reclamar por não poder expressar sua opinião, não poder comprar o último modelo de celular…

    • “governo comunista” é uma expressão autocontraditória, pois, no comunismo, nao existe o Estdo. Vc nao está confundindo comunismo com socialismo?

  5. Um dia a humanidade terá vergonha de existir o dinheiro como tem hoje da escravidao.

    Porque, enquanto o sistema monetário existir, todos nós somos escravamos, mesmo que nao nos demos conta disso.

    A consciencia humana haverá de evoluir ao ponto de perceber que a unico meio adequado e nao-violento de organizacao social é através de doação voluntárias recíprocos, da plena e total gratuidade por qualquer bem ou produto.

    Ninguém é livre quando as relacoes sao monetárias e somos privados do que precisamos por causa de uma invencao , fruto do egoísmo humano, chamado dinheiro. Que nos obrigada a agir em funcao de nosso auto-interesse, tendo que agredir o patrimonio do semelhante para fazer o nosso.

    Isso pode mudar, é só a consciencia coletiva evoluir.

  6. Isso parece ser piada.

    Você é privado , no capitalismo, de tudo, desde o mais básico até seus caprichos, se nao puder pagar por isso.

    O fato de os outros sistemas serem ainda piores que o capitalismo nesse sentido, como de fato o são, nao significa que somos livres no capitalismo. Pelo contrario, enquanto existir o dinheiro, nao existirá liberdade.

    Vc é livre se outro ser humano, um semelhante seu, se priva de algo,se vc nao pagar por isso?

    Funciona da seguinte forma: outro ser humano, que tem necessidades em comuns com vc, vai te privar de tudo se vc nao puder pagar por isso.Sem dinheiro, vc é vira um zumbi, um ser sub-humano que nao tem nem o básico. Entao, na “Liberdade ” da sociedade capitalista, pessoas se submetem a fazer trabalhos que detestam, cumprir jornadas que sugam a energia da pessoa, obedecer a chefes, tirando o proposito de vida e tranformando em robos que apenas vivem para o trabalho- e nao sabem para que vivem, em face do dinheiro.

    Nossa vida é controlada, no capitalismo, por um pedaço de papel. Nao se iludam.Enquanto o dinheiro existir, enquanto vc for obrigado a cobrar de outras pessoas pelo que elas precisam- e priva-las disso se elas nao te pagaram,porque o teu semelhante faz o mesmo com vc,e, portanto, vc precisa tirar dos outros para ter o seu, nao somos livros. É uma escrevidao moderna.

    É urgente, inadiável, erradicar o dinheiro e substitur a economia atual por uma economia de doacoes voluntarias. Onde as relacoes monetarias sao sbustituidas por relacoes humanas e vc encontra no seu trabalho algo que dê sentido à sua vida e coopera socialmente com os demais visando ao bem comum, nao a atender a seu auto-interesse, seu bem individiual, pelo capitalismo.

    Apenas com a cooperacao social visando o bem da coletividade, onde cada um faz o que gosta e o faz para cooperar com o meio, superando osistema atual em que 80% das pesesoas (“livres”) odeiam seu trabalho e o fazem apenas por necessidade, obrigacao, seremos livres.

    • Erradicação do dinheiro? Trabalho em prol da sociedade como um todo no lugar do crescimento por seu próprio esforço? Esta me parecendo ideais comunista. Mas não se esqueça, o ser humano não faz nada sem incentivo. E quando isso ocorre, ou ao ver o próximo ter o mesmo que ele sem esforço, o que ocorre? Deixa de se esforçar e espera que alguém se esforce por ele. Ai todo o sistema entra em colapso e voltamos a idade da pedra novamente. E tudo fica perfeito, como os socialistas defendem. Todo mundo falido, vivendo as custas de outro. So que o outro se cansa e não existirá mais. E vamos a era pré fogo, pré roda.

      • AAo dizer que o ser humano nao funciona sem incentivo, vc quer dizer que a natureza do ser humano é egoísta. E nao entende que isso nós torna todos escravos.
        Num trabalho de preguiçoso, vou copiar/colar o que escrevi abaixo:

        Vamos de novo: como é a nossa educacao? Para ter uma profissao. E para que? Para ganhar dinheiro, e assim, poder ter o que é seu. Como? Tirando dos demais. Na sociedade capitalista vc precisa agir de maneira egoísta/individualista, e precisa tirar dos demais para ter o que é seu.

        Somos diferentes mas temos em comum necesisidades básicas ( alimentacao, respiração, vestimenta, moradia, saúde) e necessidades de refinamento que dão sentido à vida,e aí, elas sao diferentes ( cultura livresca/musical/artística, espiritualidade, romance, esportes, artes marciais). Animais vivem apenas em necessidades básicas, a condição humana vai além dessas , dentro da hierarquia de necessidades de maslow.

        Só que vivemos em uma contradicao: vc é privado de todas as suas necessidades, em qualquer nível da hierquia, por seus semelhantes, se nao oferecer um pagamento em troca. Voce nao come, nao le um livro ,nao se veste, sequer toma água. Sem dinheiro, vc nao passa de um ser sub-humano. E isso vale inclusive para uma pessoa que tenha dinheiro, nao seja pobre, mas seja assaltada longe de sua casa. Imagina se vc tem dinheiro, e te roubam a carteira e o celular, e vc está viajando. O que te sobra? Vc nao é capaz nem de dar um telefone.

        Nós privamos nossos semelhantes de tudo o que tanto necessitam como querem ou buscam, seja para sobreviver, seja para serem felizes, seja dar sentido à sua vida, se eles nao puderem pagar por isso. E temos que fazer o mesmo, privá-los disso, se eles tambem nao podem nos pagar. Como os outros nao cobram, tambem temos que cobrar. Isso É escravidao. Você é obrigado, compulsoriamente, a cobrar dos outros, a exigir dinheiro, porque os outors tambem te negarão tudo.

        A consequencia é que as relacoes humanas sao substituídas por relacoes monetárias. Temos nossa humanidade negada porque , sem o dinheiro, somos reduzidos à condicao animalesca. Te falta abstracao filosofica para compreender o que eu digo. E que nos leva a agir dessa forma é o capitalismo, ou melhor dizendo, é a existencia do dinheiro, fruto da visao de mundo egoísta, que nos vê como separados dos demais.

        Supondo agora que a nossa educacao seja diferente: estude, trabalhe, se aperfeiçoa,evolua moralmente,espiritualmente e intelectualmente, nao para “ganhar dinheiro”, mas sim, para você, que está inserido em uma sociedade, contribua para que esta funcione bem e os que demais indivíduos inseridos dentor desta sigam vivendo de acordo com seu proposito, seu ideal de vida. Faça algo que vc gosta e é bom e nao exija nada em troca, gratuitamente, dentro de um contexto social em que todos fazem isso. Assim, vc oferece seu bem ou serviço de graça e também receberá dos outros de graça.

        É outra mentalidade. Acabaria voce trabalhar 14 horas por dia para seu chefe ficar milionario com seu trabalho e o governo tirar a outra parte. E vc chegar em casa exausto e só conseguir dormir ou ver um seriado na TV. Acabaria com esse mundo de zumbis, de pessoas pobres interiormente, que vivem sem saber qual é o motivo da propria vida, sem tempo para seu enriquecimento moral,cultura, filosófico, espiritual.

        Existir o dinheiro é uma verdadeira brutalidade, é você ser obrigado a te ruma visao de mundo egoísta, a precisar tirar do outro para ter o seu, agir pensando apenas no seu, ao invés de pensar como um ser humano inserido num contexto social que age para o bem comum.

    • Caro Daniel,
      Você diz que “na ‘Liberdade’ da sociedade capitalista, pessoas se submetem a fazer trabalhos que detestam, cumprir jornadas que sugam a energia da pessoa, obedecer a chefes, tirando o proposito de vida e tranformando em robos que apenas vivem para o trabalho- e nao sabem para que vivem, em face do dinheiro”. E você queria que as pessoas recebessem sem trabalhar? Que o alimento caísse dos céus?
      Para cada pessoa recebendo sem trabalhar, tem alguém trabalhando sem receber. E isso é coisa de comunista.
      Abraços

    • Se erradicar o dinheiro então como faremos para saber qual “trabalho voluntário” é mais relevante, ou melhor dizendo, mais valioso?

      O sistema de preços existe para dar uma noção das relações de oferta e demanda sem a necessidade de que toda a população mundial seja formada em economia.

      Por que o trabalho de médico paga bem mais em cidades do interior do que da capital?
      Porquê poucos se dispõem a ir trabalhar no interior, ora pois…

      Quando a proposta parece muito boa, alguma coisa tem.

      Mas você é comunista, né? Quer todo mundo trabalhando voluntariamente pelo bem da sociedade e mesmo assim acredita que todos serão livres.

      Sem incentivo para ir ao interior, os médicos do exemplo anterior só iriam se fossem obrigados a tal.
      Então é uma questão de lógica. Quando você implementa o socialismo, precisa retirar a liberdade e ponto final.

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