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Clara Averbuck, o suposto estupro e o desserviço prestado às mulheres

No último dia 28 de agosto, a “escritora” Clara Averbuck escreveu em seu perfil no Facebook ter sido vítima de estupro durante uma corrida com um motorista do aplicativo Uber. No texto, a escritora afirma que estava bêbada quando ocorreu o fato e que o motorista em questão aproveitou-se da situação para praticar o suposto crime. Entretanto, o que mais chama atenção no relato é que Clara afirma que não irá realizar nenhuma boletim de ocorrência, visto que não quer se submeter ao que entende como “a violência que é ir numa delegacia da mulher ser questionada” ou “violência do estado”.

O argumento de Clara não faz sentido algum, principalmente partindo de alguém que se diz feminista. Ao recusar-se a realizar uma denúncia de maneira formal, a escritora está deixando que um suposto criminoso deixe de ser punido pelo crime gravíssimo que cometeu. Em plena era da ” lei do feminicídio”, algo tão defendido pelas feministas, faz algum sentido que uma militante deixe um estuprador impune? O Uber baniu o motorista e possui todos os dados sobre ele, incluindo duração da corrida, local de embarque e desembarque, tempo em que o carro ficou parado, etc. Se o Uber consegue identificar, o que impediria que o suposto estuprador fosse identificado pela polícia e respondesse pelo crime? Absolutamente nada.

Clara também afirma que seria julgada e questionada como vítima na delegacia da mulher. Faz algum sentido que alguém que esteja com medo de julgamentos divulgue a sua história no Facebook? Redes sociais são os melhores lugares para que as pessoas questionem relatos ou duvidar diretamente do que está escrito. Não faz sentido algum ter medo de um suposto questionamento da polícia, mas não ter medo de questionamentos e linchamento virtual.

A mesma pessoa que “teme julgamentos” fez questão de falar sobre o caso também em vídeo (cujo texto foi transcrito por diversas mídias, como o Estadão). De acordo com Clara, ela “não confia no sistema” e, por isso, não fez o boletim de ocorrência na polícia, dado que não tem como provar o suposto crime. Segundo ela, “violência sexual é o único crime que quem tem que provar é a vítima”. Não, querida: QUALQUER crime depende de provas para punir o criminoso. Ou você pensa mesmo que textão no Facebook deve ser suficiente para colocar alguém na cadeia, um local onde estupradores têm que ficar afastados dos demais presos se quiserem continuar vivos?

Para completar a história muito mal contada, Clara afirma que “o cara sabe onde eu moro, não me deixou na frente da minha casa, senão teria câmera e seria muito mais fácil identificar; ele parou na rua ao lado da minha casa porque já estava mal intencionado”. Ué, amiga: se você está com medo do cara que supostamente te estuprou, fazer textão no Facebook, divulgar no Instagram, fazer um vídeo e agendar uma aparição em um programa de televisão para “falar sobre feminismo” não me parece ser uma boa forma de se manter no anonimato, não acha? Sabe aquele boletim de ocorrência que você não quer fazer? Pois é, com ele a polícia poderia obter imagens de quaisquer câmeras, incluindo as da rua ao lado da sua casa.

Em resumo: Clara é só mais uma feminista prestando um desserviço às mulheres. A necessidade de exposição para ganhar curtidas, comentários, seguidores e mídia é tão grande, que entre denunciar um estuprador para a polícia e escrever textão lacrador, ela preferiu a segunda alternativa. Aliás, reitero que não duvido que o estupro tenha de fato acontecido, da mesma forma que não duvido que seja mais uma história fictícia, as já famosas “fanfics”. Não sabemos e provavelmente nem saberemos o que de fato aconteceu, visto que não haverá investigação policial sobre o caso, e tudo o que temos é mais um texto lacrador que viralizou na rede para ser em breve esquecido.

Minha única certeza sobre o caso é que Clara Averbuck deu um péssimo exemplo, deixando claro que é preferível lacrar nas redes sociais, colocando a culpa nos “homens que reproduzem a violência que eles conhecem”, do que tentar prender os estupradores. Na lógica de Clara, quem estupra deve permanecer impune e livre para fazer vítimas porque “estuprador não é monstro”, mas rende seguidores e mídia que é uma beleza.

Vanessa Rodrigues

Bacharel em Serviço Social, co-fundadora do grupo de estudos Libertas UECE e membro do grupo de estudos Dragão do Mar.

33 COMMENTS

  1. O que torna mais “intrigante” no depoimento dela é que, ao contrário do que afirma, o crime de estupro é um dos poucos (senão o único) crimes que o depoimento da vítima, mesmo sem laudo pericial e outras formas de provas do indício de materialidade, tem força probatória com poder de condenar o autor do fato. Ou seja: só a acusação da suposta vítima basta para que o juiz se convença de que ocorreu o crime! Isto é posição pacífica do STJ.

    E sobre os questionamentos na delegacia da mulher, estes só ocorrem se há alguma suspeita de que a suposta vítima está fazendo falsa comunicação de crime. Se não houver essa suspeita, não se questiona nada mais do que detalhes que possam levar à conclusão do inquérito. Questionamentos que tentam “relativizar” o estupro são cada vez menos frequentes, visto que delegacia dás mulheres costumam ser comandadas por mulheres escolhidas justamente pelo combate ao machismo.

    Ou seja, ela provavelmente não sabe como as coisas funcionam. E poderia ter contribuído para o combate ao estupro, ao invés de deixar as pessoas desconfiarem que isto é uma fanfic…

    • Por falha minha, coloquei o termo relativizar entre aspas, quando na verdade não deveria usá-las.

  2. essa mitômana viciada em holofotes já deu entrevista para o jornal britânico The Guardian. E essa fanfic monumental já é a SEGUNDA notícia mais lida do jornal, que é um dos maiores do mundo E PRATICAMENTE UM BRAÇO DO PARTIDO TRABALHISTA INGLÊS.

  3. Ontem, menos de 24 horas após ser preso em flagrante por ejacular no pescoço de uma passageira, o abusador, com 5 outras passagens pelo mesmo crime, foi solto. Segundo o juiz “Entendo que não houve constrangimento tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus, quando foi surpreendida pela ejaculação do indiciado”

    Repetindo: preso em flagrante por ejacular em uma mulher foi liberado.

    Por que a Clara deveria se sentir encorajada a fazer um BO, quando nem mesmo com esperma no pescoço você consegue provar um estupro?

    Impressionante que vocês resolvar dar “opinião” sobre isso nesse nível.

    • Ora, mas isso é um problema da lei que permite que ele tenha sido solto (e cinco vezes, ainda por cima). É melhor ter 100% de certeza de que nada acontecerá deixando de denunciar ou fazer a denúncia pressionando para que o caso siga adiante? Impressionante é você não enxergar isso.

      • Não é a lei que permite. O juiz tem a interpretação final do ocorrido. Nas palavras do mesmo, já cotadas no comentário original:

        “Entendo que não houve constrangimento tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus, quando foi surpreendida pela ejaculação do indiciado”

        O juiz não acha que houve constrangimento — e tudo descamba. Bem, no meu livro, acho esperma não requisitado no pescoço bastante constrangedor. Mas pode ser que vocês tenham outra opinião.

        Esse tipo de comportamento não é novo, e os próprios comentários sobre o caso da Clara mostram um pré-julgamento: a começar por este artigo que cita Clara, logo na primeira frase, como “escritora”. Veja bem o poder dessas aspas. A “autora” (veja o poder das aspas) já tem uma opinião e usa o restante do “artigo” para vender seu peixe.

        Lamentável.

        • O juiz não acha que houve constrangimento — e tudo descamba. Bem, no meu livro, acho esperma não requisitado no pescoço bastante constrangedor. Mas pode ser que vocês tenham outra opinião.

          Você está tentando criar — inutilmente — um espantalho. Ninguém em momento algum falou do caso do esperma do pescoço senão em sentido da reprovabilidade, enquanto somente você está usando o caso como uma justificativa para que a mulher vítima de estupro não busque ajuda legal.

          Você está simplesmente sem fundamentos para sustentar sua revolta contra a opinião da autora, talvez porque no fundo você enxergue uma razão que lhe dói por dentro. Tanto é que a soltura do acusado do esperma no pescoço é posterior ao caso do Uber, logo não se tinha ciência do primeiro para desmotivar o registro na delegacia do segundo. Não tem sentido…

          • “logo não se tinha ciência do primeiro para desmotivar o registro na delegacia do segundo”

            Que bom que coisas semelhantes nunca aconteceram antes e tudo vai muito bem nessa área.

            Boa sorte aí com sua lógica.

          • Impressionante, Paulo: como você foi pego na impossibilidade de usar um caso como justificativa para o outro, você amplia a mesma falácia para supostos outros casos não demonstrados — ou seja, ocultos. Isto até funcionaria com algumas pessoas, mas não com quem já teve contato com delegacias especializadas, inclusive da mulher. E também conhece processos judiciais e jurisprudência sobre o assunto.

            Você não sabe o que está falando, campeão! Está repetindo teses de pessoas que não sabem como funciona, ou tentam problematizar tudo ou todos…

    • É porque o juiz não entendeu que, tecnicamente, seria crime de estupro, mas sim importunação ofensiva ao pudor, que, como contravenção penal, não cabe pena restritiva de liberdade — então, não cabe prisão provisória ou preventiva.

      Não se confunde com o caso da penetração de um dedo na vítima (que, ainda por cima, estaria vulnerável), que dai se configura, em tese, o crime de estupro.

      E outra: é aceito pelos tribunais que o crime de estupro pode ser considerado sem prova material, ou seja, sem perícia. Se ela quiser ir na semana que vem e fazer o registro, o que prejudica a realização de exame de corpo de delito, tanto a investigação quanto o processo podem ir adiante, o que não ocorreria, por exemplo, na lesão corporal que uma mulher praticasse contra um homem.

      Ao invés de se “impressionar” com a opinião da articulista, você deveria consultar alguém que fez direito antes. O senso comum não necessariamente corresponde à verdade…

    • Paulo:

      Acho que o problema aqui é de comunicação.
      O sentido jurídico do termo “constrangimento” é bem diferente do uso popular. Não tem nada a ver com criar uma situação de vergonha, embaraço ou vexame.

      Para o judiciário, constranger alguém é forçar, compelir a pessoa a praticar algo que a lei não a obriga a fazer, ou a deixar de fazer algo que a lei permita, mediante violência, ameaça ou outro meio que reduza a capacidade de resistência da pessoa constrangida.

      O cara certamente praticou um ato libidinoso condenável, mas que não configura estupro, pois o código penal estipula que deve haver constrangimento da vítima – no sentido jurídico que expliquei acima.

      Por exemplo, teria sido um estupro se ele tivesse segurado a mulher para impedi-la de fugir durante o ato libidinoso, feito ameaças a ela ou usado de violência. É verdade que ele “atirou” sem dar chance de defesa à vítima, mas como a vítima não foi coagida a participar do ato, o estupro não fica caracterizado.

      Espero que tenha ficado mais claro.

  4. Reclama da “cultura do estupro” mas certamente é contra revogar o estatuto do desarmamento para permitir que mulheres andem com uma arma na bolsa e mandem o criminoso para o colo do capeta.

    Reclama do estupro que teria sofrido mas certamente é contra redução da maioridade penal; se o estuprador fosse um menor, portanto, o que ela faria?

    Reclama que as mulheres tem medo de serem estupradas quando andam nas ruas mas certamente acha que “a polícia prende demais no Brasil” e que “cadeia não resolve, só entra no crime quem não tem oportunidade”.

    É muita contradição…….

  5. Dando de barato que tudo de fato aconteceu tal como ela diz, ela NÃO QUER identificar o sujeito porque não é esse o objetivo politico. Quando não identificando o culpado, é possivel lançar mão de generalizações como “homens que reproduzem a violência que eles conhecem”. Desta forma, o problema deixa de ser o Zé da Silva e passam ser “os homens”. Esse pensamento condenatório coletivo e difuso é o mesmo dos grupos LGBeTcetera e black live matters, por exemplo. Não se busca justiça, se busca avançar na agenda, nem que pra isso ela tenha que proteger o estuprador.
    A maioria aqui acredita em liberdades e responsabilidades individuais. Não é o que essa galera lacradora acredita. Não estão nem aí pra justiça ou pra contradição: “The issue is never the issue. The issue is always the revolution.”

  6. Esta mulher mente. Simplesmente… Conseguiu os holofotes e a esquerda conseguiu mais uma falsa história para dar força as suas narrativas de sempre…
    Se ela não quisesse se expor, não contaria a história no Face e nem daria entrevistas.
    Resumindo: Todo esquerdista é um DOENTE MENTAL que precisa de tratamento…

  7. Ela simplesmente está incentivando mulheres a não denunciarem seus abusadores e deixarem estupradores livres e impunes para estuprar outras mulheres,quando ela faz todo esse terrorismo sobre a delegacia da mulher.. Justamente o oposto do que alguém que se diz feminista deveria fazer. Um completo desserviço.

    Além do mais pelo relato dela o sujeito abusou dela passando-lhe mão, ele não chegou a estupra-la, isto é, força-la a fazer sexo com ele, não houve de fato estupro, por mais que a extrema esquerda tente mudar o significado da nossa linguagem e tentar redefinir a palavra estupro como qualquer tipo de assédio.

  8. camaradas da liberdade! Uni vos! Gastam tanto tempo para apontar o dedo na cara do(a) amigo(a) que esquecem que devem ter 3, ou menos, apontando de volta para voces! Agora pensem bem, alem de denuncia, tem mais o que? O anuncio! Agora se pensar bem vera que estao falando a mesma coisa de pontos de vista diferentes. Larguem mao de denunciar e anunciem a liberdade! afinal nao e essa a missao. Saim da cilada que se colocaram e virem, para o lado que que quiserem e sigam, por que a vida e muito mais que isso. Briguinha! Que feio! Ja pra cama, vao durmir mulekada! KKKK Figuroess Agora mais serio, sobre o caso acredito que avancamos muito em varios aspectos e se andamos para tras e para ganhar impulso. Se a moca fez um descervico no seu ponto de vista, legal! que bacana sua opinao! nao mentira, sua opinao e um lixo, nao importa sabe por que? por que nao foi vc que passou pela situacao e niguem te perguntou, isso mesmo, ninguem te perguntou o que vc acha disso e nem o que vc pensa sobre nao fazer denuncia, alias denuncia vem do latim denucium e siguinifica a que que faz o que quiser! ta ligado(a)? Anh!? agora acorda ou vai durmi, ou vai pra cama o volta pro lixo de onde vc veio! Fui!

  9. – Este estupro é FALSO. Quando se pede um carro pelo aplicativo do Uber, o sistema localiza os veículos mais próximos de você e quando a chamada é aceita por um dos motoristas o aplicativo informa o NOME do motorista, mostra a FOTO do motorista e informa o VEÍCULO e a PLACA.

    – Estupro é tipo de crime que ocorre nas sombras. Não existe estuprador de crachá. O anonimato é a chave para a pratica do ilícito, pois garante a impunidade. Corre-se mais risco de ser estuprada em um taxi do que pelo Uber.

    – No Brasil o estupro não é apenas legalmente ilícito. Ele também é moralmente ilícito, não sendo bem visto nem por bandidos.

    – Um exame de corpo de delito colocaria por terra as alegações.

    – Por fim, coloquei o nome dela no google e vi as imagens da autora. Ela é MAIS FEIA DO QUE A MARIA DO ROSÁRIO. Essa nem o Bolsonaro estupraria.

    • Só li falácias no seu comentário. A questão de o motorista do Uber ser facilmente identificado pelas informações dadas pelo aplicativo não quer dizer nada. Já fui cantada duas vezes por motoristas e poderia ter feito uma reclamação, mas não fiz, pelo simples fato de eles saberem onde eu moro.

      “Estupro é tipo de crime que ocorre nas sombras. Não existe estuprador de crachá. O anonimato é a chave para a pratica do ilícito, pois garante a impunidade. Corre-se mais risco de ser estuprada em um taxi do que pelo Uber.”

      Você então nunca deve ter ouvido falar em casos em que o estuprador é amigo ou membro da família da vítima. Sem comentários.

      “No Brasil o estupro não é apenas legalmente ilícito. Ele também é moralmente ilícito, não sendo bem visto nem por bandidos.”

      É mesmo? Então a culpa pelo estupro não costuma ser atribuída a mulher no Brasil? Estou chocada! Os homens nunca dizem por aí que a culpa foi da mulher, pois o estupro ocorreu devido ao horário em que ela estava na rua e à roupa que ela usava no momento do abuso? Ou que ela não deveria ter bebido tanto, pois “cu de bêbado não tem dono”? Me desculpe, mas não sei em que mundo você vive, pois no meu, atribuir a culpa à mulher e aliviar o lado do homem que cometeu o estupro é uma atitude muito comum.

      “Por fim, coloquei o nome dela no google e vi as imagens da autora. Ela é MAIS FEIA DO QUE A MARIA DO ROSÁRIO. Essa nem o Bolsonaro estupraria.”

      Sem comentários. A sua afirmação faz transparecer o seu caráter e tentar combatê-la com argumentos sólidos seria uma perda de tempo da minha parte.

      Espero, de coração, devido à sua mentalidade, que você jamais se relacione com mulheres ou tenha filhos do sexo feminino, pois coitada da mulher que cruzar o seu caminho.

  10. tenho minha duvida depois de muito tempo acho que ela quis foi tirar o atraso,acho o cara atraente ou caiu na cantada dele liberou pra ele. para agora recentemente fazer essa denúncia não ir fazer B.O. fala sério!

  11. Com certeza essa moça é desequilibrada e quer aparecer pois suas declarações são descabidas e sem nexo para quem foi violentada. Só quis aparecer na mídia e se alto promover. Espero que seja verdade pois caso contrário, prejudicou covardemente um pai de família que foi banido do aplicativo por tal denuncia. Vai se internar e fazer um tratamento.

  12. Olha… Não sei nem o que escrever depois de ler um texto desses escrito por uma mulher. Caso você nunca tenha sofrido algum tipo de abuso, acho lamentável criticar uma mulher que sofreu, e não foi à delegacia por pensar (com razão) que ela iria sair de lá com o psicológico mais fragilizado do que quando entrou. Nunca passei por isso, mas ouvir a desconfiança de profissionais (no caso, um delegado) que deveriam trabalhar em prol da sua segurança e da prisão de marginais deve ser, no mínimo, devastador.

    Quantas mulheres tiveram a sensação de que a justiça foi feita com a prisão dos seus algozes? Pelas notícias e manchetes de jornais que venho lendo, quase nenhuma. Por quê? Pelo simples fato de elas se darem ao trabalho e o desgaste emocional de fazer uma denúncia e nada ser feito. Entre passar pelo constrangimento de se expor em uma delegacia em que, provavelmente, ninguém se compadecerá da sua dor e escrever um texto passível de se tornar viral em uma página de grande acesso no Facebook, acho provável que muitas das mulheres estupradas escolhessem a segunda opção. No caso da escritora em questão (sem aspas, pois acho o uso delas um grande desrespeito a uma mulher que, não só foi abusada, mas também tem sua profissão questionada) escrever “textão no facebook” talvez surta mais efeito, pois causa constrangimento à empresa que contratou o motorista que abusou dela, forçando-a, em tese, a tomar uma atitude em relação a ele.

    Em suma, falta empatia, e muita, no seu texto. Não é à toa que a sociedade é machista: as próprias mulheres questionam as alegações de estupro que aparecem por aí e ainda se sentem no direito de julgar a atitude das vítimas.

    Lamentável.

    Talvez se cada uma cuidasse da própria vida em vez de deslegitimar o discurso alheio, o mundo seria um lugar melhor para as mulheres viverem.

    • Questionamentos sobre a legitimididade de uma acusação contra estupro costumam ser feitos por duas razões, Priscila:
      1º: se a acusação tiver furos e contradições, obviamente ela será contestada;
      2º e principal: é absolutamente comum no Brasil, e em outros países, a acusação falsa de um delito de estupro:

      Nas Varas de Família da capital, 80% das denúncias de violência contra a mulher são falsas.
      http://extra.globo.com/noticias/rio/nas-varas-de-familia-da-capital-falsas-denuncias-de-abuso-sexual-podem-chegar-80-dos-registros-5035713.html

      45% da denúncias nas DEAMS são falsas.
      http://www.compromissoeatitude.org.br/denuncias-de-violencia-contra-mulher-improcedentes-prejudicam-policia-g1-18082014/

      10 anos depois de ser condenado, homem chora após mulher confessar que mentiu estupro.
      http://libernews.com.br/2017/05/23/10-anos-apos-ser-condenado-homem-chora-apos-mulher-confessar-que-mentiu-estupro/

      Elas batem. Eles apanham: O maior levantamento sobre a violência amorosa entre os adolescentes brasileiros revela que as meninas agridem mais que os meninos. Por que elas ficaram assim?
      http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2011/10/elas-batem-eles-apanham.html

      • Rui, voce esqueceu da cereja do bolo: AVFDAS – Associação das Vítimas de Falsas Denuncias de Abuso Sexual. Eles tem farto material sobre o tema que voce colocou. Tem estatísticas, cases, matérias publicadas em revista, etc.

    • Priscilla:

      Reflita sobre as pertinentes colocações do Rui Ferreira e sobre como você está abordando esse caso.

      Pressupor a boa-fé da vítima não significa que as contradições nas alegações dela devam ser ignoradas.

      O fato é que sem denúncia e sem investigação, não existe comprovação de abuso. No caso em questão, o que existe é uma alegação, que pode ou não ser verdadeira, mas que no momento não pode ser provada – por opção da própria suposta vítima.

      Qualquer um que sofreu um crime já vai entrar na delegacia com o “psicológico” abalado, isso não é privilégio deste ou daquele tipo de vítima. Porém, vale ressaltar que o foco do trabalho da polícia não é priorizar o conforto emocional das vítimas. O trabalho da polícia é averiguar os fatos.

      Nenhum crime acontece no vácuo e a polícia PRECISA saber das circunstâncias para poder agir.

      Para tanto, o queixoso sempre deve ser entrevistado. Com tato, sim. Com empatia, claro – por isso é que existem delegacias especializadas, comandadas por mulheres para atender às mulheres.

      Porém, SEMPRE é necessário fazer perguntas, até porque uma informação que a vítima não considere importante pode ser essencial para elucidar o caso.

      Nenhuma justiça pode ser feita quando só se conhece um lado da questão. Nenhuma quantidade de indignação moral pode transformar alegação em prova – e não se pode condenar ninguém sem prova.

      Isso é especialmente verdadeiro em alegações de abuso sexual, em que basta uma acusação falsa para causar danos irreparáveis ao acusado.

      Mesmo se nada for provado, mesmo se a polícia descobrir que a acusação era falsa, o acusado já teve seu nome arrastado na lama, sua honra e credibilidade destruídas diante da família e da sociedade e sua carreira demolida. Ele pode até morrer na cadeia antes mesmo da autoridade conseguir fazer as devidas diligências para apurar os fatos.

      E não adianta falar que acusações falsas não acontecem em grande quantidade.
      Basta ver o dilúvio de alegações infundadas de abuso sexual (de crianças, inclusive) nas varas de família, virtualmente todas feitas por mulheres contra os ex-maridos, por ciúme, vingança ou para impedir o contato dele com os filhos.

      http://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2014/09/ninguem-quer-saber-se-voce-foi-inocentado-diz-pai-acusado-pela-ex-de-abusar-sexualmente-da-propria-filha.html

      Uma rápida pesquisa no google vai trazer milhares de resultados interessantes, caso você queira mais informações.

      Agora, não te parece contraditório que essa pessoa tenha se recusado a prestar queixa e a identificar o suposto estuprador para “não se expor”, mas não teve qualquer problema em se expor à própria família, a todos os amigos, conhecidos, colegas de trabalho e desconhecidos na internet?

      Não te parece contraditório que ela tenha decidido “lutar contra o abuso” protegendo a identidade do suposto criminoso?

      Faz algum sentido que ela tenha se recusado a ser questionada pela autoridade competente em uma sala privada por se sentir mal com isso, mas agora não tenha qualquer escrúpulo em ser questionada por repórteres simpáticos à causa em entrevistas para a mídia?

      O artigo está corretíssimo, foi um tremendo desserviço às mulheres.

      Quem faz acusação na mídia e se recusa a fornecer as provas que possui não está em busca de justiça. Está fomentando o pânico moral em troca de curtidas e atenção.

      Isso não é protesto, é promoção pessoal.

      Você está aí indignada, cobrando empatia para com a vítima, sem nunca se perguntar por que é que ela decidiu não fazer absolutamente nada para prender um estuprador que

      A) sabe onde ela mora e pode voltar a qualquer momento para atacá-la de novo;
      B) tem identidade conhecida, que ela pode provar.

      Você também não se pergunta por que é que toda a atenção dela parece estar focada em PROMOVER ativamente o ocorrido – enquanto ela ganha mais e mais espaço na mídia.

      Essa é a armadilha da cultura vitimista. O objetivo não é mudar nada para melhor e nem fazer justiça.

      O objetivo é fazer VOCÊ se imaginar na situação miserável que ela descreveu nessa narrativa improvável. Esse apelo constante à empatia é usado como uma ARMA para despertar em você uma sensação de medo e insegurança, visando provocar uma reação puramente emocional da sua parte.

      Nesse estado, você não questiona a narrativa. Você não só aceita como verdade incondicional, apesar de todos os buracos na história, como também vira ativista e passa a defender a narrativa – sem qualquer verificação ou reflexão mais aprofundada.

      Um pouco de ceticismo é saudável.

      O que não falta por aí é gente desonesta explorando gente bem-intencionada, mas ingênua, como massa de manobra para ganhar espaço e relevância.

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