“Cultura do estupro” não existe no Brasil, mas a esquerda quer importá-la

A Constituição Federal afirma, no art. 5º, inciso II, que  “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Embora cláusula pétrea e princípio fundamental constitucional, há um paradoxo nisso: toda lei é uma imposição autoritária com exceção dos direitos naturais (vida, liberdade e propriedade).

Seguindo essa linha de raciocínio, ninguém é obrigado a nada. No entanto, uma nova classe de militantes tem tentado impor determinadas agendas culturais, sociais e éticas; reinventando o ethos da civilização ocidental com base num multiculturalismo com suposto respeito absoluto ao outro, mesmo que isso signifique apoiar o desrespeito aos direitos naturais.

Hoje somos forçados a ter pensamento sedimentado e consolidado sobre tudo: legalização das drogas, aborto, homofobia, feminismo, machismo, a situação política de Uganda e o descobrimento de novas galáxias. E, se você não tiver, é considerado ignorante na forma mais literal da língua.

Eu, pessoalmente, levo um tempo para assimilar e associar informações e conhecimento. De imediato, não sou capaz de opinar sobre nada senão acerca de coisas que ponham em risco a vida e situações clínicas. Foi lentamente que pude elucidar minha opinião sobre o estupro coletivo recentemente ocorrido no Rio à luz dos fatos: de que a vítima fora, efetivamente, vítima de um crime sexual bárbaro. Mas, isso não fica por aí. A sequência crime-castigo resta à polícia e à justiça. A sequência ato-reflexão resta a todos nós.

A reação foi imediata. Falou-se em causas estruturais para a criminalidade brasileira; puxou-se a herança escravocrata brasileira, as desigualdades de renda e de oportunidades; o machismo existente na sociedade patriarcal; a violência endêmica do país. E o resumo de tudo isso não poderia ser mais simples: há uma “cultura do estupro” no Brasil, que deve ser combatida. Bandeira levantada pela esquerda, o feminismo seria a causa mortis prognóstica dessa cultura e o machismo, o grande e malévolo genitor dela.

O termo cultura foi criado pelo filósofo romano Cícero, em 63 a.C., para descrever os costumes que a humanidade havia adquirido e que a distinguia dos animais, ou seja, os atos que faziam da espécie humana mais do que um mero aglomerado de células. De acordo com a própria gênese do termo, a cultura não pode ser algo bruto, que cause a destruição da própria espécie ou a deterioração de sua condição humana. O estupro vai de encontro a essa proposição: ele é um ato que mais aproxima o ser humano de um animal do que o ilumina em direção a um entendimento superior.

“Em tempos de embustes universais, dizer a verdade se torna um ato revolucionário” (george orwell)

Esclarecido o problema linguístico da “cultura do estupro”, vamos ao problema filosófico: voltando à noção grega de ethos, se existisse uma cultura do estupro, o estupro seria necessariamente endêmico, ou seja, natural e não mais passível de punição. É o que ocorre na Índia e em determinados países do Oriente Médio, nos quais é permitido ao homem estuprar esposas, mulheres indigentes, prisioneiras, criminosas, entre outras.

O Brasil não é a Índia porque carrega consigo a identidade autopreservadora do ocidente, consagrada pelo iluminismo e legitimada pelo imperativo prático da igualdade dos indivíduos perante a sociedade. A mesma cultura que impede selvagerias como estupro, proscrição e apedrejamento nos países do mundo ocidental é a que a esquerda visa destruir, desconstruindo, como eles mesmos gostam de enunciar.

É impossível que sequer exista qualquer esboço de uma cultura do estupro, uma vez que não é um ato banalizado pela sociedade. Não há sequer como mensurar a infinitamente pequena parcela da população que aceita o estupro – provavelmente, somente os próprios estupradores – mas é fácil mostrar a parcela que se cala sobre estupros que ocorrem em países árabes ou feitos por menores, por exemplo. A indignação seletiva impera e a hipocrisia continua a ser a rainha absoluta.

A esquerda tem uma tara em culpar entes abstratos pelos atos de indivíduos, como se uma violência endêmica pudesse ser analisada de forma clínica, fisiológica, na lógica doença-cura. E então podem se esbaldar em suas poltronas importadas enquanto assistem à massa seguir linhas prontas sem questionar e digladiar opositores para estabelecer uma permanente nomenclatura burocrática que tenta definir o que podemos ou não fazer e pensar.

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18 COMENTÁRIOS

  1. Uma Obs sobre não ter escolha:
    Um homem hétero(ou não) por exemplo tem desejos por mulheres.
    Nas sua mente fetichista, pervertida basta lançar um olhar sobre uma fêmea(mulher) cheia de curvas para logo ter algumas fantasias sexuais as quais segue um desejo de ter alguma forma de relação sexual.
    É muito difícil esse homem deliberar sobre isso e decidir não ter mais essas fantasias e desejos inoportunos se ficar olhando para essa fêmea cheia de curvas e sensualidades o tempo todo.
    Para entender isso melhor veja este texto:

    [Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
    Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência(uma deliberação pós contemplação do fetiche).
    Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado(ato impróprio, delinquência, infração), sendo consumado, gera a morte(consequências(lei da causa e efeito(ação e reação))).].

    Se entendemos bem, esse texto nos diz que se evitarmos contemplar o fetiche temos mais chances de evitar o pecado(o que os olhos não veem o coração(No Caso o Pênis) não sente ).

    Assim temos dois caminhos:
    Criar uma sociedade o menos erotizada possível sem fetiches, sem concupiscências, etc.
    Isso para crianças e adolescentes.
    Para os maiores de idades já pervertidos a solução é evitar a concupiscência que dá luz ao pecado(ambientes onde essa concupiscência é gerada).
    Isso inclui:
    Zonas.
    Boates.
    Praias.
    Bares.
    Festas.
    Qualquer ajuntamento de pessoas cuja finalidade não seja de natureza altruísta.
    Programas de qualquer mídia onde o conteúdo erótico ou incitante é muito forte.
    Evitar o consumo de drogas pois as drogas em geral intensificam a lasciva.
    Alguns alimentos picantes também intensificam a lasciva.
    E outras circunstancias similares.

    Ainda sobre esse assunto podemos dizer que:
    No que diz respeito ao comportamento a genética gera pré disposições e tendências mas nunca impõe um comportamento.
    Não é determinística.
    Sendo que outras circunstancias do tipo congênita e ambientais são muitas vezes mais decisivas que a genética.
    Isso vale para todas as necessidades carnais(Os Sete Pecados Capitais).

  2. ”se existisse uma cultura do estupro, o estupro seria necessariamente endêmico, ou seja, natural e não mais passível de punição.” Como o estupro é natural?

    • Não entendeu a parte do “não mais passível de punição”?
      Leia: Não mais previsto como crime, perante o código penal, que é uma compilado de normas, resultado de um consentimento de uma sociedade, ou se preferir… cultura.

  3. Vejam como era a “jurisprudência” brasileira não faz muito tempo:
    http://www.conjur.com.br/2016-jun-02/senso-incomum-mulher-recusar-sexo-negativa-nao-mesquinhasic
    “A cópula intra matrimonium é dever recíproco dos cônjuges e aquele que usa de força física contra o outro, a quem não socorre recusa razoável (verbi gratia, moléstia, inclusive venérea, ou cópula contra a natureza), tem por si a excludente da criminalidade prevista no Código Penal – exercício regular de um direito” (RT 461-444)”

  4. Rafael Carrasco, artigos do wikipedia não provam nada. Este que vc cita (que nem me dei ao trabalho de clicar) provavelmente foi escrito por um marxista/esquerdista, um vitimista, uma feminista ou alguém da turminha hipócrita de ‘justiceiros sociais’ conhecida como SJW. Não, não há cultura de estupro no Brasil. Nenhum segmento da sociedade aceita ou aprova o estupro e os que praticam não representam 1% da população.

    • Anti esquerda, apresentei o artigo para dar uma definição, não provar. Definições nunca são provadas, elas são afirmações. Meu ponto não é se há ou não cultura do estupro no Brasil, me abstenho dessa, mas que o autor não sabe o que são as práticas chamadas assim.

      Outra coisa: o que importa não são os rótulos da pessoa, mas se o que ela diz procede ou não. A pessoa pode ser todos os istas que você citou e ainda assim pode estar certa ou errada. Como disse acima, citei a Wikipedia por ser mais acessível. Apesar de não ser muito confiável, eu não vejo menos confiável do que uma postagem de blog. Se quiser uma fonte melhor, pode ler esse livro aqui: http://www.amazon.com/Transforming-Rape-Culture-Emilie-Buchwald/dp/1571312692 E novamente, cultura do estupro não é aceitação do estupro. É mais complicado do que isso.

      E só para deixar bem claro, eu não sou de esquerda. Meu problema com este post é que o autor não parece ter se preparado para escrever, ele apenas escreveu. Independente de haver ou não cultura de estupro no Brasil, o que ele chama de cultura do estupro não o mesmo que as feministas chamam. Então, há uma discordância aí que deixa o resto da argumentação dele inútil — afinal, ele não está falando da mesma situação, só está usando o mesmo nome.

    • Achei um artigo de um blog maior que explica a definição de cultura do estupro: https://www.buzzfeed.com/ryanhatesthis/what-is-rape-culture

      Esse é o meu problema com esse post: a definição está errada. Não discuto o resto, apenas a definição que ele usa. O autor deveria se informar melhor e reescrever o post tendo essa definição em mente. Aí sim um diálogo sobre o ponto de vista dele seria válido.

  5. Cultura do estupro é a cultura do poder do homem sobre a mulher veja estatisticas de abusos etc q entenderá e atente para o fato de q a maior parte é cometida contra jovens e criancas p ver se te toca um pouco pq só nao ve quem nao quer.. Suponha ser vc sua mae ou filha sofrendo algum tipo de abuso qq… Viraria feminista na hora. Abuso: violencia pelo poder da forca sobre o mais fraco. És tao catolico devias ter mais coracao.

    • Como se o feminismo fosse salvar o dia de uma vítima estuprada… já vi tantos casos de mulheres que NUNCA precisaram do feminismo quando foram estupradas, só de uma denúncia e de um psicólogo!

  6. Augusto, seu texto é o esboço de uma visão simplista e de uma análise pouco criteriosa acerca da sociedade e da cultura brasileira, lamentável. O princípio da legalidade, premissa inicial do texto, não se comunica com o resto do seu raciocínio, e nem mesmo faz sentido sua afirmação de existência de um paradoxo, pois o próprio princípio enuncia que “ninguém será obrigada, senão em virtude de lei”, ou seja, ele afirma a imposição das leis. Em verdade, esse é o próprio cerne do princípio da legalidade: leis, e somente elas, terão poder cogente. Portanto, não há contrassenso algum.
    O link que você faz entre o princípio e as agendas culturais é igualmente desconexo. Ninguém impõe agendas, agendas são construídas por pessoas que lutam pela visibilidade de suas propostas e ideais, isso não é um mal em si. Ainda, ninguém te obriga a ter opinião sobre tudo, isso são escolhas e escolhas, inevitavelmente, ocasionam consequências, desde que isso não interfira na sua dignidade, integridade física e psicológica ou fira seus direitos fundamentais, não há mal algum. Não soube de ninguém que sofreu dano por não ter opinião sobre assunto X. Em contrapartida, existe milhares de pessoas que sofrem consequências pela ausência de diálogo sobre determinados assuntos, como aborto, drogas, estupro e machismo. Pessoas são afetadas por isso e querer que ninguém fale sobre isso, porque você tem o direito de não querer, é simplesmente muito egoísta. Não quer falar sobre isso, acredite, ninguém se importa. Apenas deixe que as pessoas (des)construam e não atrapalhe o processo que visa melhorar a vida de milhares de pessoas afetadas por “essas agendas” que você despreza.
    Não vou nem entrar no mérito dessa sua percepção sobre a cultura do estupro, pois são tantas premissas equivocadas que vai levar muito mais tempo do que disponho no momento para demonstrar seus equívocos.

    • Vc deve viver em outro planeta pra dizer que ninguém impõe agenda. A esquerda impõe todas as suas agendas sujas que tem por finalidade a destruição do mundo ocidental. Vc é uma tola que certamente nunca leu nada sobre decálogo de Lenin, Escola de Frankfurt e marxismo cultural.
      A esquerda impõe a agenda do negro contra o branco, do pobre contra o rico, da mulher contra o homem, etc, etc, etc. Tudo isso faz parte da luta de classes, um dos pilares do marxismo, o dividir para conquistar, o ‘nós contra eles’ tão bem usado por Lula e seu partideco comunista.

      • Anti esquerda (nem sei por qual razão me darei ao trabalho de responder alguém com essa alcunha, mas ok), admito meu equívoco em dizer que não se “impõem agendas”, você tem razão. Foi uma falha de construção no meu texto, contudo, isso não invalida o restante do raciocínio, qual seja o processo e a necessidade de construir algumas agendas cuja pretensão é melhorar a vida de milhares de pessoas diretamente afetadas pela negligência com essas agendas. No mais, você não me conhece, não me chame de tola, tenha um pouco de educação e guarde seu ódio para você mesmo.

      • Wikipédia é tão fonte da verdade quanto qualquer revista, jornal, telejornal, enciclopédia, artigo de blog, programa de rádio, vídeo no YouTube, podcast…

        Em outras palavras, absorva os argumentos, onde quer que estejam, e tire suas próprias conclusões.

    • Caro Rafael, há algumas considerações sobre isto:

      1º) Que o termo “cultura do estupro” carrega tanto definições além da inversão da culpabilidade para a vítima, como, por exemplo, a objetificação sexual da pessoa (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_do_estupro), como é usada para se referir aos homens que tratam o estupro como se fosse uma norma; algo corriqueiro (http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/mulherio/voce-sabe-o-que-e-a-cultura-do-estupro/ / https://geofaust.wordpress.com/2014/03/27/cultura-do-estupro/ / http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-cultura-do-estupro). Observe que, pelo menos ao nível do Brasil, houve uma ampliação da definição que levou à uma evolução semântica, e isto não pode ser desprezado.

      2º) Mesmo considerando que tanto o articulista, quanto os que usam a expressão “cultura do estupro” como definições para coisas além da culpabilidade da vítima, estão errados, há que no artigo foi definido a gênese do termo “cultura”, onde, por sua vez, “ (a cultura) não pode ser algo bruto, que cause a destruição da própria espécie ou a deterioração de sua condição humana”. Assim, a culpabilidade da vítima de estupro é algo que leva a deterioração da condição humana da pessoa estuprada (além de atentar contra a racionalidade de todos), o que tornaria a expressão “cultura do estupro” um oximoro; duas palavras que se excluem automaticamente na mesma sentença – e não faz sentido. A expressão já estaria errada no próprio princípio, e por isto a conclusão de sua inexistência já seria correta.

      3º) É forçoso reconhecer que culpar a vítima não é algo exclusivo do estupro. Quantas vezes você já ouviu as pessoas recriminando uma vítima de roubo por andar com objetos de valor? A vítima de extorsão mediante sequestro por ostentar? A vítima de furto por “dar mole” com sua casa desprotegida ou seu carro aberto? A vítima de estelionato de “não prestar a atenção”? São tão corriqueiros e até sistemáticos (escutamos isto em discursos de autoridades públicas) que também poderíamos atribuir como cultura, não acha? “Cultura do roubo”, “cultura do furto”, “cultura da extorsão mediante sequestro”, “cultura do estelionato” e etc. Seriam diversas culturas, ou será que a “cultura do estupro” na verdade é algo que está inserido em algo maior, como, por exemplo, o péssimo hábito social de culpar as vítimas pelos crimes que sofreram? E por qual motivo a “cultura do estupro” merece destaque especial nas narrativas da esquerda?

      4º) Além do mais, há que considerar que a definição da “cultura do estupro”, como algo bem subjetivo, carrega diretrizes ocultas que fazem com que os debates tenham uma direção comum e até uma coação ideológica. A opinião das pessoas tem que ser a mesma imposta pelas bandeiras feministas, que, por sua vez, está em grande parte tomada pela esquerda (não estou desconsiderando feministas de outros espectros políticos). Você, sob pena de ser um perpetuador da “cultura do estupro”, não pode ser pragmático e discutir situações onde, de fato, uma pessoa vai se colocar em risco de estupro. E isto não é penalizar a vítima! Uma mulher que ficar em um local de grande incidência de casos de estupros, por exemplo, tem boas chances de ser estuprada (informo: sei que a maioria dos casos de violência sexual acontece dentro de casa). Tal como, por exemplo, uma pessoa que ficar andando em uma região onde há altos índices de roubo, terá grandes chances de ser assaltado. Você anda em um local com altos índices de roubo com a certeza que você não merece ser roubado (o que é um fato!), ou prefere evitar porque o ladrão está pouco ligando para esse seu não merecimento?

      Enfim, entendi sua crítica ao artigo, mas a abordagem deste não foi literal. É uma ótica diferente e que considera muito que se tem dito por ai!

      Um abraço!

    • Na verdade, o que existe é uma cultura da impunidade, erroneamente atribuída apenas ao estupro. Dessa forma nos desconcentramos do real problema; a impunidade. É uma estratégia muito comum: informar para desinformar…

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