Fascismo: uma ideologia de esquerda originada do marxismo

O marxismo surgiu num contexto de cientificismo. Newton tinha descoberto as leis da física e Darwin as da seleção natural. Indo no encalço desses dois, e também de Hegel, Marx e Engels anunciaram que haviam descoberto as leis da história. Tal como as leis da física e da biologia, ambos concluíram que as leis da história eram deterministas e independentes da vontade humana.

Os anos passaram e não ocorreu nenhuma revolução, o que contradizia a teoria marxista. Como explicar isto? Surgiram duas teses revisionistas. A primeira, do marxista alemão Bernstein, foi a de que afinal o capitalismo não ia acabar, o operariado até estava a melhorar o seu nível de vida e o socialismo podia perfeitamente adaptar-se ao capitalismo. Esta corrente cresceu no SPD alemão e acabou na social-democracia como a conhecemos hoje em dia.

A segunda tese teve origem no marxista francês Georges Sorel. Numa obra tremendamente influente, Refléxions sur la violence, Sorel concluiu que a revolução não era inevitável nem seria espontânea. Teria de ser provocada. Como? Usando uma elite para guiar o proletariado e recorrendo à violência. Seria a violência que desencadearia a revolução.

Foi o marxismo soreliano que conduziu ao bolchevismo e ao fascismo. Lênin leu Sorel e apropriou-se dos conceitos revisionistas da elite, a famosa “vanguarda”, e do uso da violência. O mesmo Sorel foi lido com atenção em Itália, em particular pelos sindicalistas revolucionários, marxistas que adotaram a greve e a violência como formas de desencadear a revolução.

Em paralelo, um marxista austríaco, Otto Bauer, notou que no Império Austro-Húngaro os operários húngaros mostravam sentimentos de solidariedade mais fortes para com os burgueses húngaros do que para com os operários austríacos. Embora o marxismo fosse uma corrente internacionalista, Bauer buscou legitimidade em algumas afirmações nacionalistas de Marx e Engels para lançar uma nova ideia revisionista. Concluiu ele que o comportamento dos operários húngaros mostrava que o sentimento de nação era mais poderoso do que o sentimento de classe. O nacionalismo era revolucionário, argumentou, pois galvanizaria o proletariado para a revolução.

Esta ideia entrou em Itália pela pena de um marxista italiano de origem alemã, Robert Michels, e influenciou os sindicalistas revolucionários italianos. Estes, contudo, enfrentaram a ortodoxia dos restantes marxistas, incluindo Benito Mussolini, o diretor do órgão oficial do partido socialista italiano, o Avanti!

Acontece que em 1911 ocorreu um acontecimento que iria abalar as convicções ortodoxas de Mussolini: a guerra ítalo-otomana pela Tripolitânia. Mussolini opôs-se a essa guerra, mas ficou atônito com a reação do proletariado italiano, que exultava com as vitórias de Itália. “Michels e os sindicalistas tinham razão!”, concluiu Mussolini. As pessoas estão afinal mais dispostas a morrer pela sua pátria do que pela sua classe.

Quando a Grande Guerra começou, em 1914, ocorreu uma cisão no movimento socialista. A Segunda Internacional tinha determinado que os operários dos diferentes países não entrariam em guerra uns contra os outros, mas na hora da verdade os socialistas alemães, franceses e britânicos apoiaram a guerra. Apenas os bolcheviques russos e os socialistas italianos se opuseram.

O problema é que nem todos os socialistas italianos estavam de acordo. Os sindicalistas revolucionários queriam a entrada de Itália na guerra porque achavam que ela seria o forno onde se forjaria o sentimento nacional dos italianos, cujo país era novo e buscava ainda a sua identidade, e que seria o sentimento de nação que uniria o proletariado italiano e desencadearia a revolução. Ou seja, a guerra derrubaria o capitalismo.

Mussolini começou mantendo a linha do partido e opôs-se à entrada de Itália na guerra, mas rapidamente deu razão aos sindicalistas e defendeu que os socialistas italianos deveriam seguir o exemplo dos socialistas alemães, franceses e britânicos e apoiar a guerra. Esta mudança de posição valeu-lhe a expulsão do partido.

Os sindicalistas revolucionários italianos, incluindo Mussolini, foram para a guerra – uma posição perfeitamente em linha com a de outros marxistas europeus, incluindo os do SPD alemão. Quando o conflito terminou, os marxistas italianos pró-guerra regressaram para casa mas foram antagonizados pelos marxistas italianos anti-guerra. Em conflito com estes, os marxistas pró-guerra fundaram o movimento fascista, com reivindicações como o salário mínimo, o horário laboral de oito horas, a participação dos trabalhadores na gestão das fábricas, a aposentadoria aos 55 anos e o confisco dos bens das congregações religiosas. Será que só eu noto que estas reivindicações fascistas têm origem marxista?

Os marxistas pró-guerra fundaram o movimento fascista, com reivindicações como o salário mínimo, o horário laboral de oito horas, a participação dos trabalhadores na gestão das fábricas, a aposentadoria aos 55 anos e o confisco dos bens das congregações religiosas.

O pensamento fascista foi evoluindo. Recorde-se que Marx e Engels consideravam que o capitalismo era uma fase necessária e imprescindível da história humana e que sem capitalismo nunca haveria comunismo. Os bolcheviques renegaram esta parte do marxismo quando preconizaram que na Rússia era possível passar diretamente de uma sociedade feudal para o comunismo, mas neste ponto os fascistas mantiveram-se marxistas ortodoxos ao aceitar que o capitalismo teria de ser temporariamente cultivado em Itália.

Noutros pontos os fascistas desviaram-se da ortodoxia marxista. Por exemplo, aproximaram-se do revisionismo bolchevista quando abraçaram a ideia soreliana da violência provocada por uma vanguarda e afastaram-se do marxismo e do bolchevismo quando aderiram à ideia baueriana de que o sentimento de nação era para o proletariado mais galvanizador do que o sentimento de classe. Isto levou-os a dizer que a luta de classes não se aplicava a Itália porque esta era já uma nação proletária explorada pelas nações capitalistas. A luta de classes apenas iria dividir a nação proletária, pelo que em vez de conflitualidade deveria haver cooperação entre classes. O chamado corporativismo.

O pensamento fascista continuou a evoluir, sobretudo em consequência do Bienio Rosso, levando os comunistas italianos a lançar uma campanha de ocupação selvagem de fábricas e de propriedades rurais. Estes eventos levaram os fascistas a afastarem-se mais do marxismo, pois entendiam que estas ações enfraqueciam a nação, que designavam de “classe das classes”, ao ponto de começarem a proclamar-se anti-marxistas. Convém no entanto recordar que Mussolini esclareceu que o fascismo objetava ao marxismo não por este ser socialista, mas por ser anti-nacional.

Tudo isto está explicado, com muito mais pormenor, nas minhas sagas As Flores de LótusO Pavilhão Púrpura, e curiosamente nada disto foi desmentido por ninguém. Os meus críticos limitaram-se a constatar que os fascistas se descreviam como anti-marxistas – e assim foi a partir de certo ponto. Mas isso nada me desmente porque nunca disse que os fascistas, na sua fase já amadurecida, eram marxistas. O que eu disse, e repito, é que o fascismo é um movimento de origem marxista.

Se acham que o fascismo não tem origens marxistas, aproveitem também para desmentir por que o fascismo alemão se designava nacional-socialismo. Como acham que a palavra socialismo foi parar ali? Por acaso?

Vaquinha O ILISP comprou o domínio "aborto.com.br" e lançará uma campanha pró-vida, mas isso exige recursos. Os interessados em ajudar podem fazê-lo por meio do botão abaixo:

95 COMENTÁRIOS

    • basicamente o que vivemos hoje… o estado intervindo na economia e na sociedade, favorecendo aqueles ”desfavorecidos” pelo sistema capitalista… A tal liberdade e igualdade…

    • Sou professor. Quer dizer plágio ou propaganda. Reutilização de um termo para captar simpatizantes. Nunca foi, verdadeiramente, socialista.

      • Mas quando um defensor do socialismo quer mostrar que o socialismo funciona, cita Suécia e Dinamarca como exemplos, alegando que social-democracia é uma forma de socialismo.

  1. Isso é muito fácil de ser derrubado, argumento fraco, pois se olharmos a história dos fatos, todos eles quando chegam ao poder, dão golpe em cima de golpe, até mesmo nos seus companheiros proletariado para não perder a posição porque sabem como chegaram até lá e seria burrice deixar outro tomar o poder. Veja o caso de Stalin, como ele chegou ao poder? Mussolini? Em fim… os fatos estão aí. Preciso nem desenhar, seria perda de tempo.

    • Nunca em toda história vi um revolucionário chegar ao poder e fazer o que ele prometeu de bom para seu povo. Ele sempre tenta de forma ditadora se manter no poder evitando que seja derrubado pois cá entre nós, eles são especialistas em tomar o poder para si e totalmente autoritários.

  2. Olá Sr. José Rodrigues, era bom que você mandasse as referências bibliográficas que fundamentam o teu artigo

    • Também peça as referências bibliográficas dos teus professores de esquerda que ficam propagando os velhos mantras nas cabeças vazias dos alunos, que acabam achando que estão aprendendo com gente muito inteligente ….. e depois tem enorme dificuldade em aceitar que foram influenciados por verdadeiros canalhas.

      • Essas eu tenho de sobra, mas realmente seria bom as referências desse artigo para poder refutar historicamente as contradições nos discursos de esquerda.

  3. Desafio qualquer esquerdista a responder porque Nazismo e fascismo são de Direita???????????
    qual característica, comportamento ou frase que podem citar abaixo que comprova que nazismo ou fascismo são de direita???

    Se vc é daqueles que não tem ideia sobre dialética mas defende terceira via recomendo estudar dialética e rever suas opções ou falar os motivos o porque de ser terceira opção ??????

    Nazismo e fascino não tem nenhuma característica de direita, só tem mi mi mi

    • você não procura isso no Google porque: google é comunista? Porque você é uma pobre barata que apoia insecticida? Só em democracia há esquerdas e direitas. No fascismo, há opressores e oprimidos. Vá a uma sede de neo-nazis e diga que eles não são de direita. Boa sorte

      • No Brasil vai ter que nascer uma nova oposição, que não seja comunista-solicialista, pois esta não faliu, já nasceu falida.

    • Por mais disputada que a concepção de fascismo seja, é certo que o fascismo nega o liberalismo, o conservadorismo e o comunismo, é ultra-nacionalista, modernizador e autoritário. Filósofos dos mais diversos campos ideológicos concordam com essa definição: Eco, Larsen, Turner, Paxton, Nolte, Grant, Griffin, etc.
      Historicamente, o fascismo encontra suas origens em autoritários como os Jacobinos, que negavam o Iluminismo. A teoria de Marx é fruto direto do Iluminismo. Estão em campos opostos. Tampouco o fascismo pode ser associado à direita conservadora ou mesmo aos liberais que defendem a manutenção das instituições.
      O fascismo é contraditório e é difícil, ou quase impossível, situá-lo no compasso ideológico direita-esquerda, sendo mais fácil categorizá-lo como autoritário em contraste aos liberais.
      Entretanto o que se observa historicamente é que o espectro ideológico de direita e esquerda muda de acordo com a sociedade e principalmente e o contexto político, no caso da Itália pré-segunda guerra, o fascismo surge como um contraponto de movimentos ditos socialistas/comunistas, tendo essa perspectiva o fascismo naquele contexto histórico é de direita, mas como eu falei é mais fácil situa-lo como autoritário. Além disso temos a diferença quanto ao tipo de igualdade que o fascismo prega que é radicalmente contrário ao tipo de igualdade que o Marxismo postula – basta ter um pouco de honestidade intelectual, ler Marx e conferir diretamente. A igualdade fascista consiste basicamente em aniquilar o outro e varrer diferenças de todas as matrizes, ou seja, ideológicas, culturais, étnicas, enquanto a liberdade marxiana só diz respeito a aspectos econômico-materiais. Tem tanto autor bom liberal/conservador falando de fascismo de um jeito sério, como Arendt ou Scruton. Leiam um pouquinho e parem de passar vergonha.

      • Depois que a palavra fascismo se tornou tao polupar nos dias de hoje e a primeira vez que vejo um texto com uma exlicacao tao clara levando em conta os fatos da historia….Parabens Guilherme e obrigado pelo texto.

  4. Não é difícil de entender, se tu ler autores de direita, vão dizer que é de esquerda, se leres autores de esquerda, vão dizer que é de direita. Não precisa ser nenhum gênio para entender que o fascismo tem varias formas, vão aparecer em varias politicas totalitárias, ou puxando para a esquerda ou puxando para direita, como o próprio exemplo do texto, o fascismo de Mussolini que começou centro esquerda e foi indo para centro direita, pois isso que é fascismo, é a terceira força, algo contra a destruição do comunismo e o atraso do capitalismo, como ditos por vários fascistas nó século XX. Ficar nessa luta idiota de passar a “origem” é de esquerda, é de direita, só emburrece a todos. Dá uma lida em Roger D. Griffin e OUTROS autores, o fascismo foi até chamado de centro radical em alguns momentos. Como Hitler que usou partidos de esquerda para ganhar pode político, depois que ele assumiu, o desaparecimentos de muitos “aliados” políticos nunca é mencionado… no seu partido “social nacionalista”. Chega dessa burrice de ficar empurrando para o cada lado e foquem em combater essas ideais perigosas.

    • O que caracteriza ou define um objeto é a sua essência, e não aquilo que ele se tornou. Uma mesa de madeira é, antes de tudo, “madeira”. O fato de darem a ela outra utilidade diversa da daquilo para qual foi criada, não retira sua essência. O Fascismo tem sua essência no marxismo, ainda que se possa desvirtuar do seu fim proposto. Haddad apresentou em seu plano de governo (no 1º turno) propostas de extrema direita. O fato de ele modificar , agora no 2º turno, sua proposta e mitiga-la para se adequar a uma ideologia centro-esquerda (Bem Estar-Social Social Democracia) não retira dele sua essência.

    • Me identifico com essa resposta, entendo que a mesma frase dita pela esquerda ou pela direita, tem interpretações diferentes … logo, exercitar o bom senso e as opiniões contrárias seria um bom começo pra evitar o conflito.

    • Dentro da democracia há o que chamamos de liberdade de pensamento e expressão. O autor tem todo o direito de arguir de forma propositiva a gênese do facismo. Resta-nos tão somente submeter a tese aos testes crítico-analitico da metodologia científica. Se de forma lógica, racional e documental o autor prova que a origem da práxis facista, tem como referencial teórico os diversos tipos de marxismo, não seria um ganho para a reflexão histórica e para a percepção fática dos reais perigos que nos sonda? Certamente que sim! Concordo que devemos denunciar e ficarmos atentos aos extremos. Porém, a história é categórica e inequívoca, quanto ao fato de que comunismo e socialismo só deram certo na utopia, no conto trágico das obras de Karl Marx.

    • O verdadeiro fascista nao importa com nenhuma dessas ideologias….vai destruir todas sem do….so proteje os seus……o problema e que todos os extremista tanto de direita com de esquerda tentam culpa o outro lado de fascista…… o fascimo e destruicao de todos e tudo.

    • Sou professor. Fascismo não é só o totalitarismo. Essa é uma redução pobre. A perseguição ao diferente é uma das maiores características. Entenda como diferente qualquer grupo diferente do dominante em relação ao gênero, etnia, religião, cultura, origem, racial e etc.

      • Perseguição a grupos é uma das características mais fortes da esquerda, hoje mais que nunca. Quem não fizer parte da “turminha” é prontamente rotulado de algum “ismo” e isso é feito em tom de linchamento público. Quem é da turminha pode fazer o que quiser com total impunidade, inclusive aquilo que é usado para condenar os outros.
        Exemplos:
        – Ciro Gomes pode usar termos como “capitão do mato”.
        – Lula pode falar em “mulheres de grelo duro”.
        – Caetano Veloso pode afirmar, em livro, que teve relações sexuais com uma adolescente de treze anos.
        – Petistas em geral podem falar em “derramar sangue” e “partir para a luta”.

  5. João José Verban Grisi O José Rodrigues Fascista da Silva , para de inventar história. Sabe de nada meu filho. Vai no Google estudar seu fascistazinho de uma óva ! Pronto Val, já coloquei ele no seu devido lugar. O mestre Val Metzner me falou que você não sabe nada e pediu pra você pesquisar no Google ( o pai dos burros ! ). Se você José Rodrigues dos Santos quiser discutir história com ele é só procurá-lo no Facebook ( Val Metzner ) .

  6. A questão levantada nao é se Nazismo e Comunismo estão do mesmo lado, mas sim a linha filosófica que deu origem a tudo isso. A linha filosófica que Marx seguia e que os seguidores dele seguem leva a essa destruição. É a força do negativo. Do caos surgirá a ordem, do mal surgirá o bem. Acontece que nesses pouco mais de 200 anos dessa linha de pensamento, humanidade nao está vendo surgir nenhum bem de quem insiste em seguir esta linha. Pelo contrário, quem ainda mantém o bem sao os influenciados pela linha do pensamento clássico grego.

    • Hugo, é um texto jornalístico, não acadêmico. Há pistas suficientes para que um leitor interessado encontre boas fontes.

  7. Tudo porcaria, farinha do mesmo saco. O mundo caminha por duas vertentes, a do capitalismo com variação quanto ao grau de participação do Estado na economia, o que no Brasil tem alimentado o corporativismo e seus afins, que defendem a presença do Estado em razão, especialmente, de benefícios aqueles que gravitam no seu entorno. A outra, a do socialismo propriamente dito, com elevada participação do Estado na economia, nas últimas décadas tem perdido oxigênio por pura ineficiência na capacidade de gerar riquezas. Vejam o caso da China, mantém a denominação comunistas, mas na verdade abriu-se ao capitalismo, razão pela qual o seu crescimento econômico atingiu níveis fantásticos nas ultimas décadas. Este fato demonstra inquestionavelmente que o capitalismo cria desigualdades, na riqueza, enquanto que os sistemas socialistas criam igualitarismos, na miséria. Quem tem cabeça para pensar, certamente saberá escolher o que é melhor.

  8. “E.. todos; Marxismo; Lenilismo, e Nietchismo, “os três foram inventados nos laboratórios da Maçonaria”, (Segundo “Os protocolos dos s[abios de Sião…”;);

  9. O fascismo hoje combate o comunismo e os liberais também. Nem direita e nem esquerda. Tem a pátria e Deus acima de tudo. São nacionalistas. E hoje estão novamente conquistando o mundo. Putin. E Trump são nacionalistas. Obama perdeu assim como a coluna prestes foi arrasada no passado. Tem que aturar. Nossa senhora de Fátima irá triunfar no final. Amém.

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