A história de uma mulher: Brasil, seu casamento e sua atual luta pelo divórcio

Imaginem, caros leitores, que nosso país não é um país. É uma pessoa, no caso, uma mulher.

Obviamente a Brasil não seria qualquer mulher, seria “A” mulher.

A Brasil é uma mulher formosa, interessantíssima, encantadora e que além de linda, cheirosa e formosa, tem muito para oferecer.

Não é por nada não, mas que homem não desejaria a Brasil?

Por décadas, a Brasil esteve presa em casa nas mãos de um pai rígido que não lhe permitia sequer um conversinha de portão. Mas um dia finalmente ficou livre para sair de casa e fazer o que quisesse.

Nova e ainda um pouco ingênua, Brasil estava a fim de namorar e encontrava-se cercada por dúzias de pretendentes, todos muito bem intencionados (sempre), mas doidos para chamarem-na de sua.

E não é que, tão tola, casou-se logo com aquele que lhe fez mais promessas? Daquelas, sabe? De malandro de bar? Aquelas que cheiram à mentira, fritura e cachaça a quilômetros? Das que, deslizadas pelo canto de um palito na boca, fazem do promitente a caricatura do engodo.

“Te darei o mar, meu bem”.

E a Brasil se derreteu toda. Eu já disse que é ingênua, né?

Acabou casando, acredita? Não teve jeito. Paixão a primeira vista, sabe? Aquele fogo que move mundos, fundos e montanhas? Pois então…

A Brasil disse sim, entre lágrimas de felicidade plena, em um altar coberto de rosas vermelhas, com toda a pompa, a circunstância e os mais românticos sonhos do mundo. Por livre e realmente espontânea vontade, é preciso frisar. Eu estava lá, durante a troca de alianças. Foi lindo.

E os anos se foram. Eles viveriam de amor, foi assim que combinaram. Vocês não acham lindo? “Viver de amor”… Ahhh o amor… Ninguém atreveu-se a erguer um dedo durante o “ou cale-se para sempre”.

Era amor de dia, a tarde e a noite. Amor, amor e amor.

Mas os anos foram passando. E a com eles, adivinhem? Também o amor. Normal, né? Nada que ninguém já não soubesse. Mas quem teria coragem de confessar essa previsão para um jovem casal apaixonado, pouco antes de sua lua de mel?

Agora é tarde.

Eu trabalho, você cuida da casa. Esse foi o acordo. Mais romântico, também impossível. E no começo deu certo. A Brasil viveu no bem bom. Tem gente que fala que teve até luxo! Soube até que ela abusou bem, viu? Tanto deve ser verdade, que inclusive, com o tempo, acabou o dinheiro pra flores, jantares, viagens. Sumiu, pluft, já era.

Mas sabe, a Brasil também reparava a vida das amigas. Via que iam bem. Via suas fotos, ouvia suas histórias. E foi então que elas e seus maridos começaram a dizer o inevitável: “Sai dessa miga, ele não te merece! Ergue a cabeça, Bra!”

Certa feita, o marido, acomodado, deixou até de ir trabalhar.

Assistir aquele homem largado de cueca dentro de casa, sem arrumar quarto nem nada, apenas esperando sair o jantar, estava sufocando a Brasil.

Mas quando a pobre moça resolveu reclamar e apontar a vida mais prazerosa que suas amigas possuíam e que gostaria que as coisas fossem boas assim pra ela também, só o que escutou foi “Calma amor! Pra que você quer carro? Viagens? Pra que jantares? Temos um ao outro, isso já deve bastar! Faz lá um sanduba pra gente”

É, quem sabe ele não tinha razão? “Vamos tentar”, pensou a Brasil, enquanto cortava uma fatia de pão.

Pois não bastou.

As comparações aumentaram e o tom das negativas também. Raro não era escutar “Você é minha! É minha por LEI! Estamos casados e você disse SIM!”. A tempestade começou assim. Sempre começa.

A Brasil sentiu-se ameaçada. Começou a trabalhar e arrumou o próprio dinheiro. Eu acho que foi a melhor coisa que ela fez.

Mas não parou por aí. Ela chorava muito, sabe? Emagreceu muito e sentia que era hora do divórcio. O marido não, e foi aí que cresceu o tom, até que chegou a bater. Sim.

Agressivo, roubava da bolsa da esposa para viver no boteco, onde se conheceram e de onde ela devia ter imaginado que ele jamais sairia. Mas fazia isso ainda mais pois, na certeza de que, sem dinheiro, ela jamais sairia de casa. Chegou até, acreditem, a roubar da bolsa da esposa para comprar-lhe flores na tentativa de reatar a relação.

Do lado de fora, é claro, também chovia um converseiro danado. O casamento, muitos opinavam, não podia acabar. Era um ato legal, formal e realizado aos olhos de Deus, sob as promessas de ambos.

Além disso, como o marido tinha sido bom no começo, havia trazido flores e coisa e tal, que importavam os tapas que agora, uma Brasil já cheia de hematomas, recebia diariamente?

Surgiram novos pretendentes, afinal, como já disse no começo, a Brasil é uma mulher e tanto, todos querem estar por perto dela. Urubus farejando a carniça de um casamento moribundo. Mas eu já logo vi que não tem nada que presta não! Ela que não se engane.

A Brasil casou muito nova, não sabia direito o que queria. Tinha mesmo é que seguir o exemplo dessa mulherada de hoje: forte, determinada, empoderada, e, sobretudo, independente.

A Brasil tem mais é que gozar e parar de ser objeto de macho interesseiro. Seu corpo, suas regras: na sua casa, quem manda, é ela.

Ela tem que seguir, não tem nada que voltar pra casa dos pais também não. Mas não é porque sou contra os futuros pretendentes que preciso ser a favor do casamento. Chega de violência contra a mulher! Para a Brasil o impeachment não basta, é preciso o divórcio.

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