A história do Dia das Mães e por que a data não deve acabar

“Levantem-se, mães cristãs. (…) Nossos filhos não devem ser tirados de nós [pelas guerras] para desaprender tudo o que ensinamos a eles sobre caridade, misericórdia e paciência”, assim diz um trecho do “Apelo às Mulheres de Todo o Mundo”, escrito pela poetisa e ativista americana Julia Ward Howe, em 1870, considerado o primeiro texto de “Proclamação do Dia das Mães”. Uma ardorosa defensora do direito ao voto para as mulheres (que seria obtido nos Estados Unidos somente em 1919), Julia acreditava que as mães deveriam ter um maior poder de voz no mundo para promover a paz.

Uma amiga de Julia, Ann Reeves Jarvis, foi uma das inspiradoras dessa ideia. Mãe de onze filhos, sendo que apenas quatro deles chegaram à vida adulta – os demais morreram com doenças mortais na época como sarampo, febre tifóide e difteria – Ann fundou em 1858 (quando estava grávida de seu sexto filho) os Mothers’ Day Work Clubs, grupos formados por mães cristãs que desejavam melhorar as condições sanitárias e educacionais das famílias para reduzir a mortalidade infantil. Por meio desses clubes, as mães obtinham doações para comprar remédios e contratar mulheres para cuidar de famílias com mães doentes.

Com a eclosão da Guerra Civil Americana (1861-1865), a região noroeste do estado em que Ann e sua família moravam, a Virgínia, se separou para formar a Virgínia Ocidental – leal à União e contra os Confederados que buscavam a secessão – e foi palco das primeiras batalhas da guerra. Ann fez com que os grupos que fundou se mantivessem politicamente neutros e passassem a ajudar os soldados feridos de ambos os lados da guerra.

Com o fim da guerra, Ann realizou o “Dia da Fraternidade Materna” em 1868 para unir os soldados de ambos os lados e suas famílias na comunidade de Pruntytown, o que foi muito bem sucedido, e desde então passou a advogar pela honra e importância das mães na sociedade. Com a sua morte no dia 9 de maio de 1905, uma de suas filhas, Anna Marie Jarvis, se inspirou em uma frase de sua mãe, dita em 1876, para defender a criação do Dia das Mães: “creio e oro para que alguém, algum dia, crie um dia em memória das mães, em comemoração pelos serviços únicos que elas prestam à humanidade – elas merecem!”

No dia 10 de maio de 1908, Anna realizou na Igreja Episcopal Metodista de Andrews, em Grafon, Virgínia Ocidental, uma celebração em memória de sua mãe e de todas as mães do mundo, considerada a primeira celebração do Dia das Mães. No mesmo dia, Anna realizou um evento similar no Auditório Wanamaker, na Filadélfia, que reuniu 15.000 pessoas. Ambos os eventos – e a dedicação de Anna em criar a data – foram fundamentais para que a Virgínia Ocidental declarasse oficialmente o Dia das Mães em 1910; que a Congresso Americano declarasse o Dia das Mães por todo o país em 1914, a ser comemorado no segundo domingo de maio; e que os demais países declarassem oficialmente a data nos anos posteriores, como o Brasil fez em 1932.

A data certamente contraria os pensamentos de esquerda. No Manifesto do Partido Comunista (1848), Marx e Engels defendem a “abolição da família burguesa”, pautada na “exploração das crianças pelos próprios pais”, e a “destruição dos vínculos mais íntimos, substituindo a educação doméstica pela social” (ou seja, pela educação estatal). Para os comunistas, a esposa nada mais é do que um “instrumento de produção” que é “explorado pelo burguês”.

Hoje, alguns defendem a abolição da comemoração do Dia das Mães (e dos Pais) em escolas. Alegam os defensores dessa ideia que as crianças sem mães ou com mães ausentes são “atormetadas” pela data e que “se sentem miseráveis” quando esse dia chega. No fundo, entretanto, estão imbuídos da mesma lógica anti-família de Marx e Engels – por ser uma instituição privada voluntária capaz de se opor aos avanços do estado sobre a vida das pessoas – e ignoram toda a história de dor e sofrimento que levou à criação do Dia das Mães justamente para lembrar aquelas que deram suas vidas pelo bem de suas famílias – e, muitas vezes, de outras famílias.

Que o Dia das Mães seja lembrado hoje e sempre como a data em que homenageamos aquelas que permitiram que estivéssemos aqui. Feliz Dia das Mães a todas!

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