A importância do dia 9 de julho para São Paulo e o Brasil

O dia 9 de julho não é apenas um importante marco na memória dos paulistas. A data serve de reflexão para qualquer indivíduo – ciente da sua autonomia e consciente dos esforços contrários ao livre pensamento – que conhece o seu direito à autodeterminação e à liberdade para se associar a outros habitantes de um determinado território (seja vila, bairro, cidade, distrito, estado ou territórios adjacentes) e declarar independência do estado a que pertence atualmente, seja para formar um novo estado ou tornar-se parte de outro.

No dia 9 de julho de 1932 foi iniciada uma resistência de 87 dias que contou com 40.000 combatentes – entre mais de 200.000 alistados – no único estado, neste período da história, a rejeitar o controle central imposto pelo ditador populista Getúlio Vargas e seus interventores, entusiastas da última moda européia de dominação, o nacional-socialismo e o fascismo.

Em meio a tanta propaganda, excesso de informação de má qualidade e confusões modernas, que este momento histórico ajude a lembrar do essencial, como o trecho da carta “A defesa da vitória de São Paulo”, que Monteiro Lobato enviou em 10 de agosto de 1932 a Waldemar Ferreira:

“Convençamo-nos de que só há dois caminhos na vida: ser martelo ou bigorna, boi de corte ou tigre. Velha bigorna, velho boi de corte, velha vaca de leite que tem sido, transforme-se São Paulo em tigre. Faça-se todos dentes e garras afiadíssimas, antes que a linda ideia romântica da brasilidade o reduza a churrasco.”

4 COMENTÁRIOS

  1. Um novo pacto federativo, novos plebiscitos e uma ampla reforma política são necessários no Brasil.

    Do modo como está o resultado é um país engessado e não representativo, beneficiando somente o topo da pirâmide do estamento burocrático.

    No texto da própria CF88 está predito a transferência do esbulhos dos impostos do centro-sul para o norte e nordeste.

    ”Art. 159. A União entregará:

    I – do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre produtos industrializados, 49% (quarenta e nove por cento), na seguinte forma:

    a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal;

    b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Municípios;

    c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semi-árido do Nordeste a metade dos recursos destinados à região, na forma que a lei estabelecer;”

    Mas isso, lógico, não ajudou a resolver a dependência econômica daquelas regiões.
    https://www.fecomercio.com.br/noticia/quase-42-da-receita-da-regiao-nordeste-e-oriunda-de-transferencias-da-uniao

    Não só a ”eterna” desigualdade não foi resolvida, como hoje, 7 dos estados do nordeste tem mais beneficiários de bolsa e programas sociais do que funcionários trabalhando em empregos formais.
    https://www.poder360.com.br/economia/10-estados-tem-mais-beneficiarios-do-bolsa-familia-que-empregos-formais/#:~:text=S%C3%B3%203%20na%20regi%C3%A3o%20Norte,carteira%20que%20benef%C3%ADcios%20no%20programa.

    Não por acaso, muitas reformas propostas (e ainda não são o ideal) estão engavetadas enquanto o STF intenta rasgar a constituição (de novo) para endossar reeleição dos chefes do legislativo, sob o argumento da manutenção do (des)equilíbrio entre os poderes.

    O Brasil deve exigir reformas e uma nova constituinte pra ontem.

  2. Ou se faz um pacto federativo mais justo, ou que haja sim a secessão. Não é justo SP ter que eternamente, bancar outros estados.

  3. Sou de direita mas não concordo com a secessão de nenhum estado de nossa federação. A América Portuguesa é indivisível!

  4. Bonito ver espaço para esse tipo de manifestação legítima! Nos meios convencionais tudo que remete ao 9 de Julho é tratado como sectário, preconceituoso e retrógrado! Pois vou além do texto e digo que como paulista , com a atual constituição e arranjo federativo (só no nome) brasileiro me sinto ainda como a bigorna citada pelo grande Monteiro Lobato!!!

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