O domínio dos socialistas na indústria do cinema é que gera filmes como “Aquarius”

É virtualmente impossível compreender no que a indústria cinematográfica mundial transformou-se sem analisar meio século atrás, quando os grandes estúdios norte-americanos (tais como Warner, Paramount, Fox, Universal, Columbia) definhavam diante de constantes assaltos regulatórios por parte do governo dos Estados Unidos e da ascensão da televisão como concorrente direto pela preferência dos espectadores.

Durante pelo menos metade do século passado, a produção de filmes em todo o mundo seguia basicamente um mesmo modelo: baseado em estúdios e controlada por produtores que faziam a interligação entre o aspecto financeiro e o aspecto artístico da indústria. Tal modelo era eventualmente replicado em diferentes países do mundo, em escalas reduzidas diante do poderio de Hollywood. O cinema comercial era um jogo de regras relativamente simples de se entender: faça filmes mirando o maior número possível de espectadores e se mantenha dentro do orçamento porque as próximas produções dependem do resultados financeiro das atuais.

O declínio desse sistema foi diretamente influenciado pela chegada à indústria de uma nova geração de realizadores formada não mais dentro da própria estrutura da indústria, mas no ambiente universitário dos recém criados cursos de cinema e na crescente cultura dos cineclubes e literatura especializada nos filmes. Esse grupo distinto de cineastas novatos, por sua própria origem e formação, era quase que integralmente composto por militantes ligados à esquerda e se aproveitou da crescente interferência dos governos na indústria e da chegada da televisão (bem como de equipamentos de filmagem mais leves e baratos que estimulavam maior independência em relação ao parque tecnológico controlado pelos grandes estúdios) para desferir um golpe mortal no velho sistema (motivados por experimentos anteriores como o neorrealismo italiano e as vanguardas europeias), colocando em seu lugar um jogo com regras novas às quais a indústria inteira submete-se até hoje.

Se até o momento desse embate predominava entre os realizadores as regras bem estabelecidas pelos pioneiros do setor (indústria integrada de ponta a ponta, voltada a atender as demandas da audiência e cuidadosamente monitorada em relação às influências ideológicas dentro dos filmes), a partir do final dos anos 1960 um sistema bastante modificado passa a ditar as regras (forjadas pela nova geração de realizadores anticapitalistas), que passaram a incluir não apenas a indústria em si como também toda uma comunidade com laços econômicos e políticos, compreendendo circuitos de festivais, órgãos públicos de “controle e estímulo” ao cinema, críticos e acadêmicos.

O ponto em comum entre toda essa tentacular comunidade é a ideologia particularmente marxista ou genericamente socialista que, até hoje, manda no setor.

Essa reviravolta da indústria – que pode ser simbolizada pelo lançamento, na virada de 1959 para 1960, de dois filmes absolutamente contraditórios, “Ben-Hur” e “Acossado” – de um período de “cultura” para um novo período de “contracultura” não dispensou o componente capitalista do negócio como um todo. Na verdade, a tomada da indústria pelos “artistas” (que ocuparam um lugar antes destinado aos calculistas produtores “obcecados por lucro”, segundo o folclore historiográfico da área) tornou toda a operação uma proeza ainda mais arriscada (passou a ser eventualmente impossível prever que tipo de filmes os militantes socialistas poderiam fazer) que demanda uma rede elaborada de mecanismos de lastreamento e seguro das produções. Na prática, onde havia algum controle, de certo modo concentrado em poucos cérebros comandando a maioria das produções e evitando que o sistema todo ruísse através de um conceito tradicional de negócio onde as receitas de hoje sustentam as despesas de amanhã, passou a existir a necessidade de um “controle total” a ser exercido sobre filmes cada vez mais caros, idiossincráticos e imprevisíveis.

Esse novo sistema só foi possível com a entrada decisiva no jogo de personagens até então secundários ou coadjuvantes: o advogado que palpita no roteiro do filme para assegurar o interesse de seu cliente, o crítico de cuja resenha depende a distribuição de um filme em larga escala, o tecnocrata responsável por “disciplinar” o mercado e gerir os mecanismos de transferência de dinheiro do bolso dos pagadores de impostos para o dos cineastas, e assim por diante.

Tudo porque um negócio seguro e autossustentável foi sendo gradativamente convertido por fetiche ideológico num cassino de cartas marcadas onde os cineastas ligados ao sistema (e toda a comunidade que os circunda) sempre vencem e o pagador de impostos desavisado (bem como o realizador de fora do sistema, por circunstância ou mesmo ideologia) tem de pagar o pato por conta própria.

Nas telas, toda essa perversão da indústria teve também um resultado facilmente perceptível pelo espectador comum na forma de filmes que “ninguém entende”, expressões de culturas e costumes inacessíveis ou mesmo defesa de valores estranhos à audiência “não especializada”.

Hoje, a indústria é dominada de ponta a ponta pelos herdeiros dos marxistas e socialistas que tomaram as rédeas do setor há 50 anos e é precisamente por esse fato que há tanto proselitismo nos filmes, de modo que se torna difícil se proteger dele ao assistir um filme. Estão nos enredos cada vez mais repetidos em grandes e pequenas produções, dos mais variados países, um número relativamente reduzido de situações e premissas comuns saídos diretamente do imaginário da esquerda: luta de classes, ódio a “valores burgueses” e instituições como a família, o trabalho, a religião monoteísta, a demonização do empresário, bem como a difusão de temas da agenda de esquerda – “aquecimento global”, repulsa ao Ocidente, combate ao “imperialismo”, valores contrários à liberdade de mercado, antiamericanismo e assim sucessivamente. Um cinema determinado a encontrar disfunções na realidade que cerca os cineastas e fatalmente incapaz de olhar para si mesmo e encarar sua própria hipocrisia, sua contradição no discurso e a tragédia gerada por seu projeto de transformação social.

Em um ambiente onde predominam realizadores de esquerda, um filme resultado desse estado de coisas como o brasileiro “Aquarius” fará sempre “algum sucesso”, especialmente no circuito de festivais – onde, patrocinados pelo dinheiro público daqui e de fora, organizadores socialistas convidam críticos socialistas para julgar e premiar filmes feitos por diretores socialistas diante de uma platéia composta de cinéfilos cuja tendência ideológica, não raro, também é socialista.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Análise perfeita, o cineasta brasileiro está sempre preocupado em denunciar os grandes problemas da sociedade que na verdade só existem na cabecinha vermelha dele, e esquece do principal, entregar entretenimento aos espectadores.

  2. Nunca esqueço de uma cena do filme “007 – Quantum of Solage”, onde há vários “capitalistas exploradores” tramando um golpe contra o presidente da Bolívia; em um dos diálogos, o vilão dispara: “não precisamos de outro político marxista entregando as riquezas para o povo”, e todos caem na risada. É de embrulhar o estômago. São raros os filmes que fogem deste modelo “socialista de Iphone”, e um deles é este:

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/07/27/joy-o-nome-do-sucesso-e-do-empreendedorismo/

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