Pare com a histeria: justiça não autorizou “tratamento da homossexualidade como doença”

Quem afirma que esta decisão judicial “tratou a homossexualidade como doença” ou que “foi instalada a ‘cura gay'” é muito desonesto ou analfabeto. Não há meio termo. É desonesto quem entendeu – e sabe que não é nada disso. É analfabeto quem leu e não entendeu – porque o Juiz Federal não disse nada (nada!) sobre considerar doença.

 

Pelo contrário, a decisão preserva a redação integral da Resolução nº 01/1999 do Conselho Federal de Psicologia, apenas afirmando que “a fim de interpretar a citada regra em conformidade com a Constituição, a melhor hermenêutica a ser conferida àquela Resolução deve ser aquela no sentido de não privar o psicólogo de estudar ou atender àqueles que, voluntariamente, venham em busca de orientação acerca de sua sexualidade, sem qualquer forma de censura“.

No dispositivo é possível perceber que a determinação judicial consiste apenas em “determinar ao Conselho Federal de Psicologia que não a interprete (a Resolução nº 01/1999) de modo a impedir psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia”.

A decisão judicial é, portanto, correta. Não fere a orientação sexual de ninguém, não trata qualquer condição sexual como doença e apenas garante que, se o indivíduo quiser – mediante escolha livre e consciente – procurar um psicólogo, terá o direito de ser ouvido e o profissional poderá realizar estudos e atendimentos reservados, tudo para que seja preservada a vontade espontânea do paciente. É algo mais ou menos assim: se um homem que se diz heterossexual precisa de ajuda e orientação para tornar pública a sua homossexualidade, ele pode procurar um psicólogo e o profissional poderá ajudá-lo no enfrentamento dessa etapa. A decisão permite apenas o caminho inverso. Que mal há nisso?

Se você leu as palavras do magistrado e encontrou “cura gay” você precisa estudar ou parar de ser desonesto. Isso não é questão de opinião, é simples capacidade de inteligência.

153 COMENTÁRIOS

  1. Onde estão os direitos iguais cada um expõe o que pensam e acreditam desde que Não haja agressão ou desrespeito, o dtor advogado deu sua opinião embasada nos seus conhecimentos, os psicólogos nos deles, somos todos livres para pensar e expor o q acreditamos,e pq não para expor o que pensamos sem sermos crucificados, em nenhum momento ele desrespeitou ninguém pq chama-lo de homofobico? Por dar sua opinião? E ai onde estam os direitos dele de expressar o que pensa?

    • concordo plenamente, porém, quando se trata de uma opinião tudo bem, mas é uma lei, que atingirá e aumentará tudo de rim que envolve o assunto. se fosse só uma fala tudo bem mas não é!

  2. Permitir que se faça tratamentos de reorientação sexual é como permitir lavagem cerebral. Não há o que mudar na orientação sexual de cada um. Ser gay não é uma escolha. É preciso se aceitar para lidar com o preconceito, não fazer um tratamento sem base científica que não faz sentido nenhum. Infelizmente existe uma bancada conservadora na Psicologia, fazendo todos passarem vergonha. É preciso tornar egossintônico o que é egodistônico.

  3. KKKKKKKK “É algo mais ou menos assim: se um homem que se diz heterossexual precisa de ajuda e orientação para tornar pública a sua homossexualidade, ele pode procurar um psicólogo e o profissional poderá ajudá-lo no enfrentamento dessa etapa. A decisão permite apenas o caminho inverso. Que mal há nisso?” CAMINHO INVERSO, fico imaginando a “problemática” e os “traumas” de um homem homossexual que precisa de ajuda e orientação para tornar pública a sua heterossexualidade. É quase uma piada, do tipo: eu era gay gente, agora eu continuo sendo, mas assumi pra sociedade que eu vou segurar o cool. A bem da verdade, um homem homossexual que ainda se sente necessidade de se assumir heterossexual, só precisa de orientação para compreender e assumir pra si mesmo a sua BISSEXUALIDADE.

  4. As pessoas n estao entendendo! Ninguem esta falando em ir num Psicologo ( no caso sou uma) para mudar a decisao de ser homo, o que o texto propoe é que se a pessoa quiser ela pode procurar uma ajuda para enfrentar essa etapa e se aceitar, como enfrentar isso diante a familia e amigos. Nem todos tem uma personalidade que permite levar essa decisao na “boa”

    • Bruna, neste caso não seria orientar o paciente? Então porque a decisão fala em orientar e reorientar, ou seja, algo no sentido de dar nova designação a orientação sexual da pessoa.

      E mais uma coisa: eu não sou psicólogo (tem um colega seu nos comentários dando opinião contrária ao artigo), mas sempre fui bom em interpretações de textos (e por isto escolhi os estudos do direito e da economia), mas nem se valendo da hermenêutica mais capenga dá para concluir que a aludida resolução do CFP impede que você oriente o homossexual a se aceitar, ajudando-lhe a enfrentar isto diante à família. A ação judicial sequer foi proposta neste sentido. O que a principal autora da ação deseja é retomar a atividade de reversão da homossexualidade, coisa que rendeu punição do CFP contra ela. Uma simples pesquisa sobre os autores da ação lhe demonstrará que, no caso, você é quem não está entendendo!

  5. A re-orientação já é arbitrária. Mas se a lei é para me permitir atender um homossexual com conflitos internos ela é redundante porque eu já possuo esse direito e também dever. Não justificou e não justificará.

  6. A comodidade das pessoas em aceitar qualquer informação que lhe é dada, me revolta. Antes de qualquer coisa gostaria de pedir aos leitores de machetes, que deixassem as ideologias políticas de lado, pois estamos falando de uma atualização do despacho de 1999. Onde em nenhum momento é tratado como doença a homossexualida. Até mesmo porque nunca será uma doença. Estamos falando da constituição, o juiz em momento algum entrou em discussão de gênero. O que se tem no despacho é autorização dos estudos científicos e orientação do mesmo. Uma vez que a constituição prevê que: Não se pode repreender estudos científicos nem a liberdade individual. Agora não venham utilizar deste meio para criarem brigas entre gêneros, ou se promoverem. Estudem antes de falar asneira, hipocritas, lutam por liberdade de uns e repreendem outros. Todos temos o direito de sermos nós mesmos, e senão estivermos satisfeitos podemos SIM buscar orientação. Por fim quero dizer que respeitar o outro acima de tudo é a base, e se eu não estou satisfeito com minha opção sexual é apenas de minha alçada decidir buscar ou não orientação. Não cabe a nenhum vizinho ou “seguidor socialista de iPhone” decidir o mesmo. Abraço

    • Eu não tive comodidade nenhuma e li a decisão liminar do juiz. E fui além: busquei saber a motivação da ação. E, ao contrário do que você afirma, a base de tudo não são estudos científicos (até porque estes existem — e estão bem avançados na genética), mas sim o próprio “tratamento” da reversão homossexual, cuja uma das autoras da ação foi impedida de fazê-la porque a resolução do CFP impede. Essa parte você não sabia, e deveria buscar saber antes de mandar os outros estudarem e dizer que estão falando asneiras…

  7. Muito mimimi com relação a duas palavras. Orientação e reorientação.
    Porém qual parte do texto vocês não leram sobre a pessoa procurar ajuda profissional por livre e espontânea vontade sobre o que ela quiser? Independente do que seja… ajuda profissional por livre e espontânea vontade. Logo… se ninguém quiser orientação ou reorientação nada acontecerá certo? Caso o cidadão queira orientação ou reorientação ele busca ajuda. Quem decide o que quer é a pessoa que sofre com qualquer questão. Não cabe a ninguém decidir o que está certo ou errado dentro de cada um. Ou alguém tá sendo obrigado a algo e eu não li isso?

    • E qual parte você não leu que isto é vedado pelo Conselho Federal da Psicologia? E mais: quem disse que somente irão pessoas por livre e espontânea vontade? Tem muita criança ou civilmente incapaz que vai por “livre e espontânea” vontade dos pais, ou seja, obrigado até mesmo na base da porrada!

  8. Se é assim, porque autorização de Juiz? E se algum hetero quiser fazer terapia para se tornar homo também precisa de autorização judicial?

  9. Existem, por exemplo, milhares e milhares de meninos que tornaram-se homossexuais por abuso sexual na infância. Abusados por homens ou primos mais velhos, etc. São incapazes de se relacionarem com mulheres na vida adulta e e incapazes de sentir prazer sexual que não seja, por exemplo, via anal. Para manter a agenda do marxismo cultural intacta, é preciso PROIBIR que essas pessoas peçam ajuda psicológica. Isso sim, é desumano. Impedir que psicólogos TENTEM ajudar, ainda que não seja comprovada a possibilidade de reorientação, é semelhante ao impedimento do avanço da medicina por não ser permitido o estudo da anatomia em cadáveres, na idade média. A psicologia é uma ciência em desenvolvimento, e muita coisa só dá para testar em humanos. Antes de condenar psicólogos, está em jogo o direito de pedir ajuda.

  10. O termo homossexualismo fou abolido porque o sufixo ismo trazia a pecha da doenca, algo que poderia ser tratado, revertido, reorientado. O homossexual não pode ser reorientado para putra sexualidade. Isso é charlatanismo. O juiz deu um direito ao psicologo que ele, juiz, não tem capacidade para dar. Basta que as religiões o façam… e gente por ignorancia continue levando muitos jovens homossexuais à frustracoes e ao suicidio.

  11. Este mesmo juiz poderia me autorizar a deixar de ser branco … ou talvez aos heteros de deixarem de serem heteros … os índios deixarem de serem índios … os mortos deixarem de serem mortos …

  12. O próprio Conselho Federal de Psicologia não concorda com a decisão e irá recorrer. A questão do psicólogo fazer uma “reorientação sexual” é, no mínimo, presumir que a opção sexual é uma questão de orientação, como se um hetero pudesse deixar de ser hetero ou um homossexual pudesse deixar de ter essa condição somente por sua vontade ou por “orientação”, como se fosse o caso de escolha ou um fato comportamental. Um homossexual que opta por não ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo não deixa de ser homossexual. Da mesma forma quando um hetero resolve ser celibatário. A decisão, independentemente do discurso panfletário da mídia, valida uma opinião que é a de muitos conservadores, principalmente xiitas evangélicos, como Malafaia e Marcos Feliciano, que a homossexualidade é uma doença. Esse certamente é o grande problema dessa decisão: abrir mais ainda as portas do preconceito.

  13. Essa “livre e espontânea vontade” abre PRECEDENTE para que pais mal informados e ignorantes (os mesmos que expulsam seus filhos de casa) a força-los a fazer tratamento desnecessário, tomar remédio e outras atividades agressivas que podem causar um trauma IRREVERSÍVEL, fora a abertura para a disseminação do ÓDIO e da INTOLERÂNCIA que já vem acontecendo, sem contar q o Brasil é o país MAIS HOMOFÓBICO DO PLANETA, matando um LGBT a cada 26 horas vítima de preconceito, então se o Sr , não faz parte dessa luta assim como eu faço diariamente, guarda o sua “interpretação” pra si, o que vale aqui, não é o que o juiz permite ou não, mas sim o que cada um faz da sua vida, eu jamais vou julgar uma mulher que luta pelo aborto, pq não é minha realidade, então eu cuido da minha vida.

  14. O artigo já começou mal quando considera quem pensa diferente como burro ou desonesto. Mas é o que mais vamos, infelizmente. Ok. O psicólogo não vai “obrigar” ninguém a “trocar” sua orientação sexual. Mas e as crianças e os adolescentes que ainda estão se descobrindo e cujos pais vão solicitar o tratamento de reorientação contra a sua vontade? E o gay, lésbica, bi ou trans que foi espancado ou violentado e sobreviveu, que fragilizado violência, não quer mais essa vida? As pessoas não escolhem ser homossexuais. É muito difícil. E essa possibilidade só trás sofrimento. É uma tristeza.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here