Por que acordos corporativistas feitos por governos não são de “livre comércio”

O governo destrói não apenas coisas físicas e tangíveis. Ele também destrói coisas intangíveis como a língua e o significado das palavras. Por exemplo, nos Estados Unidos a palavra “liberal”, que inicialmente se referia ao indivíduo que acredita na liberdade e é contrário à intervenção do governo na economia (como o termo se mantém no Brasil), passou a significar o exato oposto.

Essa semana, o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva removendo o país do “acordo de livre comércio” conhecido como Trans-Pacific Partnership (TPP).

Na verdade, o TPP não passa de um acordo secreto com 5000 páginas entre governos e empresas corporativistas que se aliam a eles. Não tem nada a ver com livre comércio. É apenas mais um exemplo do governo e da mídia destruindo o significado das palavras.

O real significado de livre comércio é ausência de intervenção, envolvimento, regulação ou mediação estatais. É por isso que a palavra livre faz parte do termo. Livre do governo.

E como o livre comércio funciona?

Vamos dizer que você coloca um celular para vender na Internet por 500 reais. Alguém entra em contato, vocês entram em acordo, marcam um determinado horário e local de encontro e concretizam a troca voluntária.

Isso é livre comércio.

Sem envolvimento do governo na transação. Ambos os indivíduos livres da intromissão forçada do governo. É assim que todas as trocas deveriam acontecer. O papel do governo nessa relação seria, no máximo, arbitrar o conflito quando alguém é enganado ou o contrato não é seguido. Fora isso, o governo deve ficar totalmente fora da transação porque só causa problemas e distorções.

Tanto os Republicanos quanto os Democratas não são a favor do livre comércio. Ambos intervém constantemente com regulações que nunca acabam, subsídios, privilégios monopolistas e outras intervenções. A diferença é que os Republicanos fingem que são a favor do livre comércio para ganhar votos, enquanto os Democratas deixam claro que são contrários ao livre comércio.

Infelizmente, Donald Trump também não é um apoiador do livre comércio. Ele tem proposto tarifas, regulações protecionistas e ideias autoritárias como “compre produtos americanos, contrate apenas americanos”. No fim, não passa de mais violência governamental.

O que não significa que ele ter se livrado do TPP tenha sido ruim. Ele não se livrou de um “acordo de livre comércio”, ele se livrou de um acordo de corporativismo global. Pena que Trump tenha outras intervenções governamentais na manga para impedir que as pessoas façam trocas voluntárias e pacíficas com outras pessoas.

Tradução livre: Marcelo Faria

3 COMENTÁRIOS

  1. Só me diga uma coisa: Não é correto Trump querer garantir as propriedades intelectual e industrial taxando as empresas americanas que utilizarem de tecnologia americana em solos alienígenas onde não haja respeito às liberdades, às leis de mercado, mas somente mão de obra escrava, comunistas que são?
    Ademais, se ele é o Presidente dos EUA não deve cuidar dos interesses dos americanos primeiramente? Não há falar-se em livre mercado unilateral. Ou ambas as partes cedem em certos aspectos e cumprem compromissos recíprocos ou são vocês desta vez é que estão falseando o significado da expressão “livre mercado”.

    • Livre mercado não precisa de acordos entre governos. Livre mercado precisa de liberdade e nada mais. E isso pode ser perfeitamente feito de “forma unilateral”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here