Por que a lógica empresarial jamais poderá ser aplicada ao estado

As emissoras de rádio na área metropolitana de Washington estão fortemente poluídas com anúncios de políticos aspirantes a cargos públicos. Um desses candidatos, David Trone, busca se eleger para a Câmara dos Deputados. Ele é fundador da minha loja de vinhos favorita, a Total Wine. Eu amo vinho e compro grande parte dos meus vinhos na Total Wine. É uma excelente loja de varejo.

Nesta manha, na Rádio WTOP, ouvi a propaganda de David Trone, a qual começa com ele dizendo “Como posso te ajudar?”, palavras típicas do ambiente comercial. Trone explicou que irá usar o termo se for eleito para o Congresso. Mas Trone não irá fazer isso.

Não estou dizendo que ele é um mentiroso. É possível que ele seja ingênuo o suficiente para acreditar que sua capacidade de homem de negócios sejam suficientes como congressista.

Mas o estado não é um negócio.

Para fazer sucesso nos negócios, David Trone tem que atender bem outras pessoas sem fazer ninguém se sentir prejudicado, já que os consumidores podem se recusar a comprar na Total Wine. Trone deve trabalhar incessantemente para garantir vinho de alta qualidade e com preços baixos para persuadir os consumidores a comprarem voluntariamente na loja.

Ele não pode forçar os consumidores a comprar vinhos na loja, nem forçar pessoas a trabalhar pra ele. Ele não pode ocupar terras para construir novas lojas. Em suma, o sucesso de David Trone nos negócios é construído com base em sua capacidade admirável para negociar pacificamente numa complexa série de trocas voluntárias com muitos fornecedores e consumidores – trocas em que todos ganham e ninguém perde. E Trone esta correto quando diz que o “Como posso te ajudar?” é a chave para o seu sucesso.

Para ter sucesso na política, no entanto, Trone estará em uma nova situação, onde parte das pessoas são prejudicadas para beneficiar outras. Ele não terá as limitações que um cidadão privado possui e poderá infringir os direitos de propriedade e contratos de outros indivíduos.

De fato, o que o governo mais faz é infringir direitos: o salário mínimo infringe o direito dos empregadores e trabalhadores escolherem as bases salariais, as restrições comerciais violam o direito dos consumidores gastarem seu dinheiro livremente e a guerra as drogas infringe o direito das pessoas ingerirem o que quiserem. Esta lista pode ser estendida indefinidamente.

O deputado Trone certamente irá fazer acordos com grupos de interesse e coalizões com outros políticos e, ao contrário do empresário Trone, fará parte de uma gangue armada especializada em forçar atos de outras pessoas ao invés de persuadi-las voluntariamente. O deputado Trone, ao contrário do empresário Trone, será capaz de obrigar pessoas a fazer o que ele mandar. O deputado Trone, ao contrário do empresário Trone, não precisará perguntar “Como posso te ajudar?”.

Na verdade, o slogan do deputado Trone no poder, e de qualquer outro, não será “Como posso te ajudar?”, mas sim: “Aqui está o que ordeno que você faça, você gostando ou não. Faça isso ou meus amigos do estado vão te jogar na cadeia ou atirar em você.”

Tradução: Rafael Cury. Revisão: Marcelo Faria

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