Por que o conceito de “apropriação cultural” não passa de racismo e ignorância

Um relato que tomou conta das redes sociais nessa última semana reacendeu o debate sobre mais uma invenção dos justiceiros sociais: a “apropriação cultural”.  O termo refere-se à ideia de que brancos ocidentais roubam elementos culturais de “minorias étnicas”, usando-as de forma indiscriminada e sem respeitar a “cultura alheia”.

O relato em questão foi escrito por uma moça que, por ter raspado os cabelos em razão de um câncer, optou por usar turbantes na cabeça. A moça foi questionada por duas mulheres negras no metrô, visto que era branca e que, na cabeça dessas pessoas, não possuía o direito de usar o turbante, que deve ser de uso exclusivo de negros. A moça conta que explicou que utilizava em razão de sua doença.

Apesar de ter indignado muitas pessoas em relação à estupidez de quem acredita na ideia de que culturas de minorias são “roubadas” por brancos ocidentais, o relato também ajudou a tirar a máscara de justiceiros sociais que escondem um racismo velado. Mesmo com o fato de que o turbante estava sendo usado por causa de uma doença, ainda houve quem argumentasse que “câncer não é desculpa para se apropriar da cultura negra”, entre outras idiotices, como é possível ver nos prints abaixo:

Feminista reclama da “apropriação cultural”. Conta foi deletada posteriormente.

Esse tipo de postura da militância de esquerda/negra não mascara apenas o racismo, mas também a enorme ignorância de quem defende esse tipo de coisa. Os turbantes foram criados muito provavelmente pelos mesopotâmicos e foram utilizados por diversos povos diferentes pelos séculos. Persas, árabes, judeus, hindus, indianos, gregos, povos das Américas, todos usaram turbantes de várias maneiras e bem antes da era cristã. O turbante, inclusive, já foi símbolo de status social e poder econômico e político em alguns povos, inclusive africanos. Aliás, esse também é o caso das tranças e dreadlocks.

Turbantes também já foram utilizados por pintores e artistas para proteger os cabelos das tintas e pó de mármore, fizeram parte da indumentária de homens e mulheres europeus durante o período medieval, foram utilizados por Maria Antonieta como peça de moda, e, finalmente, renasceram quando Paris já era considerada a capital mundial da moda no século XX com o estilista frânces Paul Poiret na década de 20. Turbantes também foram muito utilizados pelas mulheres europeias durante a II Guerra Mundial para esconder os cabelos mal cuidados devido às condições de vida precárias da época.

No Brasil, ao contrário do que se possa pensar, o turbante chegou com os primeiros europeus que vieram desbravar o território, não com os negros africanos. Há relatos de que viraram moda no país com a chegada da família real, em 1808, visto que a rainha Carlota Joaquina e outras damas da corte desembarcaram usando turbantes para disfarçar a peste de piolhos que acometeu os tripulantes durante a viagem.

Se levarmos ao pé da letra a ladainha de “apropriação” cultural, então coisas como calça jeans, aviões, eletricidade, penicilina, pasteurização, antibióticos e ressonância magnética não devem ser utilizados por qualquer um que não seja homem, ocidental e branco, já que são fruto do trabalho árduo de homens brancos. O mesmo vale para o famoso iPhone, acessório desenvolvido por Steve Jobs, um americano branco, o smartphone favorito dos justiceiros sociais para escrever textões no Facebook sobre opressão.

Se alguém está fazendo algum tipo de “apropriação cultural” são os próprios militantes do movimento negro ao tentar transformar uma peça utilizada por diversos povos ao longo dos séculos em algo exclusivo de um grupo étnico “oprimido” e símbolo de luta.

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Vanessa Rodrigues
Bacharel em Serviço Social, co-fundadora do grupo de estudos Libertas UECE e membro do grupo de estudos Dragão do Mar.

40 COMMENTS

  1. Excelente texto! Eu já tinha visto essa notícia, já me dando conta de outro termo que a polícia politicamente correta gosta de dizer, essa tal de “apropriação cultural”. Agora, me deixou ainda mais revoltado ver como ainda apareceu gente dizendo que ela não pode usar um turbante.

    A sociedade moderna está ficando cada vez mais insuportável. Agora parece que não se tem mais o direito de vestir algo, correndo o risco de ofender alguém que vai sentir que estão “roubando” sua cultura. Especialmente esse grupo de negros que quer posar de politicamente corretos, muitas vezes de braços dados com a esquerda. Não são todos, lógico: existem muitos negros que, diante de um discurso desses de “apropriação cultural”, ficam também revoltados e acham tudo isso ridículo. Mas infelizmente a minoria chata e implicante faz muito barulho…

    Sinceramente… daqui a pouco uma pessoa branca não vai poder mais vestir uma camisa da NBA ou jogar capoeira…

  2. Adorei o texto.
    O uso de turbantes é documentado no Velho Testamento como parte da indumentária obrigatória dos sacerdotes judeus, há 3.300 anos atrás.
    O turbante do Sumo Sacerdote era mais elaborado do que o dos sacerdotes comuns.
    No quadro “O Judeu” (oficina de Vasco Fernandes, primeira metade do séc. XVI) se vê com clareza o judeu português com turbante há 500 anos atrás …

  3. Parabéns pelo texto!!!
    Estou enfrentando essa situação bem próximo, com minha esposa, e se um dia ela resolver sair de turbante na rua, o fará de cabeça erguida, sem se preocupar com a opinião idiota desses energúmenos que acreditam nessa imbecilidade de “apropriação cultural”. Então nenhum brasileiro deve comer sushi, ouvir jazz, estudar filosofia grega!!! Acho que aquilo que uns chamam de politicamente correto já passou dos limites do bom senso, e as feminazis não possuem capacidade intelectual para perceber o quando idiotas estão sendo! Por falar nelas, o que elas fizeram pelas vítimas de estupro, pelas crianças assassinadas, pelos que morrem de fome, ou pelas vítimas de guerras? Textão no Facebook não muda o mundo! Ficar posando de defensores das minorias é muito fácil quando é o “papai” ou a “mamãe” quem paga as contas! Cada dia essas criaturas (por falar nisso, o perfil “freakfeminist” é aquilo que o nome sugere… freak = aberração) só fazem é virar motivo de chacota e afastar mais gente dos reais problemas da sociedade…
    Quem enfrenta um tratamento oncológico já está fragilizado. No caso da mulher, perder os cabelos equivale quase a perder sua identidade. Nem todas as mulheres lidam bem com isso. Aí a menina está num local público, usando um acessório (muito provavelmente não seria por escolha própria, se não fosse a doença) e um bando de “africanistas” ficam encarando a menina, como se ela fosse uma criminosa. E nesse caso, qual o artigo do Código Penal, do Código Civil, da Constituição Federal, ou até na Sharia, que tipifica “apropriação cultural” como crime?

    • A questão é que as pessoas de origem asiática não foram segregadas por comerem sushi. É diferente do caso do negro em que, por exemplo, um negro de dread é visto como sujo e vagabundo; um branco, está seguindo a moda.
      Negro que faz Rap: som de bandido (Racionais)
      Branco que faz Rap: gênio das causas sociais (Gabriel, o pensador)
      Mas é importante saber que a parte ruim da apropriação cultural não é a individual, mas a coletiva. A indústria capitalista primeiro sugere que turbante é coisa de macumbeira para depois vender para mulheres brancas como algo “da moda”.
      Mas repito: a maldade não está na pessoa q usou o dread ou o turbante, como no caso da menina com leucemia, mas sim em quem está por trás disso.

      • Por acaso alguém considera que Gilberto Gil faz “MPB de bandido” por ser negro? Não, né?!

        Racionais MCs são considerados por algumas pessoas como “som de bandido” por causa de suas letras e sua postura. Tal como os integrantes do Planet Hemp chegaram a ser presos por causa da letra de seus rapes que, para a polícia e certos magistrados, eram considerados apologia ao crime. E olha que a banda era de maioria branca (considerando o fenótipo), logo, por sua falácia, deveriam ser considerados “gênios das causas sociais”. Mas nunca foram…

        Um dos grandes problemas do sofisma da “apropriação cultural” é que ela quase sempre foge da realidade histórica e social. O dread, por exemplo, não é exclusivo da cultura negra (como você acredita): é elemento encontrado em diversas culturas. Os astecas usavam dreads; parte dos hindus usa dreads; os rasta-budistas usam dreads; os maioris da Nova Zelândia usam dreads… e todos estes tem a pigmentação da pele tida como branca! A sua confusão é que negros também usam dreads – o que poderia ser considerado “apropriação cultural” pela narrativa que você defende.

        E, por fim, é realmente engraçado você atribuir à “indústria capitalista” (pleonasmo: que indústria não é capitalista atualmente?) uma suposta articulação comercial para criar moda. Pena que não passa de uma enorme mentira! A começar que não se tem notícia de empresas sugerirem que turbante é coisa de “macumbeira” e depois criarem moda com isto. Segundo que o mercado não tem capacidade de determinar o que pensa cada pessoa, logo, mesmo que tentasse emplacar alguma coisa como moda, o sucesso da ação dependeria exclusivamente de cada individuo receptor da mensagem supostamente subliminar. Seu pensamento, aliás, depreende – mesmo que inconscientemente – do conceito de fetichismo de mercadoria criado por Marx e amplamente refutado pelas escolas do pensamento econômico. Terceiro que em uma sociedade altamente miscigenada, onde pardos constituem quase a metade da população brasileira, não conseguiria se criar moda direcionando a ação a uma cor de pele somente.

        Em tempo: ironicamente, “indústria capitalista” (que a esquerda marxista considera “malvadona e opressora”) é quem contrata e vende as músicas do Racionais MCs – que supostamente cantariam “música de bandido”. E existem milhares de pessoas que atribuem ao branco de dread à imagem de sujo, vagabundo e maconheiro. Não é por questão racial! Aliás, o que você acusa em relação aos outros está, na realidade, em sua cabeça. Reflita bem antes de vir fazer acusações fantasiosas!

  4. Parabéns pelo excelente texto. Essas afronazis são o que há de mais prejudicial ao fim do preconceito racial e precisam ser combatidas assim, com informação, esclarecimento, discernimento. Aliás, todo preconceito está baseado nisso: ignorância.

  5. Penso que racismo, ou preconceito contra esta ou aquela cultura, esta ou aquela cor é apenas uma forma de manterem nossas mentes ocupadas com embates que não nos aproximem de uma convivência sadia em uma cidade, digo, um país que sempre recebeu imigrantes de toda a parte do mundo, de todas as religiões e culturas.

    As esquerdas mundiais se alimentam do CAOS. Sobrevivem de nossas desgraças. Vivem em função do contraditório como exponenciador de suas causas impossíveis.

    O racismo, o preconceito na minha opinião é apenas mais um modus operandi. A propósito, eu particularmente não acredito que exista racismo, se você tiver, talento ou dinheiro, podes ser o que quer que seja que as portas lhe abrirão.

  6. Pobres turbantes…que antes cobriam cabeças de grandes filosofos e matematicos arabes e hoje encobre tantos cérebros pequenos destas afronazis…..!!!

  7. “Tem cancer que triste” e ela é feminista?Não eram elas que lutavam por direitos iguais, ai uma branquinha coloca um turbante elas falam que não pode? Quem são elas pra dizer o que uma mulher pode ou não fazer? Exatamente são feminazis mimizentas querendo mandar nos outros!Sem vergonha com aquele cabelo branco dizendo que uma menina com cancer não pode fazer tal coisa pois ofende, pelo amor de Deus! Espero que um dia sofra com algo assim pra aprender a ter empatia com uma situação dessas, namoral da vergonha de ser mulher quando uma vagabunda dessas faz algo assim “urr durr cancer que triste, ja viu ser negra e saudavel é mto triste o racismo uurr” sem vegonha e sem moral assim como toda feminista.

  8. Parabéns pelo texto, independente do câncer qualquer um tem o direito de se vestir como bem entender.

  9. EU DECRETO:
    Negras não podem alisar o cabelo, bem como também não podem frequentar igrejas católicas e/ou evangélicas. Exijo todas com o cabelo ao natural e no candomblé – JÁ!-, pois estão se apropriando da cultura branca.

    • Desculpe, minha querida, mas, a cultura branca (ou europeia) não foi apropriada por negro algum. Ela foi imposta.

      • Cara, por favor, pare. Num país tão diversificado e miscigenado como o Brasil é uma vergonha falar de “apropriação cultural”, até porque nossa própria cultura é o resultado do choque de diversas etnias, sendo assim, “apropriação cultural” é apenas um “racismo bonitinho”.
        “Cultura branca foi imposta aos negros”… cara… isso é ridículo! Primeiro: porque ninguém está te obrigando a usar “invenções de branco” (como o smartphone ou computador pelo qual escreveu isso); segundo: não há nada mais racista do que rotular determinadas coisas como “coisa de negro, coisa de branco,…), chega a dar vergonha alheia.
        Tudo o que vocês querem é determinarem os gostos das pessoas, fazer proibições, um trabalho digno de uma besta totalitária. Vocês envergonham as “minorias”, pois, ao invés de lutar por condições dignas e pelo bem estar delas, atuam como crianças contrariadas, colocando rótulos preconceituosos e tentando ao máximo vetar situações completamente irrelevantes que, supostamente, os ofendem.

      • Num país tão diversificado e miscigenado como o Brasil é uma vergonha se falar de “apropriação cultural”, pois nossa própria cultura é o resultado do encontro de diversas etnias.
        “A cultura branca foi imposta aos negros”. Primeiro: até onde sei, ninguém está te obrigando a “se vestir ou se comportar como branco” ou muito menos a “utilizar invenções de branco” (como o smartphone ou computador pelo qual escreveu isso); segundo: não há nada mais racista do que rotular determinados comportamentos, roupas ou até objetos como “coisa de negro, coisa de branco,…), é ridículo! É apenas um “racismo bonitinho”
        “Desculpe querido”, mas vocês dizem lutar pelos direitos das “minorias”, mas tudo o que fazem é tentar impôr seus gostos, utilizar rótulos preconceituosos e retrógrados e, como crianças mimadas, tentar proibir/suprimir tudo aquilo que lhes desagrada, atitudes dignas de uma besta totalitária. Dizem lutar pelas “minorias”, mas apenas querem mesmo é sustentar seus egos enormes e arrogância sem fim.

  10. Me espanta que as afronazis não criticam o cantor Carlinhos Brown usando cocar, apropriando-se da cultura indígena. Um caso clássico de indignação seletiva.

  11. Estas ideias surgem no meio de muita informação para uma legião com pouca visão. Não se deve dar muita bola para ignorantes “culturais”.

  12. Parabéns pelo texto.
    Curioso é que uma das negras que critica, nas postagens mostradas, usa cabelo tingido de loiro. E tem muita negra aí, com raiva do pixaim, que não passa sem um alisante. São ridículas, mas se acham o máximo.
    Gentinha escrota. Causa-me engulhos.

  13. Meu Deus! em pleno século 21
    A idiotice, estupidez e a falta de cultura (deliberada) não tem cor, fronteira ou classe social, são o verdadeiro câncer da sociedade.
    Martin Luther King e outros devem estar se revirando no túmulo!!
    Oprah Winfrey, Maya Angelou, Harriet Tubman, entre outras foram envergonhadas!
    Triste.

  14. Isso tem nome e se chama AFRONAZISMO! Pensam igualmente como os nazistas alemães de serem uma raça superior que foi enfraquecida pelos judeus ou neste caso pelos brancos, se colocar uma extremista dessas no poder é certeza que fariam um genocídio contra os brancos ou qualquer um que argumentasse contra suas ideias radicais.

  15. Na verdade, quanto a comparação dizendo que não se pode usar smartphone, avião, calça jeans, etc.. Não tem muito sentindo, pois foram criados por homens brancos sim, mas para uso de um povo, pra ser cultural deve-se ser de um povo, que se encontram inseridos todos. Não apenas o homem branco. Corrijam essa parte.

    • Pedrão, a questão é que a cultura que tais homens brancos pertencem teria proporcionado a possibilidade de se inventar o avião, o smartphone e a calça-jeans. A comparação é perfeitamente válida, sendo, inclusive, uma proposição lógica conhecida como argumento apagógico (ou reductio ad absurdum) que serve para demonstrar que a premissa (ou mesmo a proposição) do argumento atacado – no caso, da “apropriação cultural” – é falha; absurda. Afinal, se o turbante foi criado para ser usado somente pelo povo que pertencia à cultura do criador, o avião, o smartphone e a calça-jeans também o foram; do contrário (e aqui está a lógica correta que o artigo demonstra), tal como o avião, o smartphone e a calça-jeans não se limitam à cultura do povo do criador, logo o turbante também não é limitado à cultura do povo de quem o criou. E se você amplia a questão para o campo das liberdades democráticas, daí mesmo que o argumento da “apropriação cultural” cai por terra…

      • Não é válida não, sabe porque, porque aviões, smartphones e calças-jeans não são represensações de uma cultura, como é o turbante, os estilos musicais, um tipo de roupa diferenciada…etc. A tecnologia é importante pra nos comunicarmos, saber o que acontece mundo afora, criar modas…Os transportes são importantes pra nos deslocarmos, passearmos…Já os turbantes, não se sabe sua origem exata, uns dizem que foram criados por “negros”, mas também nem por “brancos” e sim mestiços, já outros dizem que foi de fato por negros no antigo Egito. Um outro exemplo é o Hip-Hop ou o RAP, que foram estilos musicais criado por negros nos EUA, no intuito inicial de criticar o racismo latente naquele país, já hoje esse estilo musical é cantado até por brancos também, mas a militância negra não crítica o fato de um branco está cantando uma música de origem negra, e sim porque nos EUA, os brancos que possuem algum preconceito com NEGROS, preferia ouvir essa MESMA música cantada pelo branco do que pelo negra, ou então melhor: A música negra era popular, as PESSOAS negras NÃO! A apropriação cultural não é uma falácia, uma mentira ou uma “loucura” da cabeça de militantes negros, isso é REAL! E voltando a sua resposta, o uso de transporte e da tecnologia é importante é também é uma coisa GLOBALIZADA, se deixarmos de usar o transporte e a tecnologia, muito de nós negros não iriamos conseguir trabalhar, sair, se comunicar com alguém longe, tomar banho, ver noticias do mundo afora…etc. Já um turbante é um adereço, que não trará nenhum PREJUÍZO se você deixar de usar, e muitos adereços negros fora criados também pra mostrar que nós tamém temos cultura e queremos que nossa cultura seja respeitada do JEITO QUE ELA É!!! NEGRA!!! Ninguém inventa avião, trem, celular, carro, lâmpada, TV, ônibus, com o intuito de pertencer a sua cultura! E já que a maioria esmagadora das invenções que nos ajudam no dia-a-dia foram inventadas por brancos, uma invenção, um adereço criados por negros (que é uma raça tão marginalizada, que sofre preconceito da sociedade em maior nível do que brancos), talvez a “apropriação cultural” existe por causa de uma auto-afirmação, pra dizer aos brancos que queremos ser valorizados! Mas essa sua comparação não teve lógica, foi uma falsa dicotomia grande!

        • Como você não entendeu o que falei acima, irei repetir em negrito: Afinal, se o turbante foi criado para ser usado somente pelo povo que pertencia à cultura do criador, o avião, o smartphone e a calça-jeans também o foram; do contrário (e aqui está a lógica correta que o artigo demonstra), tal como o avião, o smartphone e a calça-jeans não se limitam à cultura do povo do criador, logo o turbante também não é limitado à cultura do povo de quem o criou!!!

          Esse argumento apagógico é o que está criando confusão na mente de vocês. Um pouco de interpretação e boa vontade os teriam feito entender.

          Ademais, sua afirmação que “não se sabe sua origem exata, uns dizem que foram criados por “negros”, mas também nem por “brancos” e sim mestiços, já outros dizem que foi de fato por negros no antigo Egitoé falsa! Historicamente, os persas foram os que deram origens aos turbantes, e não os negros ou mestiços. Seu uso era para a proteção do cocuruto contra as adversidades do tempo. Não era um simples adereço, mas uma tecnologia da época. Da mesma forma que o avião, o smartphone e a calça jeans também são tecnologias criadas no meio de determinadas culturas.

          E nenhum destes, seja avião, seja smartphone, seja calça jeans, ou seja o turbante, foram criados para uso exclusivo de um povo – menos ainda uma pigmentação de pele, como é defendido neste discurso racista de “apropriação cultural”. Se alguns negros – e não todos – destinam o uso do turbante como auto-afirmação, isso não torna o turbante uma exclusividade dos negros – e menos ainda algo somente cultural destes.

          A única coisa que não tem validade é a retórica da apropriação cultural. É tão sem sentido que, por uma simples análise histórica (como demonstrei acima), negros também estariam se apropriando culturalmente até mesmo do turbante. Não consegue enxergar o quanto sem lógica é esse seu argumento? O que você está pregando é uma sociedade segmentada, excludente, onde negros só usam coisas de negros, brancos só usam coisas de brancos, amarelos só usam coisas de amarelos e pardos só usam coisas de pardos (mas o movimento negro se apropria destes para convenientemente aumentar número em estatísticas e corroborar seus discursos vitimistas). É racismo puro! O argumento apagógico do texto tem total validade, e desmonta a retórica da “apropriação cultural”.

        • É preciso entender que não se sabe que cultura inventou o turbante, mas é provável que tenha surgido em várias culturas diferentes. Os árabes, por exemplo, já usavam turbante há milênios. Quanto à questão de respeitar cultura, todas devem ser respeitadas, o que não significa que o que há de positivo em qualquer uma delas não possa ser compartilhado. Por que a capoeira é tão difundida entre brancos? Se fosse desrespeito compartilhar elementos da cultura de outra raça, a capoeira não poderia ser ensinada a pessoas que não fossem negras, mas muitos professores de capoeira são negros dando aula para brancos. Por que tantos negros praticam judô, que é um elemento cultural de outra raça? Mas não vejo nenhum japonês dizendo que negros que praticam judô estão fazendo “apropriação cultural”. Não adianta, esse conceito é de uma burrice inominável, não tem desculpa.

          Por outro lado, o que tenho observado é que o preconceito hoje em dia começa com os próprios negros quando se colocam num nicho à parte, para aparecerem em destaque, ou quando se vitimizam, tipo “eu sou preto, sou pobre, por isso sou desprezado”. Ridículo. O princípio mais claro da ausência de preconceito é que justamente essas distinções não sejam feitas – aliás, como o disse com muita precisão o grande ator negro norte-americano Morgan Freeman.

  16. Não é sobre achar algo bonito e usar em si sem saber de fato o que é, mas sim sobre saber o significado daquilo e a luta que um determinado grupo sofre por sempre ter usado aquilo. Se quero usar determinada coisa que vem de cultura de um determinado povo, cabe a mim buscar o real significado daquilo, demonstrar meu respeito sobre. É do conhecimento de todos que brancos possuem sim privilégios, então no mínimo devemos respeitar a luta e não nos esquecer do passado desses povos que ligam para manter sua cultura.

    • Falando em significado, os turbantes eram usados pelos persas muito antes de serem usados pelos povos da áfrica. O que significa que os negros apropriaram-se culturalmente de uma peça de roupa, e pior, deturparam o significado da utilização do turbante, o usam por outros motivos. Você não acha que isso é uma tremendo desrespeito com a cultura alheia? Claro que não vai achar…agora a menina com câncer usar o turbante pra resgatar um pouco de sua auto-estima, aí não pode né!

      Hipocrisia é mato!!!

    • É só você ler o texto de novo até entender que turbante não foi inventado e muito menos é propriedade de africanos.

  17. A questão dos brancos terem trazido os turbantes não se dá ao fato de que os negros eram impedidos de usufruir de sua própria cultura? Penso que sim… Mas no geral, acho que essa questão de apropriação cultura é só choração mesmo. Isso é próprio do ser humano, que está em constante evolução social-cultural. Caso contrário, fumar maconha também pode ser considerado apropriação cultural, entre tantos outros exemplos.

  18. Num país tão diversificado e miscigenado como o Brasil é uma vergonha se falar de “apropriação cultural”, pois nossa própria cultura é o resultado do encontro de diversas etnias.
    “A cultura branca foi imposta aos negros”. Primeiro: até onde sei, ninguém está te obrigando a “se vestir ou se comportar como branco” ou muito menos a “utilizar invenções de branco” (como o smartphone ou computador pelo qual escreveu isso); segundo: não há nada mais racista do que rotular determinados comportamentos, roupas ou até objetos como “coisa de negro, coisa de branco,…), é ridículo! É apenas um “racismo bonitinho”
    “Desculpe querido”, mas vocês dizem lutar pelos direitos das “minorias”, mas tudo o que fazem é tentar impôr seus gostos, utilizar rótulos preconceituosos e retrógrados e, como crianças mimadas, tentar proibir/suprimir tudo aquilo que lhes desagrada, atitudes dignas de uma besta totalitária. Dizem lutar pelas “minorias”, mas apenas querem mesmo é sustentar seus egos enormes e arrogância sem fim.

  19. É interessante ver como o post mais compartilhado sobre esse assunto é aquele da The Intercept Brasil onde a moça compara um louco viciado em carretéis ao movimento negro e seu preciosismo com seus acessórios, alegando que da mesma forma que o carretel é especial pro louco o turbante é especial pros negros.

    Aliás, nesse artigo ela não trouxe validação alguma pro seu argumento, não havendo conexão entre a viabilidade ética de um dever moral para que brancos não utilizem turbantes em favor de uma “Não-Apropriação Cultural”. Isso me inclina a acreditar que o movimento que sustenta essa narrativa realmente é tosco.

    Eu fui além desse texto e convido todos os interessados em informação relevante sobre o assunto a assistirem, pelo link: http://youtu.be/wjAnM1U3r5o

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