Por que o governo “neoliberal” de Lula não sofria com manifestações da esquerda?

Quando Lula ganhou as eleições em 2002, o mercado brasileiro foi à loucura. O dólar chegou a valer quase R$ 4,00 e parecia que o país iria guinar à esquerda juntamente com a Venezuela. No entanto, assim que o governo Lula assumiu o poder, praticamente tudo que ele havia prometido em campanha, como dar calote na dívida pública e taxar grandes fortunas, deixou de ser seguido. O presidente Lula abandonou muitas medidas de esquerda, se curvou ao mercado e fez uma gestão ortodoxa. E tudo isso sem nenhuma manifestação da esquerda.

O governo Lula surpreendeu a maior parte do mercado e nomeou uma equipe econômica tida como ortodoxa, liderada por um banqueiro de carreira internacional consagrada, Henrique Meirelles, o mesmo nome escolhido por Temer para o Ministério da Fazenda, e por um médico que era visto como um entusiasta da ortodoxia econômica, Antonio Palocci. Além disso, o braço direito de Pallocci era um social-democrata, Marco Lisboa, ferrenho defensor da manutenção de altos superavit primários, dinheiro a ser usado para pagar os juros da dívida pública.

Foi com essa equipe econômica pró-mercado que Lula fez exatamente o oposto da cartilha da esquerda: prezou por inflação baixa, valorização da moeda e altos superávit primários. Com essa gestão, Lula reduziu a dívida pública brasileira em proporção ao PIB de 59,9% para 56,5% e derrubou a dívida liquida de 54,8% para 49,4% do PIB. E ao invés de dar calote na dívida externa, como defendia a esquerda, o presidente Lula “pagou” a dívida externa (que possuía juros menores) com a emissão de novos títulos públicos (com juros maiores).

O endividamento do estado brasileiro só caiu graças à política fiscal austera adotada pelo governo Lula. A gestão Lula, sem qualquer manifestação da esquerda, chegou aprovar uma meta de superávit de 4,2% do PIB e ainda chegou a fazer 4,3%, 0,1% acima da meta. No combate a inflação, Lula foi o único presidente, desde a redemocratização do país, a não adotar nenhuma medida heterodoxa como congelamento de preços ou outros tipos de intervenções estatais na economia. Em 2003, o Banco Central elevou os juros para 26,5% para combater a inflação crescente naquele momento e nem por isso Lula era chamado de defensor de banqueiros pela esquerda.

A agenda de reformas de orientação liberal, que ocorria no governo de seus antecessores, não foi interrompida por Lula. Foram aprovadas a reforma da Previdência, as PPPs (Parcerias Público-Privadas) e a nova Lei de Falências, mas as duas primeiras não chegaram a ser postas em prática por falta de medidas complementares. Bastou trocar o modelo de”privatização” para “concessão” e sumiu a ladainha de que estavam vendendo o país.

O principal programa de esquerda lançado tão logo que Lula assumiu o governo foi o Fome Zero. O programa consistia em usar o estado para criar cisternas, restaurantes estatais e centro de distribuições de alimentos em regiões do Nordeste. Mas essa ideia não durou muito tempo e foi rapidamente substituída por um programa um pouco mais liberal: o Bolsa Família.  Ou seja, nem mesmo o Fome Zero, que teoricamente seguia a cartilha da esquerda – onde o estado adotava um papel de fornecedor direto de alimentos – foi adotado no governo Lula. E mesmo assim, não houve sequer uma manifestação da esquerda contra o fim do Fome Zero.

O Bolsa Família, uma ideia controversa defendida por economistas liberais como Milton Friedman e Hayek,  é um programa que consiste em repassar parte do dinheiro roubado dos impostos aos mais pobres. Ou seja, ao invés do estado usar o dinheiro dos impostos para comprar comida e distribuir, o bolsa família entrega dinheiro aos pobres para que eles comprem alimentos, produtos ou serviços privados. A substituição do Fome Zero por um programa que valoriza a iniciativa privada e a liberdade de escolha dos indivíduos não foi uma medida que trouxe revolta da esquerda, pelo contrário, foi apropriado pela mesma e usado em campanhas eleitorais por “defender os mais pobres”.

A escolha de Henrique Meirelles para o ministério da Fazenda no governo Temer tem feito a esquerda voltar às ruas com aquele velho e ultrapassado discurso de “neoliberalismo opressor”. O que não fica claro é o por que não houve a mesma indignação da esquerda quando Lula colocou os mesmos nomes em sua equipe econômica, bem como por que a esquerda gosta tanto de divulgar números sadios da economia brasileira durante a gestão “neoliberal” de Lula enquanto defende políticas heterodoxas como congelamento de preços e déficits primários. O “neoliberalismo” só é bom quando é adotado por políticos de esquerda?

PS: “Neoliberalismo” não existe. O que existe é o liberalismo e suas diversas escolas (Escola Austríaca, Escola de Chicago, Escola de Salamanca, entre outras).

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2 COMENTÁRIOS

  1. “Neoliberalismo” não existe.
    Claro que existe, existe na cabeça do petista.
    “Neoliberalismo” como se entende hoje é um espantalho criado para bater.
    Na origem o terno significava a aceitação de uma pequena interferência estatal em contraposição ao laissez faire.
    Também pode ser o consenso de washington que nada mais é que a reforma do estado interventor.
    Para a esquerda neoliberalismo e o retorno do laissez faire.

  2. Neoliberalismo existe sim: são as medidas liberais adotadas por esquerdistas para salvar a economia das tragedias causadas pelo socialismo, mas o teimoso comuna continua esquerdista e vai fazer meleca de novo quando vir as contas em ordem.
    Só num país de malandros como o nosso o liberalismo é opressor. Vai ver que é porque obriga o sujeito a estudar e trabalhar para ser alguém. Com tanta opressão, quando ele vai poder invadir escola, fechar ruas, fazendas e protestar para ter o que os que trabalham têm?

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