Rede Globo: a mídia de esquerda que agora legisla por mais estado nos preços das festas

De todos os espantalhos da esquerda que ouvimos, o pior, de longe, é que a Rede Globo pertence à “direita conservadora”. A maior parte do elenco da emissora é declaradamente eleitora do PSOL / PT, defende o desarmamento, posiciona-se a favor da CLT enquanto possui pessoa jurídica para fugir da legislação trabalhista e boa parte da programação da emissora defende e propaga abertamente ideias de esquerda.

As novelas são bons exemplos de como essa propaganda acontece, mesmo que de forma sutil. Uma cena da novela “Amor à Vida” chegou inclusive a divulgar em horário nobre um livro sobre Che Guevara, um dos piores assassinos e psicopatas do Século XX. Nos dias atuais, a série “Os Dias Eram Assim” tem como plano de fundo o excessivamente explorado período da ditadura militar, onde os terroristas da esquerda são representados como mocinhos inocentes que lutavam por “democracia” e não igualmente por uma ditadura, mas de viés socialista/comunista.

A atual novela das 21 horas, “A Força do Querer”, tem como uma das protagonistas a personagem Ivana, que está se descobrindo transgênero, uma das atuais pautas da militância de esquerda. Algumas semanas antes da estreia da referida novela, o Fantástico apresentou uma série chamada “Quem Sou Eu?” que debatia a temática da “identidade de gênero”, inclusive trazendo “crianças trans”. Era uma visível tentativa da emissora de tentar introduzir o tema que seria abordado da novela na cabeça dos telespectadores da mesma faixa de horário.

O “Fantástico”, aliás, merece uma análise mais detida. É nítido que o programa, mais editorialmente livre do que o jornalismo tradicional, é utilizado pela emissora para pautar o debate no Congresso, no governo ou na sociedade, geralmente com uma pauta de maior intervenção estatal. O exemplo mais recente foi a matéria tendenciosa que o programa levou ao ar no domingo retrasado (25 de junho) sobre a diferença que homens e mulheres pagam para entrar em casas de shows e festas.

Com muito mais tempo destinado à defender a pauta de intromissão estatal na definição dos preços, mulheres falando da farsa da “diferença de salário” propagada pelo movimento feminista e tratando a livre definição de preços como “abuso” a “ser combatido”, a matéria é um show de desinformação. O mais hilário foi que as frequentadoras desses locais foram entrevistadas e, para sair bem no vídeo, concordavam com a argumentação do repórter que tentava induzi-las a concordar com a pauta. Será que elas realmente aceitariam pagar mais caro para entrar na festa caso o aumento fosse automático, na mesma hora em que foram entrevistadas?

Cabe fazer uma menção à decisão da juíza substituta Caroline Santos Lima, que deu origem à matéria, alegando que era a “prática ilegal e abusiva” baseada em um tom cercado de militância, incluindo “argumentos” como “a mulher não pode ser usada como isca” e respeito à “dignidade das mulheres”. Eu sou mulher e garanto que essa prática não fere minha dignidade porque acredito que as mulheres são livres para frequentar lugares que oferecem a vantagem de economia na hora da entrada. Se essas mulheres frequentam esses lugares, obviamente, discordam da opinião da juíza ou simplesmente não se importam com isso. O caso ainda foi encaminhando para o Ministério Público, numa lógica surreal o suficiente para transformar o estado em porteiro e caixa de boate.

A questão, entretanto, não parou por aí. No programa do último domingo (2 de julho), o Fantástico transmitiu nova matéria que mostrou que a Rede Globo atuou para legislar sobre o assunto. De acordo com uma declaração feita pelo Secretário Nacional de Defesa do Consumidor – Arthur Rollo, ex-advogado da campanha de Celso Russomanno (PRB) – haverá uma nota técnica (que sequer está disponível no site do Ministério da Justiça, ou seja, a Rede Globo teve acesso à decisão antes do público) proibindo que os donos de boates, bares e restaurantes cobrem preços diferentes para homens e mulheres, alegando que isso viola “o princípio da dignidade da pessoa humana”. Detalhe: a medida foi baseada na reportagem da Rede Globo. Ou seja: ser mulher e pagar menos é “ser objetificada” e “ter sua dignidade humana ferida”. A Rede Globo, em uma semana, conseguiu inventar uma “luta de classes” imaginária entre homens e mulheres e, na prática, legislar contra o que a sua linha editorial considera abusivo.

Em um país onde delação premiada só vale quando é feita contra o político do partido adversário, bandido milionário foge para os Estado Unidos com a benção da justiça, senador corrupto volta ao cargo como se nada tivesse acontecido e o líder da quadrilha política continua solto e provavelmente será candidato à Presidência da República, ter uma emissora que dissemina as ideias de esquerda sendo chamada de “direita” e se transformando em órgão legislador paralelo nem surpreende mais. Mas nem por isso deve deixar de ser repudiado.

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