Vaquejada e o duplo padrão do STF e dos “defensores dos animais”

No último dia 06 de outubro, por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade da vaquejada, uma mistura de esporte e cultura muito forte no Nordeste e que só no estado do Ceará movimenta R$ 14 milhões e gera milhares de empregos anualmente. Os ministros do STF entenderam que a prática – que consiste em soltar o boi em uma arena e tentar derrubá-lo no chão puxando-o pelo rabo – causa sofrimento ao animal e, portanto, configura crime ambiental.

Após a decisão, as redes sociais se alastraram de posts apoiando a posição do Supremo, parabenizando a corte por extinguir essa prática “monstruosa”, essa “barbárie”, como muitos disseram. Só há um problema nisso tudo: boa parte dessas pessoas comem carne vermelha e gostam disso.

Pode parecer uma comparação esdrúxula relacionar o hábito de transformar o sofrimento de um animal em espetáculo e matá-lo para comer. Contudo, ao debruçar-se sobre o caso, o STF decidiu que a vaquejada é inconstitucional por causar sofrimento ao animal, ou seja, em momento algum foi discutida a finalidade. A Suprema Corte só deve poder decidir com argumentos lastreados na Constituição, mas isso os “defensores dos animais” da geração mimimi atual não entende.

Sou amante de um bom churrasco e não critico a vaquejada exatamente por não ter o duplo padrão moral dessa galera. Eu não desejaria de forma alguma que alguém tentasse me derrubar no chão, me pegando pelo rabo enquanto corro, mas e os animais abatidos para alimentação, geralmente colocados num corredor – com curvas para que os animais não saibam o que está acontecendo – e dispositivos que dão choques leves ou emitem ruídos? Isso não seria sofrimento se adotarmos a mesma interpretação do STF? Vejamos:

No box de atordoamento, o animal recebe um tiro com pistola de pressão – ou um dardo que perfura o cérebro – e desmaia. A partir daí, para que não corra o risco de acordar, o boi deve ser morto em no máximo três minutos. Uma portinhola se abre e o animal cai desacordado numa espécie de esteira, sendo içado pelas patas para ficar com o pescoço para baixo. Primeiro, recebe um corte na pele do pescoço. Depois, o matador estica o braço e atinge a jugular: o boi está oficialmente morto.
Por três minutos, seus 20 litros de sangue escorrem numa canaleta para ser posteriormente transformados na farinha de sangue que compõe rações para cães, gatos e peixes (sim, seus animais fofinhos se alimentam disso). E então começa o desmonte do boi. Os chifres são serrados, as patas e o rabo são cortados, o couro é retirado e o abdômen é aberto para que as vísceras sejam separadas. Por fim, a carcaça é colocada numa câmara de resfriamento para tirar a acidez da carne – o estresse pré-morte libera ácido láctico que endurece a carne.
Não sei na visão de vocês, mas na minha isso causa muito mais sofrimento ao animal do que ter seu rabo puxado. E a solução seria qual, onze burocratas decidindo que o consumo de carne fere a constituição e trata-se de crime ambiental? Espero sinceramente que não, pois amo comer carne e isso seria um atentado à liberdade dos humanos – desde sempre, onívoros – mas é esse precedente que o STF abriu. A castração também seria um “crime animal” porque causa sofrimento? E o adestramento? Cabe ao estado, no caso o STF, acabar com uma história, uma cultura, um esporte e uma indústria numa canetada?

Se você é contra o sofrimento dos animais, deve ser contra abatedouros, castrações, adestramentos e qualquer outra coisa que cause sofrimento a qualquer animal, incluindo mosquitos do aedes aegypti, baratas, ratazanas e demais “bichos escrotos”. Sem relativismos como “para alimentação pode” ou “para proteção humana pode”, afinal, “direitos” por definição não devem ser relativizados. E nada de manter um “animal fofinho” em casa, nessa ótica ele tem “direito” à liberdade.

Agora, se você defende que os humanos são livres para atuar sobre suas propriedades – e podem ser criticados e alvos de campanhas contra isso, mas jamais proibidos por meio da força coercitiva estatal – seja bem-vindo ao lado que é contrário às arbitrariedades do estado que limitam a vida humana, o lado liberal.

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15 COMENTÁRIOS

  1. Você come carne, o que significa que fere e mata animais para agradar seu paladar.
    Ou seja: Você não vê problema em causar sofrimento simplesmente para cumprir sua vontade.

    Portanto sugiro que aceite quietinho enquanto os políticos te causam sofrimento para agradar aos interesses deles.

    Você mesmo disse para não usar duplos padrões…
    Se você pode causar sofrimento para atender ao seu gosto, então os outros também podem fazer isso com você.

    🙂

    • Plantas também sofrem quando são arrancadas, ja foi provado cientificamente. E até onde sabemos o ser humano é onívoro desde que apareceu na face da Terra.
      Sugiro que você viva da luz do Sol.

  2. Já ouviu falar em veganismo? Pois é, são pessoas que incorporaram a ética aos animais e não os comem, assim como não comem os produtos derivados e tentam não ter qualquer uso do animal. Pode estar certo que a grande maioria que é contra as vaquejadas também não come carne. E as vaquejadas surgiram exatamente porque existe a cultura de comer carne. Se vc ama comer carne deveria começar a questionar isso. Vc está colaborando com a morte de animais todos os dias. Não dá para proibir o consumo de carne no momento. Mas a luta para que os direitos dos animais sejam reconhecidos não vai parar. E sim, tem que haver direitos animais e direitos humanos. Embora sejam direitos diferentes, o principal é que o animal não seja usado para nenhum propósito humano. Leia e se informe, já existem muitos livros tratando dos direitos animais. Ah sim, as rações são feitas a partir dos animais de matadouro, mas os animais não são mortos para esse fim. Mas tudo acaba sendo aproveitado pela indústria da morte. Saiba que já existe ração vegetariana para cães usadas pelos que não querem compactuar com isso também. E já se está desenvolvendo ração para gatos, vegetarianas. Sim todas elas suplementadas devidamente. Temos muito que caminhar até a libertação animal e humana.

    • Os cães e gatos foram consultados sobre a alimentação vegetariana ? Seus diretos foram respeitados ou eles foram tratados como escravos pelos seus proprietários, sem direito a opinião própria ?

      O próximo passo seria montar uma missão no sul da África para transformar os leões, leopardos, hienas e outros animais carnívoros que existem lá em vegetarianos. Idem para os tigres, ursos, lobos, águias, falcões, corujas, sapos, jacarés e a maioria dos peixes em todo o mundo. Claro que falar em direitos dos animais e ao mesmo tempo obrigá-los a algo não faz sentido, mas até aí empata com o seu comentário direitinho.

  3. O problema não é o povo é sim um bando de MIMIMIMI que trata o mesmo como criança e acha que deve decidir por ele. Duvido muito que isso barre a Vaquejada, aqui em SC a “farra do boi” que é bem mais violenta e cruel e pessoal faz as escondidas.
    Ps: teve dois países que disse claramente que o povo não sabia o que era bom ou ruim. Foi a Coréia do Norte o outro, a Venezuela.

  4. No abatedouro o sofrimento é instantâneo, com a finalidade de nos alimentarmos, na vaquejada o sofrimento do boi é por diversão nossa, além do sofrimento durar toda a vida.
    #nãoapoio

  5. Decisão arbitrária do STF em nome de um bando de mimizentos que se dizem defensores dos animais, mas ñ são contrários ao genocídio diário de milhares de baratas.
    Tanto o STF como os militontos de defesa dos animais esquecem q esses bois são bem tratados por terem um valor econômico. Se as vaqueijadas e rodeios acabarem, as chances desses bois irem ao matadouro ou serem tratados de forma cruel em espetáculos realizados clandestinamente irá aumentar.
    O que vejo por trás disso tudo é uma batalha da esquerda contra o ser humano. Ela atua de várias formas, seja tentado colocar humanos contra humanos através da luta de classes (pobre contra rico, negro contra branco, etc), seja tornando-os vítimas ou coitadinhos para serem facilmente escravizados pelo Estado ou ainda, como é o caso, tentando inferiorizá-los colocando na mesma condição de animais irracionais.

  6. Baita artigo Mateus. Este é o resultado deste modelo centralizador de poder, que concentra em Brasília decisões que afetam a vida dos mais longínquos rincões do Brasil. Seria muito melhor deixar o povo de cada estado ou município seguir seus próprios rumos – neste caso, tenho certeza que os cearenses manteriam ativa está atividade econômica. Este tipo de interferência indevida de burocratas em nossas vidas é que gera os movimentos separatistas. O clamor por mais autonomia financeira e política (mais liberdade) tem aumentado muito em nosso país.

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/10/08/o-sul-nao-e-o-meu-pais-e-brasilia-sabe-e-abusa-disso/

  7. Ministros e as monas do polliticaly (in)correct não comem carne, seja ela vermelha ou branca. Santo come?

  8. Os fins são diferentes
    Nos matadouros, açougues e afins o objetivo final é a alimentação humana

    No caso das vaquejadas, é uma forma extremamente sádica de lazer

  9. Te garanto que esses bois sãos mais bem cuidados do que qualquer boi que não participa das vaquejadas.
    Em um país com 12 milhões de desempregados, numa única canetada o STF engorda essa lista em mais alguns milhares sem ter a menor noção do que tão fazendo.

    • a vaquejada e cultur,um boi puxado pela calda nen morre é nem adoece agora é muito mais sofrimentos nos matamatadourosentão entao antes de jugar a vaquejada vai da uma olhada para ve se e do geito que vcs que são contras diz que tem maus tratos

      • Cultura por cultura… na china se maltrata e se come cachorros, na russia o marido pode bater na mulher e em paises arabes uma mulher pode morrer se trair o marido.

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