Em meio a uma grave crise financeira, USP oferece disciplina “poesia para engenheiros”

A Universidade de São Paulo (USP), que sofre com os efeitos de uma gravíssima crise financeira causada pelo excesso de gastos com funcionários públicos, que ocupam praticamente 100% do orçamento da universidade, continua com gastos inúteis. Como exemplo, o curso de Engenharia de Minas e de Petróleo, ofertado pela Escola Politécnica da USP (Poli), que por definição deveria ter um caráter técnico e disciplinas de exatas, oferta a disciplina “poesia para engenheiros”.

Segundo o site da instituição, a disciplina não exige nenhum pré-requisito para ser cursada e tem como objetivo “desenvolver a criatividade do aluno de Engenharia e auxiliar na redação adequada de textos em Português, apresentando as novas regras da Língua Portuguesa e usando a Poesia como base das aulas expositivas, de modo a incentivar o aluno a redigir poemas, trabalhos e artigos.”

Cabe lembrar que a Fuvest, vestibular responsável por selecionar os estudantes da USP, possui uma lista de obras literárias obrigatórias para a prova, além de contar com uma prova de redação, ou seja, ao mesmo tempo em que a universidade tem como critério de seleção o domínio da escrita, disponibiliza para seus alunos disciplinas para ensinar a escrever corretamente.

A USP custa mais de R$ 5 bilhões de reais por ano aos pagadores de impostos do Estado de São Paulo.

Vaquinha O ILISP comprou o domínio "aborto.com.br" e lançará uma campanha pró-vida, mas isso exige recursos. Os interessados em ajudar podem fazê-lo por meio do botão abaixo:

31 COMENTÁRIOS

  1. Eu fiz Poli e estou envergonhado com isso. Tinha que ser da Minas né hahahaha…. Felizmente na Mecânica não tem esse tipo de baitolagem (ou será que agora tem?)

  2. Vanessa, como nossa querida professora disse, a matéria não está sendo oferecida por dinheiro. Esperamos de uma boa escritora pelo menos que pesquise a veracidade dos fatos que vai expor e não que simplesmente escreva o que vem na cabeça. Além disso, o que está fazendo é crime de expor a professora ironizando o comentário dela com a exposição do salario. Pense bem sempre sobre o que vai escrever publicamente.
    E, por fim, essa matéria está tendo muita adesão da Poli. É uma iniciativa maravilhosa que nós, ALUNOS DE ENGENHARIA DA ESCOLA POLITÉCNICA, estamos muito honrados em ter para nos ajudar a ESCREVER ARTIGOS CIENTÍFICOS que são o crescimento da pesquisa no Brasil. Seu dinheiro ta sendo bem gasto.
    Eu, como aluna do curso de Engenharia de Minas, peço pelo menos respeito pelo departamento alheio.

    • A matéria está sendo oferecida por amor, então? A professora não irá receber salário durante o período em que estiver ministrando a matéria?
      E não há crime algum em expor o salário da professora, a universidade é estatal e o salário está disponível no próprio site da USP.
      Ridícula é essa tentativa de mandar uns alunos puxa saco aqui tentar defender a disciplina. Veja nas redes sociais a reação daqueles que pagam para que disciplinas como essa existam e vai entender quem está sendo desrespeitado.

    • Júlia, eu que exijo o mínimo respeito não apenas com o meu dinheiro, mas, com o de todos os outros pagadores de impostos, salientando que muitos deles jamais irão pisar na USP. Não há nenhuma mentira no que foi escrito, a professora definitivamente não recebe “amor” como pagamento e os recursos financeiros que a disciplina exige não são oferecidos por duendes e unicórnios.

      Que coisa ridícula puxar saco de professor.

  3. Cara Vanessa, como uma das idealizadoras e responsáveis pela disciplina “Poesia para Engenheiros”, gostaria de deixar claro que esta é uma disciplina optativa e que NÃO EXISTE alocação de recursos extras, visto que não recebemos adicional algum para ministrá-la. Não a criamos por dinheiro, mas por exclusivo amor à nossa Língua Portuguesa, que vem sendo cada vez mais desprezada e vilipendiada pela falsa ideia de que a ignorância é um valor a ser buscado. O objetivo da disciplina, como você mesma escreveu em seu “artigo de opinião”, é ajudar os alunos a redigir bons trabalhos, bons artigos e – por que não? – bons poemas! Nós, professores, temos cada vez mais dificuldade na leitura de monografias, dissertações e teses, devido aos erros de Português cada vez mais frequentes. Todo universitário, futuro engenheiro ou futuro professor de Português, precisará um dia escrever seu trabalho de conclusão de curso. Por que não ensinar, os que assim desejarem, a escrever de forma correta? Mais uma vez, a disciplina é optativa e aberta a todos. Você também é bem-vinda!

  4. A universidade vê o aluno acima de tudo como um cidadão. Um engenheiro não pode ser formado apenas pela hard skills, há sim uma movimentação das grandes escolas de engenharia, por exemplo o MIT,em aprimorar as soft skills dos alunos. Cursos como apresentação em público, redação científica, debate, formação de líderes entre outras são extremamente úteis. Não vejo investir na formação dos alunos ainda mais da politécnica como desperdício de dinheiro parte da USP.

    • Mas a disciplina em questão não é debate, oratória, redação científica ou formação de líderes. Aliás, existem cursos e projetos de extensão nas universidades com foco nas coisas que você citou.

      • Concordo que o foco e a descrição deveriam ser melhorados.
        https://uspdigital.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=PMI3019&verdis=1
        Pelo que vi ambos são formados em Engenharia de Minas, aí vem a questão? Como será a aula? Não acho que será uma aula de português. Pode ser uma matéria nova que terá feedback dos alunos e se for inútil será tirada do currículo. Tive aula de filosofia na França como engenheiro, não que tenha me agregado muito, mas o intuito era leitura, discussão, exposição de idéias e redação. Com a carga horária também baixa como a dessa matéria. Tenho amigos meus que não conheciam monteiro lobato e eram engenheiros. Se a universidade está dando esse curso deve ter algum motivo, basta que ele seja esclarecido.

        • Se você concorda que o foco e a descrição devem ser melhorados, então você não tem motivo para reclamar da notícia, visto que o ponto aqui é que não faz sentido algum uma universidade pública e cheia de dívidas alocar recursos para uma disciplina que não tem absolutamente nada a ver com a formação de um engenheiro.

          • Cara Vanessa, como uma das criadoras e responsáveis pela disciplina “Poesia para Engenheiros”, gostaria de deixar claro que esta é uma disciplina optativa e que NÃO EXISTE alocação de recursos extras, visto que não recebemos adicional algum para ministrá-la. Não a criamos por dinheiro, mas por exclusivo amor à nossa Língua Portuguesa, que vem sendo cada vez mais desprezada e vilipendiada pela falsa ideia de que a ignorância é um valor a ser buscado. O objetivo da disciplina, como você mesma escreveu em seu “artigo de opinião”, é ajudar os alunos a redigir bons trabalhos, bons artigos e – por que não? – bons poemas! Nós, professores, temos cada vez mais dificuldade na leitura de monografias, dissertações e teses, devido aos erros de Português cada vez mais frequentes. Todo universitário, futuro engenheiro ou futuro professor de Português, precisará um dia escrever seu trabalho de conclusão de curso. Por que não ensinar, os que assim desejarem, a escrever de forma correta? Mais uma vez, a disciplina é optativa e aberta a todos. Você também é bem-vinda!

  5. O grande truque para conseguir uma vaga didputadissima na engenharia é justamente dominar as matérias de humanas, português, redação, etc. O nerd em uma área só, fica em desvantagem . Agora dizer que é isso (a base) que falta aos alunos é um escárnio!
    Vamos comemorar o resultado da política de destruição da educação brasileira, estamos quase em último lugar, falta pouco!
    Essa é só mais uma, Zimbábue nos espera!

  6. Vanessa, penso q seria melhor vc se informar melhor para não falar asneiras, ou escrever sobre “moda”; mas se informe, e bem.

    • Podemos perguntar aos pagadores de impostos se eles querem continuar financiando a USP ou ter mais dinheiro no bolso, o que acha? Quantos % você acha que apoiariam a USP?

      • Quantos % você acha que apoiariam o judiciário, o senado, as forças armadas, etc? Não é questão de ter mais dinheiro, é de ver que o sistema funciona. Pagar imposto todo mundo no mundo paga, esperando um retorno por parte do governo em investimentos na educação, defesa, saúde, etc. A USP tem uma noção de ajudar o cidadão e o hospital das clínicas possui diversos professores e ex-alunos da USP. A maioria apoiaria sim, só existe uma cobrança para ser mais eficaz tanto na qualidade das aulas quanto na redução de gastos. Agora a mídia sempre focou nos gastos da USP e porque não dos outros órgãos?

        • O que a mídia mais faz ultimamente é falar dos gastos de diversos órgãos.
          Vou lembrar da sua opinião quando chegar a hora de colocar em votação a privatização da USP.

  7. A crise financeira da USP não se compara à crise cultural brasileira onde uma opinião tão superficial e ignóbil como a sua ganha espaço em mídias. A fuga do currículo puramente técnico dentro de uma instituição tradicional como a Escola Politécnica da USP é aplaudível por buscar formar um profissional mais completo e versado em múltiplas faces das ciências humanas – algo que todo curso superior deveria almejar.

    Como citado em outro comentário, duvido que o dinheiro do contribuinte esteja sendo gasto um centavo a mais para o oferecimento dessa matéria optativa, e seu texto talvez tivesse o mínimo de fundamento se vocês se propusesse a descobrir isso e aproximar do Jornalismo esse articulismo débil, porém, ainda que o custo da hora/aula fosse o dobro de uma hora de laboratório, o gasto seria justificado.

    O currículo técnico invejável dos professores que idealizaram e irão administrar a disciplina aliado ao gabarito de experiências pessoais dos mesmos impede-os de ministrar tal matéria com nível abaixo do excelente. Recomendaria-lhe assistir a mesma como ouvinte para talvez aprender a escrever algo melhor, porém sendo uma matéria para engenheiros lhe falta o tutano politécnico que é pré-requisito forte pra cursar a disciplina.

  8. Certinho… Não poderia ser uma atividade de extensão ou um minicurso… Tem que ser uma disciplina inteira… utilizando recursos caros como um professor doutor. Certinho.

  9. Em geral, politrecos possuem poucas habilidades sociais, embora tenham elevadas habilidades matemáticas e de raciocínio lógico. Estimular apenas o último lado, em detrimento do primeiro, que já é fraco, não raro resulta em transtornos psicossociais. Uma disciplina como essa pode ser aquela pequena boia jogada a você no oceano, enquanto se afoga.

    Não acho que seja ruim aula de poesia para engenheiros. Não estamos falando de todo um currículo voltado para poesias na Poli, tratando-se apenas de uma disciplina opcional (na USP, em geral, o professor de que dá essas aulas “estranhas” (sim, existem outras) pega carga horária extra, além do que seus pares farão, sem receber um centavo a mais por elas… ou seja, essencialmente, é um trabalho voluntário do professor ministrante). Interdisciplinaridade é a chave do sucesso do mundo moderno, pois pensar nas coisas cartesianamente, com engenheiros sendo apenas number-crushers, é algo um tanto quanto não-liberal, a meu ver.

    Já se discute há eras, dentro e fora da USP, que a Fuvest não é uma boa forma de seleção. Entre tantas falhas, é possível decorar resumos de obras literárias (existe um grande mercado, aliás, entre fazedores de resumos, e já ouvi casos de pessoas que passaram pela fuvest sem nunca terem lido um dos livros da lista, tão e simplesmente se concentrando nos resumos feitos por outrém) e responder as questões perfeitamente. O modelo de seleção das universidades americanas, a meu ver, é mais adequado que o nosso. Grosso modo, a Fuvest é uma ótima forma de avaliar pessoas que fazem a Fuvest, e não uma forma de avaliar pessoas pelas suas competências, habilidades e aderências ao currículo do curso que pretendem cursar.

  10. Vanessa Rodrigues, você não poderia ter sido mais inconveniente e desrespeitosa neste artigo. Caso você cursasse engenharia na Poli, saberia o quão extressante e desgastante é passar 7 dias por semana vendo e revendo teorias atrás de teorias, de matérias e tópicos científicos massantes e complexos. Além disso, esta matéria foi criada para que nós alunos pudéssemos ter mais contato com a língua, de uma forma menos exaustiva, ao longo do curso, algo que não ocorre e torna o ato de redigir artigos e relatórios técnicos algo complicado. Dizer que o trabalho de um ano inteiro, de uma ótima professora do Departamento de Minas e Petróleo, para montar esta disciplina é jogar dinheiro fora, é uma falta de respeito.

    • Desrespeito é o povo ser obrigado a pagar aula para playboy desestressar. Eu pago por essa merda e ainda tenho que ficar calado e nem posso criticar esse absurdo! É mole?

    • Como engenheiro te digo que isso é inútil, vão aprender a empreender, é isso que precisamos. USPiano que não sabe escrever? Que decadencia mesmo

    • Pelo visto não está dando o resultado esperado, não é mesmo? Você sequer sabe a diferença entre uma notícia e um artigo de opinião.

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