Por que a militância socialista odeia o Natal

Nesta época é comum surgir manifestações da esquerda depreciando a celebração do Natal. O argumento mais comum diz que o Natal se tornou uma celebração capitalista.

Devemos nos lembrar que o socialismo é um projeto de criação de uma nova sociedade no qual o estado promove a justiça social controlando os meios de produção, o que necessariamente depende do controle de todas as relações privadas.

Primeiro tentaram implantar isso de forma direta: derrubando governos, confiscando propriedades privadas, acabando com a liberdade individual e proibindo a religião (segundo Karl Marx, “a religião é o ópio do povo”). Não deu certo. Mesmo com o uso sistemático da violência não conseguiram fazer o homem deixar de querer ser dono de sua própria vida e acreditar em Deus.

Na incapacidade de fazer uma autocrítica verdadeira, os socialistas concluíram que o erro não estava no objetivo, mas no método. Do intelectual ao maconheiro eleitor do PSOL, toda a esquerda continua acreditando que é possível mudar a natureza humana.

Substituíram, então, as revoluções por processos de infiltração. Em vez de guerrilheiros tomando palácios dos governos, passaram a ocupar espaços na cultura, na imprensa e nas instituições públicas para fazer com que as ideias socialistas fossem difundidas sem que a grande maioria das pessoas percebesse, criando um verdadeiro exército de socialistas inconscientes. Conseguiram. Hoje vemos cristãos votando em anticristãos e capitalistas financiando anticapitalistas. O fato é que o socialismo nunca esteve tão vivo, forte e bem estruturado – esta é razão de Lula ainda estar solto.

Faça você mesmo o teste: pergunte para as pessoas na rua se elas acham que o governo deve, em certos casos, confiscar propriedades privadas para atender aos interesses coletivos. A maioria responderá que sim.

Tente enumerar a quantidade de partidos, organizações, movimentos e militantes de esquerda que sustentamos com os impostos que pagamos. Repare que as ideias da esquerda são defendidas direta e indiretamente nas novelas e reportagens da Globo. Repare que até os parlamentares vistos como “direita” defendem pautas da esquerda como regulação de mercado, serviços públicos “gratuitos” e distribuição de “direitos” para grupos disso e daquilo. Gramsci venceu, mas não completamente.

Para criar a “nova sociedade”, a esquerda precisa destruir a atual que se sustenta em cinco princípios: estrutura familiar, propriedade privada, liberdade econômica, responsabilidade individual e caridade voluntária.

Foram esses cinco princípios que fizeram a humanidade sair da extrema pobreza generalizada para o atual nível de prosperidade em que menos de 10% da população se encontra na miséria e uma pessoa considerada pobre desfruta de um padrão de vida muito melhor do que reis e rainhas desfrutavam há menos de dois séculos.

Entre em um ônibus lotado de trabalhadores e veja que todos ali têm telefones celulares. Vá a qualquer favela durante um final de semana e verá dezenas de famílias fazendo churrasco. Ou seja: os “malditos” capitalistas – frutos do mundo cristão − levam comida e tecnologia aos mais pobres com preços acessíveis. Os serviços que não chegam a eles são justamente aqueles prometidos pelo estado: saneamento, segurança, educação e saúde.

Para os socialistas, porém, isto não importa. Eles continuam acreditando que o estado é que deve promover o desenvolvimento de uma sociedade controlando o mercado e escolhendo o que é bom para cada indivíduo desse planeta.

Todas as experiências socialistas foram desastrosas, mas seus militantes continuam acreditando que a próxima será um sucesso. Como disse Lenin: “os comunistas não acreditam em Deus. Nós rejeitamos qualquer moral baseada em conceitos não-humanos e não-classistas. (…) Nossa moral é inteiramente subordinada aos interesses da luta de classes proletária”. Logo, tratam de combater toda moral que não se baseia na luta de classes, especialmente a cristã.

A desqualificação do Natal faz parte deste esforço. Porém, devemos interpretar como um grande elogio a acusação de que a data se tornou uma celebração capitalista. Pelo menos nisso os socialistas estão certos.

No Natal, indivíduos livres − pobres e ricos, pretos e brancos, gays e heteros − lotam shoppings a procura de presentes para as pessoas que gostam. Compram com o dinheiro que ganharam trabalhando. Baseando-se em critérios particulares, cada pessoa decide quem irá presentear e como. Pais reúnem seus filhos em torno de uma mesma mesa para compartilhar uma ceia. Muitas pessoas aproveitam a data para ajudar pessoas carentes.

“Quanta liberdade! Que horror!”, ecoa no coração do militante socialista.

Para o desgosto da esquerda, o governo não controla nada disso. Não há uma única lei dizendo como as pessoas devem se comportar no Natal.

A celebração do Natal simboliza muito mais do que os dogmas cristãos.

As confraternizações sociais e familiares motivadas pelo Natal expõem uma sociedade em que as pessoas prezam a liberdade de fazer suas próprias escolhas, o que contraria toda a lógica socialista.

Socialistas tentam desqualificar o cristianismo porque sabem que, se conseguirem, criarão na mente das pessoas o vácuo filosófico ideal para ser preenchido pelo socialismo, aquele que depende essencialmente da fé das pessoas de que um dia dará certo. Ou seja: a religião socialista tenta ocupar na mente das pessoas o espaço que o cristianismo ocupa.

A União Soviética deu um exemplo disso: depois de perceber que as pessoas continuavam fazendo árvores de Natal − mesmo isto sendo proibido − a ditadura comunista decidiu converter o símbolo cristão em um símbolo… comunista.

A máquina de propaganda soviética passou a promover arvores de natal lindamente ornadas com símbolos comunistas como tentativa de apresentar Lenin como Deus e o estado como igreja.

Portanto, quando alguém lhe disser que o Natal simboliza o capitalismo, concorde. O Natal simboliza, também, a liberdade.

Desejo Feliz Natal a todos e registro que, apesar de ser ateu, quero continuar vivendo numa sociedade moldada por valores cristãos.

Lenin representado como o “bom velhinho” na União Soviética

18 COMENTÁRIOS

  1. Texto perfeito que reflete os dias de hoje. Sou ateu desde sempre mas valorizo acima de tudo a família, o respeito, a liberdade, a lealdade. Valores que são conhecidos como valores cristãos mas que na verdade deveriam ser conhecidos como valores humanos. Independente do credo, cor, sexo e nacionalidade todos deveriam buscar isso.

  2. Por que no Brasil se criou essa ideia de que maconha é droga de esquerdista e álcool é droga de direitista? As duas são usadas por pessoas de direita ou de esquerda, não tem porquê separar tudo em dois extremos. Vamos deixar de infantilidade.

  3. Também sou ateu e celebrei um lindo Natal com minha família. Minha árvore de natal é ornada com anjos! Viva a liberdade, antes de tudo.

  4. “Para o desgosto da esquerda, o governo não controla nada disso. Não há uma única lei dizendo como as pessoas devem se comportar no Natal.”

    Por enquanto.

  5. Os Marxistas que conheço são bem de vida e funcionário públicos (que coincidência não?) .
    Essa cena de Lenin se fazendo de “Papai Noel” mostra exatamente quem eles são.
    Eles avacalham com a realidade e depois tomam de assalto a verdade dizendo que são eles que inventaram.
    Estou vendo isso ultimamente com a Internet onde muitos defendem que não foi uma ideia capitalista e inventada pelos americanos.
    Por que diabos Lenin iria dar presentes? Segundo o comunismo todos são iguais, ou seja o melhor presente para povo segundo eles é fazer parte dessa linda máquina escravagista chamada Estado.

  6. Parabéns pelo texto João César ! Uma vez um professor de História Geral que eu tive disse que guerras com o objetivo de anexar territórios estavam fora de moda… Davam muito trabalho, sangue, mortes, propaganda negativa, rastros de tristeza e pobreza, etc. Continuando ele emendou “melhor seria dominar economicamente e politicamente o antagonista”. Muito mais simples, sem muito sofrimento impactante e sem deslocamento de armas, etc. O território e o povo ao dispor do neo colonizador. Agora, no seu texto, fica claro que existe um movimento que se caracteriza em “comer quieto ou comer pela beirada” dos adeptos do Socialismo. Como não vai dar pela via revolucionária, partiram para minar todos os flancos, deficiências e dúvidas da sociedade e, por fim, impor sua doutrina. Parece que este método de domínio foi preconizado por Antonio Gramsci e intitulado de Socialismo Fabiano. Modificar toda a estrutura do Capitalismo para, aí sim, instalar o Socialismo. O que não tem resposta, é que quase todos os esquerdistas/socialistas/comunistas, utilizam ícones capitalistas no seu dia a dia para, por exemplo, colocar suas novas ideias para os camaradas e arquitetar novos planos… Utilizam o iPhone, por exemplo… Não seria de se esperar uma retaliação ou represália por parte dos Fabianos à utilização deste bem, cujo invento só foi possível através da liberdade de expressão de seus precursores acostumados com um Capitalismo com muita vitalidade ? Vai entender, não é? Veja que eu só falei do iPhone… Abs.

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