Quer deixar um petista puto, corrija o português dele

Quer deixar um petista puto, corrija o português dele.

Ele se sente no direito de dar aulas de história, de subverter as noções mais elementares de matemática, de ideologizar a biologia – mas não ouse tocar no português dele.

A gramática, na sua opinião, é uma forma de opressão, e qualquer reparo que se faça a uma sintaxe enviesada, a uma construção dúbia, é preconceito linguístico.

Para o petista, o Ministério Público está errado, a Polícia Federal está errada, a 1ª instância está errada, a 2ª instância está errada, o STJ está errado e, dependendo do resultado, nem o STF estará certo – mas vá você dizer que a concordância verbal dele está capenga para ver o que acontece.

A língua culta tem, para ele, um gravíssimo defeito: é culta.

Cultivá-la dá trabalho, exige estudo, obediência a regras, apreço à lógica. Demanda investimento em educação, requer leitura. E quem muito lê muito ouve e muito vê.

A língua culta é um perigo, um instrumento de dominação da “zelite”. Ela permite formular argumentos com clareza, leveza, elegância. Ela dispõe de um vasto vocabulário, e cada palavra tem um significado próprio, carrega uma sutileza.

Ali, estupro é estupro, assédio é assédio.
Meritocracia é um princípio de justiça (a promoção se dá por competência, por merecimento, não pelo compadrio ou pela cooptação).
Fascismo é fascismo, democracia é democracia.
Golpe é golpe, fraude é fraude.
Filosofia é filosofia, assalto é assalto.

Há, inclusive, dicionários, que são cofres onde se guardam as palavras para que não sejam molestadas, ou, caso se percam por algum descuido, possam ser reencontradas.

O petista impõe que você concorde com ele, mas dispensa as concordâncias verbais e nominais. Quer um estado que reja sua vida, mas ignora o que seja uma regência. Tem por dogma o politicamente correto, mas considera o gramaticalmente correto uma forma de intolerância.

Petistas são impermeáveis a fatos e argumentos. Mas, para sustentar suas premissas, dependem da linguagem. A lógica é seu calcanhar de Aquiles – e a gramática, sua kriptonita.

Deixe um petista puto. Corrija o português dele.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Acredito que um dos maiores estragos feitos por FHC e Lula, tenha sido o acordo ortográfico da língua portuguesa. A duras penas, aprendi o mínimo necessário de gramática, e aos 40 anos de idade, tendo passado por um longo processo de imprinting da fala e da escrita, me mutilam o que para mim era uma ferramenta de comunicação.
    O maldito acordo ortográfico atenta contra normas anteriores da linguagem em Portugal (país de origem do idioma) e do Brasil (país de maior população lusófona). Será que se aproximou assim da linguagem dos demais países? Duvido. E os demais países são apenas enclaves de população mínima, ou multi-étnicos, onde a língua portuguesa certamente não se sustentará a longo prazo.
    São países com os quais nossas relações são muito artificiais, se restringindo a convênios para receber estudantes, ou lá financiar obras superfaturadas das nossas empreiteiras corruptas.

  2. Excelente exposição da lógica petista!
    “Lula não pode ser presidente, mais nois segui ele toda vida” kkk
    Parabéns pela dinâmica textual!

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