Seis passos rápidos para ser um cineasta brasileiro de sucesso

Se você quer virar um cineasta de sucesso e ter uma carreira bem-sucedida no Brasil, especialmente no chamado “circuito de festivais”, é fundamental que você consiga realizar um filme sintonizado com a agenda da esquerda. Afinal, é o “jet set” esquerdista quem manda não só na indústria, mas especialmente na comunidade formada por críticos, intelectuais e burocratas do cinema: é este pessoal quem define quem ganha prêmios e verbas para fazer novos filmes.

Esqueça a ideia de que é preciso “estudar muito”, conhecer a técnica cinematográfica e a história dos filmes. Há um caminho muito mais rápido para queimar etapas e sair do estágio de total diletantismo ao de celebridade empoderada da sétima arte. A “fórmula” de sucesso do filme esquerdista foi forjada década após década e hoje pode ser resumida em seis passos muito simples de compreender, conforme descrevo a seguir.

1- Não use o seu dinheiro para produzir o filme, use o dinheiro dos pagadores de impostos

Pode parecer heróico usar a própria grana para produzir seu filme, mas você não está num romance de Ayn Rand. O povo de cinema simplesmente não se importa com isso. Além de poder usar seu próprio dinheiro para fazer outras coisas menos arriscadas, usar dinheiro dos pagadores de impostos para produzir seu filme traz uma vantagem adicional: festivais preferem filmes feitos com dinheiro público. O motivo é simples: é o governo que, de uma forma ou de outra, patrocina festivais e faz a roda do cinema “de arte” girar. Os burocratas do cinema esperam que o uso do dinheiro dos pagadores de impostos pelos cineastas seja “justificada” com o “sucesso” desses filmes nos festivais. Nada como um prêmio em festival para disfarçar o investimento em um tremendo abacaxi que ninguém quer ver. Fazer um filme com dinheiro público significa que você pode contar com o lobby da burocracia para defender que seu filme tenha uma “carreira” no circuito de festivais. Todo mundo estaria se lixando se o seu filme tivesse usado recursos puramente privados para ser financiado.

2 – Tenha uma roteiro “sociológico”

Não saia por aí “tendo ideias” para filmes ainda que elas pareçam Shakespeare. É imprescindível que o enredo de seu filme tenha um pano de fundo que possa ser observado do ponto de vista sociológico com um ou mais personagens de grupo(s) humano(s) de fácil identificação. Pode ser um povo, uma etnia, uma identidade marginalizada, uma tribo urbana alternativa. Não importa: não são “personagens”, são tipos compreensíveis pela abordagem acadêmica e pela militância organizada o que realmente importa. Se você levar isto a sério, um monte de desconhecidos defenderá seu filme nas redes sociais. Você vai precisar disto mais cedo ou mais tarde.

3 – Choque a “burguesia” com um elemento de impacto

Lembre-se de que o bom filme esquerdista é, na verdade, uma ferramenta da revolução proletária, ou seja, um tapa na cara da “burguesia”. É preciso assustar a audiência tocando-lhe algum ponto fraco. O jeito mais fácil de fazer isto é ferindo sua sensibilidade com uma cena de violência gráfica: morte de um animal, assassinato sangrento, canibalismo, etc. Outra maneira é mostrar nudez e/ou sexo: se for explícito, melhor ainda. Se for possível juntar as duas coisas (violência com sexo), sua pontuação vai lá pro alto. Caso contrário, se você também for muito sensível, é possível simplesmente introduzir o “elemento de impacto” dentro da trama, sem mostrar nada. Por exemplo: sugerir um caso de amor entre pai e filha. O importante é causar.

4 – Aposte em personagem(ns) “maluco-beleza”

Lógica dramatúrgica é uma convenção burguesa. Seu filme precisa é de situações que possibilitem aos personagens reagirem de forma errática, incompreensível ou francamente idiota. Seu roteiro precisa de pelo menos um personagem doido ou de uma cena absolutamente sem sentido. Muitos cinéfilos acabam se identificando e isto sempre ajuda nas votações populares dos festivais. Essa natureza “errática” da trama pode contaminar a própria estrutura da história (subvertendo a linearidade, por exemplo), o que também não será má ideia.

5 – Estabeleça seu filme como um produto da “contracultura”

Um filme de esquerda não é simplesmente um filme, ele é antes de tudo uma tomada de posição, um comprometimento político. Pense em todos os inimigos possíveis para a esquerda, em suas inúmeras variações, disfarces e roupagens. Lembre o que é a “cultura” ocidental judaico-cristã. Dê a ela uma valoração negativa em seu filme. Agora, pegue tudo que confronta tal cultura e dê uma valoração positiva. Seu filme tornou-se “contracultural”, o que significa que ele estará se contrapondo a instituições burguesas como família, casamento tradicional, igreja, divisão do trabalho, propriedade, etc. Você pode estar com uma tremenda preguiça e simplesmente colocar um personagem gritando “a propriedade é um roubo!” para a câmera – isto servirá. Ou ser mais “artístico” e sutil, relacionando os valores burgueses a toda sorte de perversão e patologia (o trabalho cansa, o lucro corrompe, a fé cristã é falsa, a propriedade não deve ser respeitada, etc.). Lacre em dobro.

6 – Prepare seu filme para a leitura marxista esquemática

Ninguém está esperando que você se torne o novo Stanley Kubrick – você só quer se dar bem fazendo um filme esquerdista. Então, produza um filme esquemático e maniqueísta para facilitar a leitura marxista padronizada que predomina entre os críticos e jurados de festivais. Não exija demais desse pessoal: mastigue bem a coisa toda na tela. Menos é menos mesmo. Melhor sobrar ideologia do que faltar. Isto significa que seu enredo tem obrigatoriamente que vestir seus personagens com as máscaras habituais do conto de fadas marxista: “opressores” de um lado, “oprimidos” de outro. As possibilidades dentro de tal contraposição são muitas: patrão contra empregado, homem contra mulher, polícia contra bandido, cristão contra muçulmano, machão contra feminista, hétero contra gay, empresário contra sindicalista, branco contra qualquer outra etnia, etc. Dedique ao primeiro grupo acidez e criticismo em escala industrial; ao segundo, observe com olhar de uma criança, sem nuances ou problematizações. Funciona sempre.

Se você está achando tudo isso uma mera caricatura, faça o teste: pegue um filme de sucesso do circuito de festivais. Confira se ele se encaixa de alguma maneira nesta fórmula. Você irá se surpreender com a quantidade de vezes em que ela se aplica precisamente. E não pense que isso só vale para produções de segunda categoria. Aplique o teste aos clássicos. Não poupe alguns dos grandes filmes do cinema europeu dos anos 1950 até hoje. O que costuma variar é o talento envolvido, a intensidade da experiência, a elaboração visual, a sobreposição de camadas de leitura e percepção. Mas a fórmula está lá: basta olhar atentamente. E fazer seu próprio filme esquerdista, se for o caso…

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11 COMENTÁRIOS

  1. Por isso que o cinema brasileiro é um lixo. Deveriam aprender com o cinema argentino.
    Parabéns pela matéria.

  2. Só acrescentaria ser filiado a um partido Político daí fica bem mais fácil.
    Apesar de o Brasil ter inúmeros cantores, atores, diretores, músicos e artistas com talento extrafenomenal, se eles não tiverem pelo idéias ligadas com a ideologia marxista, pode esquecer de aparecer na mídia um dia.

  3. Ultimamente não consigo mais assistir filme brasileiro. Só começar a aparecer Caixa, Petrobrás, Ancine, etc já vou ficando brabo. Não pode faltar aquele monte de ator global também, os mais engajadinhos, pogreças. É tudo muito ridículo.

  4. Perfeito! E se conseguir combinar quase todas dessas dicas, somando algum ator conhecido (apenas um já é suficiente), como naquela porcaria de Aquarius, vira “mega-ultra-hiper-sucesso” merecedor de reportagem em revistas semanais e entrevista nos programas matinais da Globo.

  5. Nunca ouvi falar de nenhum destes filmes… Devem ser umas porcarias com propaganda ideológica e financiadas com dinheiro de imposto…

  6. Perfeito. Fantástico!!! Parabéns Danie Moreno, nunca tinha lido algo a respeito tão realista a está hipocrisia que reina no meio deles. Ouso a acrescentar na música popular também, tipo aquela que todo mundo finge que gosta, mas na verdade é um lixo. Fico feliz por ler uma matéria bem redigida como está. Show de bola.

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