Como a lista de bilionários brasileiros mostra que não somos um país capitalista

Se juntássemos o patrimônio de todos os brasileiros (31) que têm mais de 1 bilhão de dólares (de acordo com a Forbes) teríamos 140,8 bilhões de dólares. Um valor menor do que o BNDES torrou por aí nos anos Lula-Dilma (boa parte justamente com as empresas dos bilionários na lista), menor do que a dívida de uma única empresa de controle estatal chamada Petrobrás e infinitamente menor do que a arrecadação (roubo) estatal de 600 bilhões de dólares *por ano* do governo brasileiro.

E sabe por que NENHUM deles defende livre mercado, ao contrário dos liberais? Vejamos.

Os três herdeiros das Organizações Globo – uma concessão estatal, como todas as televisões e rádios do país – por exemplo, têm $12,9 bi no total.

Banqueiros vivendo às custas do cartel criado pelo Banco Central? Um monte. Safra ($17,2 bi), os quatro irmãos Moreira Salles (herdeiros do Unibanco, agora Itaú: $11,2 bi no total), Aloysio de Andrade ($1,9 bi, ex-Banco Real), Andre Esteves ($1,6 bi), Julio Bozano ($1,6 bi, ex-Bozano, Simonsen) e Alfredo Villela Filho (maior acionista do Itau SA, $1 bi).

Regina de Camargo, Renata de Camargo e Rossana Camargo ($5,7 bi no total) denunciam a origem da fortuna pelo sobrenome: são herdeiras da Camargo Corrêa, uma das principais envolvidas na malha de corrupção investigada pela Lava Jato. E não são as únicas: fora Andre Esteves, que chegou a ser preso, Carlos Sanchez (EMS, $1,7 bi) teve sua empresa investigada por relações com José Dirceu e Walter Faria ($2,6 bi) tem sua empresa, a Petrópolis (que fabrica a cerveja Itaipava e que contratou “palestras” do Lula) cada vez mais enrolada na Lava Jato.

Maria Helena Moraes Scripilliti e Ermirio Pereira de Moraes ($2,2 bi no total), do Grupo Votorantim, receberam por baixo 2 bilhões de reais do BNDES em empréstimos – um deles com juros de 3% AO ANO. Jorge Paulo Lemann ($27,8 bi), o homem mais rico do país, recebeu R$ 1,2 bilhão do BNDES para as operações das Lojas Americanas SA, onde divide o controle com seus outros sócios da Ambev (que recebeu $4,2 bi do BNDES), Carlos Sicupira ($11,3 bi) e Marcel Telles ($13 bi).

Abílio Diniz ($3,4 bi) recebeu um empréstimo do BNDES na BRF, onde possui participação, de R$ 812 milhões em 2012 a uma taxa de 2,5% AO ANO. Alexandre Grendene ($1,6 bi) recebeu pelo menos 4 bilhões de reais a 4% AO ANO do BNDES para seu Grupo Grendene (e, como “agradecimento”, teria comprado uma casa para Lula no Uruguai).

As Organizações Globo também receberam recursos do BNDES em 2002 para levantar a unidade de televisão a cabo. A Rede D’Or São Luiz de Jorge Moll ($3 bi), a Sucocítrico Cutrale de José Luís Cutrale ($2,5 bi), a EMS de Carlos Sanchez ($1,7 bi) e o Grupo Boticário de Miguel Krigsner ($1,6 bi) também receberam recursos do BNDES a juros camaradas pagos por milhões de brasileiros.

Para fechar a lista de bilionários brasileiros, temos Edson de Godoy Bueno ($1,9, dono da Amil, um dos setores mais regulados pelo governo) e Lirio Parisotto ($1,1 bi), segundo suplente do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), e dono de uma petroquímica (setor dominado pelo governo em parceria com a Braskem-Odebrecht).

Nada mais, nada menos que 29 dos 31 bilionários brasileiros são bilionários no mínimo com um “grande apoio” do estado brasileiro.

E quem são os dois restantes? Dias Branco ($2,1 bi), falecido no ano passado (a lista da Forbes é de março de 2016), filho de um empresário português que começou com uma padaria em Fortaleza – CE e montou um império no setor de massas e biscoitos; e Eduardo Saverin ($6,2 bi), co-fundador do Facebook, que foi criado em Miami-EUA e fez fortuna por lá, posteriormente mudando para Singapura (2° país com maior liberdade econômica do mundo) e que passa bem longe do Brasil.

Será mesmo que o Brasil é “capitalista” e que são os liberais, aqueles que lutam contra todas as intervenções estatais na economia, que “defendem os mais ricos”?

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9 COMENTÁRIOS

  1. Flávio Augusto não foi citado, porque a riqueza dele está avaliada em 830 milhões de dólares apenas. E ele é um dos donos do Orlando City, com 27℅ das ações do clube.

  2. – Na minha opinião, acredito que o artigo apresenta alguns exageros e equívocos.

    – Criticar o empresariado por utilizar uma ferramenta de obtenção da capital barato (BNDES) não me parece razoável. O BNDES e os fundos (FGTS, Pis/Pasep …) foram criados exatamente para suprir uma crônica falta de poupança nacional. O uso meramente político, sem racionalidade econômica, é, na verdade, o grande problema a ser enfrentado.

    – Algumas organizações empresariais citadas são muito anteriores à própria criação do BNDES e cresceram sem a dependência desses recursos.

    – Por analogia, não se pode criticar o martelo se alguém fez uso indevido dele para quebrar uma vidraça. Muito apoio político, nacional e internacional, foi comprado pelo BNDES durante o período de governo do PT. Quando a operação Lava Jato chegar ao BNDES conheceremos o volume de corrupção que assolou o Banco.

    – A outra opção para expansão dos negócios são recursos externos, que se sujeitam ao risco cambial, e o mercado de capitais, pouco desenvolvido no Brasil, com baixo nível de investimentos feitos por pessoas físicas.

    – Como bons capitalistas que são, todos eles estão tomando dinheiro barato do BNDES para expandir os negócios. O problema é o custo invisível e não contabilizado da corrupção.

    • BNDES sequer deveria existir. Capitalismo não é viver às custas de dinheiro subsidiado do governo pago às custas de milhões de pessoas.

      • – Concordo contigo que capitalismo não é viver às custas de dinheiro subsidiado do governo pago às custas de milhões de pessoas.

        – Todavia, investir é bastante diferente de de viver às custas dos subsídios. Compra de máquinas e equipamentos, montagem de instalações industriais, criação de estruturas físicas industriais e comerciais, geram empregos, retorno em impostos e um ciclo virtuoso na cadeia de fornecedores.

        – Não obstante os efeitos nefastos de uma possível e eventual má gestão dos subsídios (subsidiar investimentos sem mercado para absorver a produção – desperdício de recursos escassos), não vejo a boa gestão deles gerando desenvolvimento como algo contrário ao interesse de milhões de pessoas.

        • A única boa gestão deles é continuar no bolso dos pagadores de impostos e não ser tomado a força pelo estado para financiar empresários corporativistas.

  3. Agora mostra isso para o pessoal da OXFAM: se eles estão tão preocupados mesmo com a desigualdade (o que é muito diferente de estar preocupado com a pobreza, com a falta de acesso dos cidadãos a bens de consumo básicos), deveriam clamar por mais livre mercado, e lutar pelo fim do crony capitalism – o qual é decorrente, justamente, do big government. Onde há liberdade econômica, há IDH muito mais elevado, e até esse tipo de coisa pode acontecer:
    https://bordinburke.wordpress.com/2017/01/18/o-super-bowl-deu-uma-aula-pratica-de-como-formam-se-os-precos-em-um-livre-mercado/

  4. Tem o Flávio Augusto, fundador e dono da Wise-up, fundador do Geração de Valor e dono do Orlando City (time de futebol), que é extremamente favorável ao livre mercado! Dêem uma pesquisada sobre ele! Aliás, não sei por que ele não está na lista da Forbes… Abraços!

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