Como o estado levou o cinema brasileiro ao fracasso e matou a iniciativa privada no setor

Que tal uma legislação de reserva de mercado para o Cinema Nacional? Diante de tantos filmes estrangeiros – especialmente norte-americanos – que chegam ao mercado interno todos os anos, deve ser uma “boa ideia” obrigar que uma parcela da programação das salas de cinema ofereça o “similar nacional”.

Você deve estar pensando: “Bem, isto já existe, desde o tempo da Embrafilme, no regime militar”. Sim, isto já existe: você só errou a data. A ideia de “proteger” o conteúdo nacional da concorrência estrangeira vem desde Getúlio Vargas, em 1932, com o artigo 13 do decreto Nº 21.240.

Bem, e que tal injetar dinheiro público nos filmes? Quanto tempo tem essa ideia? Ela também é muito antiga: em 1953, por exemplo, a célebre companhia produtora Vera Cruz estava atolada em dívidas, mas ainda assim a imprensa defendia que o Governo de SP (através do Banespa, na época um banco estatal paulista) “salvasse” a empresa com mais empréstimos em condições vantajosas – o que se revelaria, no final das contas, um desperdício.

Muita gente esforça-se para tentar compreender por que a indústria cinematográfica brasileira vive essa eterna novela na qual os capítulos parecem repetir sempre o mesmo drama. Mas o problema é efetivamente mais simples de ser entendido se assumirmos que, entra governo e sai governo, as tais “políticas públicas” para o setor continuam usando o mesmo remédio esperando, eventualmente, atingir resultados diferentes.

Desde meados do século passado, dois fantasmas assombram o audiovisual nacional: a reserva de mercado e o subsídio (em seus infinitos disfarces e variações). Tais fantasmas, a despeito de sua natureza, são usados como verdadeiros pilares para a indústria do setor. Vejamos, assumindo como ponto de partida a criação da Embrafilme (em 1969), embora como se disse o problema (e a falsa solução) seja anterior a isso.

Durante toda a existência da estatal criada pelos militares para produzir e distribuir filmes nacionais, a reserva de mercado acentuou-se e centenas de produções foram levantadas com dinheiro público. Depois de uma década desse modelo, o que se conseguiu foram basicamente duas coisas: uma diminuição expressiva do número de salas de cinema abertas e um cinema dividido – de um lado, os filmes dependentes da Embrafilme, que representavam menos de um terço da bilheteria da parcela destinada ao produto nacional; de outro, os filmes livres de dinheiro público, a indústria paulista da pornochanchada e do cinema de gênero da chamada “Boca do Lixo”. Ou seja: a despeito da imensa injeção de verba estatal no cinema, a parte da indústria que realmente prosperava era aquela esquecida pelos burocratas (os dois terços de venturosos capitalistas). Mas qual seria a explicação para esse fenômeno, uma vez que mesmo entre os títulos financiados pela Embrafilme havia grandes sucessos de bilheteria, como o célebre “Dona Flor e seus dois maridos”? Espere, voltaremos ao tema mais adiante.

Quando o modelo da estatal exauriu-se, havia um consenso de que algo precisava mudar. Não é verdade que o corajoso Ipojuca Pontes, o homem incumbido por Fernando Collor para privatizar o Cinema Nacional, agiu à revelia da comunidade: o que os cineastas não queriam era ficar órfãos, mas a Embrafilme era uma herança indigesta inclusive para eles, após anos de crescente desprestígio perante a opinião pública.

Depois do desastre generalizado da administração Collor, inicia-se um novo ciclo: em vez de aprender com a experiência de negócios dos cineastas (especialmente paulistas) que viviam de produzir e vender filmes sem dinheiro público (o pessoal da Boca do Lixo), mais uma vez os políticos cedem à pressão dos cineastas mais engajados e inventam o modelo do “incentivo fiscal” para as artes em geral (em 1991), mas cujos maiores beneficiados serão, mais uma vez e durante cerca de uma década, os produtores de filmes. Ele, evidentemente, não vem sozinho: com ele está a inevitável “cota de tela”, a velha obrigatoriedade imposta por lei de exibir filmes nacionais mesmo que ninguém se interesse por eles.

Então, temos, de novo, um modelo todo construído sobre reserva de mercado e subsídio (no caso, disfarçado de renúncia fiscal cujos maiores montantes vêm – ou costumavam vir – de estatais e concessionárias de serviços públicos com recolhimento de IR). O resultado: o modelo dura somente até os próprios cineastas atolarem-se novamente em denúncias de desperdício, exaustão perante a opinião pública e uma constante de verbas insuficiente para atender a demanda crescente de mais e mais cineastas atraídos pela aparente moleza de produzir filmes sem arriscar o próprio bolso na operação.

Mais uma vez, o roteiro se repete: um modelo esgotado (no caso, o das leis de incentivo, que por sua vez substituíra outro modelo esgotado, o da Embrafilme) cede lugar a uma reformulação que, na verdade, altera a forma, mas não o conteúdo da política: vem a criação de uma agência reguladora (em 2001) para o setor que nada fará além de, basicamente, cuidar da reserva de mercado crescente e da transferência de recursos das mais variadas fontes e mecanismos para a produção e a distribuição dos filmes.

De novo, reserva de mercado e subsídio. Alguém imagina que tal modelo pudesse se sustentar?

Como que por alguma “mágica” envolvida em princípios da lógica mais elementar, o velho remédio no mesmo doente nas mesmas condições provoca o mesmo resultado: em um prazo até menor do que o esperado, o modelo dá sinais de saturação. Um mercado audiovisual transformado radicalmente pelo advento da difusão de conteúdo em outras janelas (notadamente, a TV por assinatura) faz com que um número cada vez maior de produtores de cinema com seus filmes debaixo do braço (afinal, há muito dinheiro público para muitas produções, mas a demanda de mercado não cresce nem de longe na mesma proporção) faça fila sem encontrar espaço para a exibição. Qual a resposta? Ampliar tanto a reserva de mercado quanto o subsídio, agora estendendo as políticas (fracassadas) que deram errado no mercado de salas de exibição para os canais a cabo (em 2011), repentinamente obrigados a exibir conteúdo audiovisual nacional (especialmente seriados). Mas como pagar para sustentar essa nova produção? Obviamente, com uma nova fonte de financiamento público (especialmente, o Fundo Setorial do Audiovisual, que por sua vez é abastecido com recursos do Tesouro e cobrança de uma contribuição chamada Condecine).

Então, vamos resumir até agora para o leitor não se perder: reserva de mercado e subsídio sempre assombraram o Cinema Nacional. Uma estatal (a Embrafilme) chegou a ser criada apenas para apoiar o setor sobre esses dois pilares invertebrados. O resultado: crise. A resposta para a crise? Mais reserva de mercado e subsídio através das leis de incentivo. E quando tal modelo também se esgota, qual a nova resposta? Mais reserva de mercado e mais subsídio. E de novo. E outra vez.

Não é preciso ser um estudioso do mercado audiovisual para constatar que tudo que se conseguiu intervindo no mercado permanentemente e sustentando toda uma cadeia produtiva baseada em reserva de mercado e subsídio foi… uma indústria cinematográfica incapaz de sobreviver sem, precisamente, reserva de mercado e subsídio!

Em qual capítulo desta novela estamos agora?

Com as rápidas transformações do audiovisual em todo o mundo e a crise dos canais fechados, o Brasil tem hoje uma comunidade ativa e gigantesca (ao menos em termos financeiros) de produtores de audiovisual que precisa escoar seus produtos. O espaço em salas de cinema e TV é limitado e possivelmente parou de crescer na proporção necessária para acomodar a oferta. O objetivo agora é ampliar a intervenção estatal para a web, taxando serviços como Netflix e obrigando também que o audiovisual nacional entre pela rede mundial mesmo que o interesse dos usuários seja pequeno ou mesmo não exista.

O que vem pela frente é, então, mais reserva de mercado e subsídio, pois uma vez que a demanda por audiovisual brasileiro é aumentada à força, o Estado precisa aparecer com fontes de financiamento para que tais produtos efetivamente sejam disponibilizados. Quem paga, como sempre, é o contribuinte e o espectador.

Alguém que está lendo este texto pode dizer: “Mas isto é assim em todo o mundo, o audiovisual é sempre protegido!” Bem, rebater tal afirmativa seria possível, mas num outro artigo. O que eu fiquei devendo foi falar sobre aquela que é, para mim, a verdadeira chave do problema.

Eu disse lá em cima que parece haver um fenômeno observado no Cinema Nacional que faz com que alguns filmes sejam bem-sucedidos dispensando a tal “ajuda” do governo. A resposta não é “São filmes aos quais o público realmente quer assistir”; a história está repleta de grandes sucessos populares de filmes subsidiados, como o próprio “Dona Flor…”, “Tropa de Elite” e tantos outros. Na verdade, desde a Chanchada até sua herdeira bastarda (a Pornochanchada), passando por Mazzaropi e Os Trapalhões, o filme (audiovisual) nacional que realmente pode funcionar é aquele “barato” – ou ao menos suficientemente barato para que sua capacidade de recuperar o investimento seja atraente ao investidor que não quer (ou não pode) ser subsidiado.

O audiovisual nacional é caro demais, tanto em termos absolutos quanto em termos relativos a seu potencial de mercado. O problema é, também, antigo. O excepcional sucesso de 1953, “O Cangaceiro”, teve dificuldades de recuperar o (alto) valor investido a despeito da bilheteria expressiva; em 1999, militantes do setor como Ivan Isola já admitiam que muitos filmes nacionais poderiam ser realizados por pouco mais da metade de seus orçamentos sem prejuízo da qualidade; em 30 de janeiro de 2013, uma extensa reportagem do Estadão abordava o problema crescente de produzir cinema no Brasil por valores tão altos. “Os nossos orçamentos estão quase o dobro dos argentinos e dos chilenos e mais caros do que os dos espanhóis”, diria Lucy Barreto, a decana produtora.

Num cinema tão caro, o aporte permanente de dinheiro público impede que os custos de produção diminuam naturalmente. Como não diminuem, investidores dispostos a arriscar seu próprio dinheiro não se interessam pelo negócio. Sem a entrada de tais investidores no setor (caros demais, os filmes nacionais são incapazes de dar lucro), a dependência do dinheiro público prossegue, realimentando o ciclo.

Enquanto o problema for confortavelmente deixado de lado pela comunidade cinematográfica (por motivos que dariam outro texto), continuaremos assistindo a este patético espetáculo de uma indústria dependente de reserva de mercado e injeção de dinheiro público implorar rotineiramente por mais reserva de mercado e subsídio para superar os problemas causados por… reserva de mercado e subsídio!

17 COMENTÁRIOS

  1. Só queria ver um filme brasileiro com boa composição de vídeo, 3D, ótimos efeitos visuais, porque é isso que atrai as pessoas(atualmente). Se algum de vocês produtores de filmes, querem fazer algo bom, use isso por favor, o pessoal que trabalha com VFX aqui no Brasil estão sendo muito desvalorizados, procurem fazer filmes de ação, medieval, com uma história boa, típico filme americano, porque filme americano que é filme bom caralho, não esses filmes chatos de amor, “comédia”, dramas chatos do cacete que tu entende porra nenhuma, entendeu? vamos evoluir essa parada! Agora vou pesquisar algum livro brasileiro bom e ver se dá para fazer filme, eu nem produzo filme mas dane-se, façam isso produtores de filme por favooor!!! e comecem com iniciativa privada, o estado só faz merda, coloquem atores novos, não esses atores esquerdinhas de sempre chatos do caralho! valeu pessoal, fica a dica! to estudando efeitos visuais para que no futuro eu possa contribuir num filme bom brasileiro e de iniciativa privada.
    Abraços Daniel, você é o cara!

  2. Olá Daniel. Trabalhei com cinema, na kinoforum para ser especifica. Não citarei meu nome (nome falso), pois conheço muita gente lá, e não quero ficar manchada. Adorei o texto. Em primeiro lugar, acho que não podemos falar que o nosso cinema possui mercado ou industria porque não possui. Trabalhando na kinoforum conhecendo a realidade do cotidiano (com todos se dizendo de esquerda) em primeiro lugar o governo não APOIA novos diretores ou novos talentos, são só os mesmos… Quem pega edital? Zita Carvalhosa, Toni Venturi, Tata Amaral, todos esses caras que já são conhecidos. Se eu que nem terminei a faculdade de cinema (broxei, tranquei muito cara, fazendo cursos tecnicos) fosse lá com um puta roteiro, fizesse o edital certinho, um roteiro maravilhoso? Qual a chance de eu conseguir que o governo me dê esse dinheiro? 0,01%. Segundo, como podemos chamar de mercado algo que não gira, para mim um mercado é onde tem vários produtos de diferentes marcas. Terceiro o conteúdo dos filmes, nós temos a globo com as comédias e os filminhos bobos delas (eu acho importante ter todos os tipos de filmes, inclusive as comédias bobas, assim como filmes artisticos, tem espaço para todo mundo e cada um tem um gosto) e temos os cineastas lá fodões com um ego do tamanho do mundo, que criam filmes chatissimos, sem graça dizendo que aquilo é arte, tipo Obra do Gregorio, puta filme chato ok puta fotografia mas um filme chato, sem nada dizer… são poucos filmes de qualidade. Quarto lugar os filmes são feitos e depois quem vê.. além de você encontrar problemas na distribuição, ninguém está interessado. Se gasta um monte criando um filme e não se gasta nada no marketing, porque o povo não está preparado para fazer um bom filme. Quinto o assédio moral que é trabalhar com os grandes produtores, se eu te falar que sofri assédio moral de todas formas por gente da esquerda que tem o discurso de fb que todos somos iguais foda-se o capitalismo, eu sei que você sabe que é tudo hipocrisia. Se tem um problema de uns caras que não saem dali roubando a verba do governo, que tratam mal seus funcionários, e que se você for lá e processar… ah melhor mudar de profissão ´porque já era. sexto lugar o dinheiro publico gasto com futilidade como você citou acima, a kinoforum gasta uma grana com besteira e tem a coragem de pedir para o seu estagiario trabalhar de graça, sem auxilio nem sequer para a condução sendo que paga 150 reais para cada cineasta para exibir o filme (não acho que não seja certo) mas nenhum dos dois está correto. Te falando concluindo seu raciocínio o problema vai muito além do dinheiro publico e sim do caráter.

    • Olá Anna. Seu relato é revelador. Entendo sua preocupação com anonimato. Sei bem o que é ser boicotado e retaliado nessa área. Há mais gente como você. Qualquer coisa, escreva para mim no Facebook. Um abraço.

  3. Daniel, vamos lá: quem fala mentiras é vc, não sou eu.
    Quem foram essas pessoas da “classe cinematografica” que pediram a extinção da Embrafilme? E o Color e o Ipojuca extinguiram bem mais do que apenas a Embrafilme, extinguiram também o CONCINE e a legislação reguladora, etc, deixaram a classe cinematográfica ao léu.
    Outra coisa – Uma coisa são filmes lançados, eu falei de filmes PRODUZIDOS. O Unico filme produzido no 1o ano do governo Color foi o longa “Assim Na Tela Como No Céu”, do falecido Ricardo Miranda. Citando a Wikipedia:
    “Era Collor: 1990-1992
    Em 15 de março de 1990, Fernando Collor assume a presidência da República. Em seu governo, as reservas financeiras particulares da população brasileira, como contas-poupança, foram confiscadas e a Embrafilme, o Concine, a Fundação do Cinema Brasileiro, o Ministério da Cultura, as leis de incentivo à produção, a regulamentação do mercado e até mesmo os órgãos encarregados de produzir estatísticas sobre o cinema no Brasil foram extintos. Em 1992, último ano do governo Collor, um único filme brasileiro chega às telas. Foi A Grande Arte, de Walter Salles, falado em inglês e ocupante de menos de 1% do mercado.”
    Se tirar o subsidio é bom, porque será que não deu certo na Era Collor? Pelo seu raciocínio deveria ter sido um período áureo para o Cinema Nacional, né não?
    E não quero mandar na vida de ninguém, Daniel, só acho que vc deveria dar o exemplo, fazer o que vc propala como solução, vai que dá certo e vc se estabelece como um farol dos novos caminhos para o Cinema e o Audiovisual nacional? Manda ver!

    • Para ficar bem clara a minha resposta, vamos dividir em tópicos:

      1-Você escreve “Quem foram essas pessoas da “classe cinematografica” que pediram a extinção da Embrafilme?”
      R.: “Em texto publicado no primeiro semestre de 1993, o pesquisador Melo Souza afirma
      que o meio cinematográfico, após cinco anos de crise (1985-1990): Aceitou sem maiores discussões a extinção da Embrafilme, a reserva de mercado e o fim do nacionalismo protecionista. Collor não inventou nada […] só atendeu àquilo que Hector Babenco, Sílvio Back, Carlos Reichenbach, Chico Botelho, Carlos Augusto Calil, Roberto Farias, Nélson Pereira dos Santos e a crítica na imprensa liberal pediram.”
      Gatti, André Piero
      Embrafilme e o cinema brasileiro [recurso eletrônico] / André
      Piero Gatti – São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 2007.
      113 p. em PDF – (cadernos de pesquisa; v. 6)
      pg. 66

      2-Você escreve: “Uma coisa são filmes lançados, eu falei de filmes PRODUZIDOS. O Unico filme produzido no 1o ano do governo Color foi o longa “Assim Na Tela Como No Céu”, do falecido Ricardo Miranda.”
      Depois você contradiz o que acabou de escrever, citando “Em 1992, último ano do governo Collor, um único filme brasileiro chega às telas.”
      Ou seja: você fala de filmes produzidos e depois cita um filme lançado. Bem, não interessa: o fato é que, por motivos óbvios, registros de ano de produção dos filmes são bem menos confiáveis que de ano de lançamento, e é por isso que as pesquisas sempre vão considerar ano de lançamento, o que é facilmente verificado em qualquer jornal da época.
      R.: “1990
      – ABC DA GREVE
      – AMERÍNDIA – MEMÓRIA, REMORSO E COMPROMISSO
      NO V CENTENÁRIO
      – AMOR PROFANO
      – ANA, PAIXÃO SELVAGEM
      – AVENTURAS ERÓTICAS DE DICK TRAÇA
      – BARRELA
      – BOCA DE OURO
      – CARINHOSAS
      – CÉSIO 137, PESADELO EM GOIÂNIA
      – CITY LIFE
      – CLEÓPATRA – SUA ARMA ERA O SEXO
      – COMANDO SELVAGEM
      – COMEDOR DE DAMAS
      – CRIANÇAS EM AÇÃO
      – CURTO E GROSSO
      – DESEJADA, A
      – DEVANEIOS ERÓTICOS
      – DONA MUITO BOA, UMA
      – ESCOLA ATRAPALHADA, UMA
      – ESCORPIÃO ESCARLATE, O
      – ESQUERDINHA, O BRAÇO FORTE DA LEI
      – FOREVER
      – GATAS DO SEXO, AS
      – GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE, O
      – GUERRA DE UM HOMEM, A
      – HEIMWEH
      – HOSPEDARIA TIETA
      – INQUILINA ERÓTICA, A
      – LADRÃO TARADO
      – LAGO DA SACANAGEM
      – LAMBACETADAS
      – LAMBADA
      continuação 1988
      continua 1990 »
      937
      D ICIONÁRIO D E F ILMES B RASILEIROS
      – LAMBADA ERÓTICA
      – LAMBADA LAMBIDA
      – LAMBADA, O FILME
      – LUA DE CRISTAL
      – MAIS QUE A TERRA
      – MANOUSHE, A LENDA DE UM CIGANO
      – MENINA E O PORQUINHO, A
      – MEU FELIZ ANIVERSÁRIO
      – MEXE MAIS
      – MINAS TEXAS
      – MISTÉRIO DE ROBIN HOOD, O
      – NERO, A LOUCURA DO SEXO
      – NOVE SEMANAS E MEIA DE SEXO EXPLÍCITO
      – ÔNIBUS DA SURUBA, O
      – PRAIA DO INCESTO
      – ROTA DO BRILHO, A
      – SERMÕES, OS
      – SÍTIO DOS PRAZERES
      – SOLO DE VIOLINO
      – SONHO DE VERÃO
      – STELINHA
      – TODAS AS MULHERES DO UNIVERSO
      – TRADUTORA BOA DE LÍNGUA
      – TRANSANDO PELO RÁDIO
      – TRIKULHÃO, O
      – VISITANTE NOTURNA
      1991
      – ALUCINAÇÕES SEXUAIS DE UM MACACO
      – ASSIM NA TELA COMO NO CÉU
      – BATXOTA, A MULHER MORCEGO
      – BONECAS FOGOSAS
      – BRASIL GRANDE E OS ÍNDIOS GIGANTES, O
      – BRINCANDO NOS CAMPOS DO SENHOR
      – CANTO DA TERRA, O
      – CASA PARA PELÉ, A
      – COCA: O PREÇO DE UMA VIDA
      – DANDO SOPA
      – DELÍRIOS SEXUAIS
      – E O PAU COMEU SOLTO
      – EL VIAJE
      – FEITICEIRAS DO SEXO
      – FILME DA MINHA VIDA, O
      – FIO DA MEMÓRIA, O
      – GAÚCHO NEGRO
      – GRANDE ARTE, A
      – INSPETOR FAUSTÃO E O MALLANDRO
      – LAMBADA ERÓTICA II: A LAMBADA DO SEXO
      EXPLÍCITO
      – MALU, A DESEJADA
      – MANOBRA RADICAL
      – MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA
      – MOMENTOS DE PRAZER
      – NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO AGORA
      – QUE VIVA GLAUBER!
      – RÁDIO AURIVERDE
      – REPÚBLICA DOS ANJOS
      – SAFADAS E CHIFRUDOS
      – SE A GALINHA É BOA, O PINTO NÃO FALHA
      – SE A MULHER SOLTA O RABO, O MARIDO
      LEVA O CHIFRE
      – SUA EXCELÊNCIA, O CANDIDATO
      – TERRA DA BOA ESPERANÇA
      – TRAPALHÕES E A ÁRVORE DA JUVENTUDE, OS
      – VAI TRABALHAR VAGABUNDO II – A VOLTA
      – VIAGEM DE VOLTA, A
      1992
      – ATRAÇÃO SELVAGEM
      – CONFISSÕES DE UMA PECADORA
      – CONTERRÂNEOS VELHOS DE GUERRA
      – DÍVIDA DA VIDA, A
      – FUGA, A
      – GAIOLA DA MORTE
      – GAROTAS DE COPACABANA, AS
      – HOMEM QUE DISSE NÃO, O
      – HORAS ARDENTES
      – KATHARSYS – HISTÓRIAS DOS ANOS 80
      – MALDIÇÃO DO SANPAKU, A
      – OSWALDIANAS
      – SERPENTE, A
      – VAGAS PARA MOÇAS DE FINO TRATO
      – VIGILANTE, O
      1993
      – ALMA CORSÁRIA
      – ÁRVORE DA MARCAÇÃO, A
      – CAPITALISMO SELVAGEM
      – ERA UMA VEZ….
      – FALA BAIXO, SENÃO EU GRITO
      – INFERNO NO GAMA
      – OCEANO ATLANTIS
      – SAGA DO GUERREIRO ALUMIOSO, A
      – TV QUE VIROU ESTRELA DE CINEMA, A”
      Silva Neto, Antônio Leão da
      Dicionário de Filmes Brasileiros / Antônio Leão da
      Silva Neto, – – São Paulo: A. L. Silva Neto,
      1. Filmes Brasileiros – Guias 2. filmes
      brasileiros – História e crítica I. Título.
      Pgs. 936 e 937

      PORÉM, a importância disso é nenhuma. É óbvio que, se você tirar o subsídio de qualquer indústria de cinema que vive dele há 30 anos, uma boa parte dos realizadores vai desistir da atividade, exatamente pelo fato de que só estava fazendo cinema POR CAUSA do subsídio. Retirar o subsídio irá depurar o mercado, mantendo nele apenas os realizadores dispostos a correr riscos – e este é o ponto do meu raciocínio inteiro, conforme meus outros artigos.

      Se o Brasil tem 100 mil cargos federais comissionados e o governo, acertadamente, eliminar 95% deles, a primeira consequência será desemprego momentâneo de todo esse pessoal e eventualmente um surto de depressão entre alguns desempregados e seus familiares. É preciso dar algum tempo para que a situação volte a ser regulada naturalmente pelas leis de mercado. No caso da indústria brasileira, isso não aconteceu: pouco mais de um ano após o fechamento da Embrafilme, era criada a Lei Rouanet, eliminando qualquer possibilidade de o mercado entrar nos eixos por conta própria. SE você lembrasse que este é um site LIBERAL e lesse meus outros textos, saberia o que pensamos sobre qualquer intervenção e qualquer subsídio. Se resolver o problema do desemprego, baixos salários e indústrias ineficientes fosse possível por uma mera canetada, bastaria ao Gov. Federal criar 10 milhões de cargos públicos, metade para abrir buracos e outra metade para fechá-los, com salários de 10 mil mensais, e todos os problemas brasileiros estariam resolvidos.

  4. PS: certamente vc nao vive do seu salário de trabalhador do cinema nacional, se não vc não diria que “pouco me importa pouco me importa quanto um produtor paga a um técnico, contanto que tal valor seja pago com dinheiro privado…

    • Mais uma vez, você pretende legislar sobre a vida alheia, o que não é o meu caso. O que cada um faz ou deixa de fazer com seu dinheiro é problema dos outros, não meu. No livre mercado, cada um paga o que quiser a quem quiser, e quem tiver opção melhor, optará por esta. Mas num mercado regulado como o nosso, é natural que se viva em estado de permanente caça às bruxas aos negócios dos outros.

  5. Daniel, nao me leve a mal, mas vc é mais um daquela turma do malfadado Ipojuca Pontes e do ex-presidente Collor de nefanda memória. “Vamos deixar a Cultura ser regida pelas Leis do Mercado!”. O resultado desta politica cultural irresponsável foi o desmonte da estrutura de produção cinematográfica do Brasil, o desemprego brutal de toda a mao de obra especializada, e infelizmente até o suicidio de colegas, desesperados pela falta de emprego.
    Vc sabe quantos filmes nacionais de longa metragem foram produzidos no primeiro ano do governo Collor, com o Cinema Nacional a mercê dos capitalistas de plantão? Um.
    Ao contrario do que vc diz, o Cinema americano tem inúmeros subsídios a sua industria cinematografica, nacionais e estaduais, e uma rede de distribuição extraordinária, mundial. Vc acha que é a toa que outros países como o Canadá e a França têm incentivos e proteção para a sua industria audiovisual? Vc não sabe que o fato dos filmes videos americanos chegarem aqui já pagos faz com que seja impossível concorrer economicamente com eles a não ser que haja uma reserva de mercado e incentivo a produção? O Cinema francês e o cinema alemão que vc critica, deram imensa contribuição para o cinema mundial, haja vista cineastas como Truffaut e Herzog, por exemplo!
    Faz uma coisa, Daniel Moreno – faz seu longa “baratinho” com dinheiro do seu bolso e dos capitalistas de plantão seus amigos – crowdfunding não vale! – explode nas bilheterias como fez “Tropa de Elite”, realizado com dinheiro incentivado, e aí vem dar lição de moral pra gente, ok?
    Aguardo o convie para a estreia do seu filme.
    Abs e boa sorte.

    • Pare de espalhar mentiras a respeito do assunto. Quando a Embrafilme foi fechada, esta era uma exigência da própria classe cinematográfica, que sabia muito bem que o modelo da estatal estava exaurido. Ao contrário do que você alega, dezenas de filmes foram lançados entre 1990 e 1993, basta consultar o Dicionário de Filmes Brasileiros de Antônio Leão da Silva Neto. Não, não é verdade que os Estados Unidos têm “inúmeros subsídios” a sua indústria cinematográfica – tais subsídios são inúmeras vezes mais tímidos e localizados do que aqueles disponíveis no Brasil, por exemplo. Mas, ainda que tivesse, nada obriga a copiar uma política ruim só porque ela é aplicada em outro lugar. Estude o caso do Departamento de Justiça dos EUA contra os estúdios nas décadas de 1930, 1940 e 1950, antes de fomentar o folclore de que o governo protege Hollywood. Conforme já repeti dezenas de vezes, se ajuda estatal fosse determinante para o sucesso da indústria, a Coreia do Norte produziria os melhores produtos do mundo, e o cinema da Índia seria um completo fracasso (na realidade, é o oposto em ambos os casos). Os filmes norte-americanos “chegam pagos” aqui porque toda a sua produção é baseada numa equação financeira autossustentável, e não numa falácia lógica como no Brasil, onde quanto mais $ público é investido na produção, mais $ público se faz necessário para que ela continue girando. Pegue 1 bilhão de reais, dê ao quitandeiro da esquina e você terá uma indústria autossustentável. Pegue 1 bilhão anual, dê aos cineastas brasileiros e tudo que você terá será a exigência de mais 1 bilhão no ano seguinte. Isso é um fato, não uma opinião. O que faço ou não da minha vida ou carreira é problema meu: quem quer comandar negócios dos outros são estatistas como você. Live and let live.

  6. A verdade, apesar de toda a discussão, é que o dinheiro público só vem para poucos e sempre os mesmos. Não acredito, por experiência, na lisura das aprovações de verbas estatais. Sou produtor independente de conteúdo infantil. Trabalho com meu dinheiro. Já entrei em dezenas de editais e chamadas públicas. Nunca consegui nada. Em um dos editais me disseram que meu trabalho não era criativo e não tinha qualidade. Pois bem, este mesmo trabalho, foi comprado na hora por vários canais VOD, inclusive a Netflix (e hoje é um dos favoritos do canal no segmento infantil). Tenho amigos que conhecem muita gente no Ministério da Cultura, Ancine, SP cine e sempre tem uma “boquinha” garantida para seus filmes e curtas, que ninguém nunca assistiu. Essa é a verdade. Para o audiovisual brasleiiro se firmar como mercado real, a livre iniciativa deve estar em cartaz sempre!

    • Alex, seu relato é revelador e repleto de verdades. Todo mundo sabe como realmente funciona o “audiovisual nacional”, mas pouca gente tem coragem de dizer como funciona tudo, com medo de represálias. Parabéns.

  7. Daniel, embora concorde com você em todas as premissas assumidas alguns fatores devem e necessariamente têm que ser considerados como os impostos sobre toda cadeia de insumos que entram na produçnao de um produto audiovisual. Mais especificamente falemos sobre as ferramentas que transformam a idéia em um produto. Uma câmera, uma lente ou um microfone chegam ao seu usuário, técnico do audiovisual, por valores quatro vezes superiores aos praticados nos EUA ou na Europa.
    Nossos cachês, valores emanais que recebemos em produções são muito abaixo dos padrões mundiais. Você cita a Argentina como um parâmetro: sim, hoje é muito mais barato produzir-se lá do que aqui mas esta generalização é perigosa. Durante muito tempo era mais caro e somente a crise que levou profissionais para fora do país e fez com que aqueles que lá ficaram praticassem valores impensáveis há uma década possibilitou tal redução.
    Aqui estamos já praticando valores inferiores aos de 2005 o que implica diretamente na impossibilidade da renovação ou mesmo manutenção de nosso parque tecnológico com óbvios custos para a qualidade do produto final.
    Novos refletores, novas câmeras e gravadores, novos meios de movimento ( dollies e gruas ) são inviáveis para o modelo que baixo custo proposto por produtoras que tentam adequar-se ao modelo de negócio ora vigente.
    Existem boas idéias, bons roteiros, diretores e equipes eficientes que são atropeladas pelos “custos de produção”. O roteiro precisa ser absolutamente genial para sobreviver a uma má realização.
    Outro dado a ser considerado é o tal do “mercado externo”. Enquanto um Law&Order acessa mais de 80 países, faturando mais de um milhão de dólares por episódio, nossos produtos, tão bons quanto, sequer ultrapassam a fronteira da America Latina.
    Sem falar das excelentes séries nacionais tomo a liberdade de citar “Epitáfios” uma série excelente feita na Argentina. Você ouviu falar dela? Você a viu ?
    Desculpe-me mas existe muito mais carne embaixo do angu que sua matéria sequer desconfia

    • Sobre impostos, todos eles deveriam ser simplesmente abolidos da cadeia produtiva, bem como as contribuições obrigatórias, permitindo que as contratações fossem realizadas em livre acordo entre produtores e técnicos.
      Sobre os cachês, não é verdade: basta pensar que mesmo nos EUA, centenas de filmes são realizados todos os anos por valores muito abaixo da média no Brasil, o que seria impossível se os cachês fossem tão altos quanto aqui.
      De fato, pouco me importa quanto um produtor paga a um técnico, contanto que tal valor seja pago com dinheiro privado e em comum acordo entre as partes.
      A inflação generalizada no setor é produto direto de praticamente qualquer inflação em qualquer setor: intervenção estatal, especialmente através da injeção excessiva de recursos, o que impede que os preços ajustem-se naturalmente.
      Sobre a falta de renovação do parque tecnológico, mais uma vez isso é resultado direto da intervenção estatal: o governo, ao abrir linhas de crédito para a compra de equipamentos das próprias produtoras, simplesmente destruiu o mercado de locação, o que por ato contínuo desestimulou que o mercado de locação (o verdadeiro responsável por renovar o parque tecnológico) pudesse continuar investindo em novos equipamentos. Hoje, temos praticamente todas as produtoras com câmeras próprias, por exemplo (e rapidamente caminhando para a obsolescência) e poucas locadoras que sobreviveram mas não têm recursos para renovar seu parque.
      Você faz comentários bastante subjetivos sobre a suposta qualidade ou falta dela dos produtos, o que é uma discussão inútil. O que tem valor para você pode não ter para mim, ou pode ter aqui e não ter na China, por exemplo. Quem define isso? Minha opinião é clara: bom produto é o que se mantém sozinho. Produto ruim é aquele que, caro demais, precisa de subsídio para sobreviver. Eu tenho tanta confiança na capacidade dos cineastas nacionais que defendo livre mercado porque acredito que assim os melhores predominarão. Quem não confia é quem pede proteção do governo a todo tempo. Aí sou eu quem diz: o resto é estatismo do qual, aparentemente, quem não tem noção é você mesmo.

      • O segundo parágrafo está errado: leia-se

        “A inflação generalizada no setor tem origem idêntica à de praticamente qualquer inflação em qualquer setor: intervenção estatal, especialmente através da injeção excessiva de recursos, o que impede que os preços ajustem-se naturalmente.”

  8. Sua sugestão é concorrermos diretamente com as salas lotadas de filme norte americano?

    Acho que o problema ta bem distante desse de apoio Estatal,que inclusive existe no Canadá e outros países…….

    • Sim, você tem razão: o Canadá é outro Estado superprotetor do cinema (embora menos que o Brasil, acredite). Resultado? Uma indústria de cinema irrelevante. Alemanha e França: muito apoio estatal ao cinema. Resultado: indústrias mais fracas e menos relevantes, hoje, que EUA, Japão e Índia, onde os cineastas têm de se virar por conta própria em grande parte do tempo. Já escrevi e repito: ajudar o cinema com dinheiro público e regulação só serve para eliminar o risco da atividade e destruir a concorrência.

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