O “mercado” não “apoia a diversidade”, mas somente indivíduos livres podem apoiar os LGBTs

Em uma postagem recente de um partido político no Facebook (posteriormente apagada), a chamada era clara: “o mercado apoia a diversidade”. Usando a imagem de Lineker, que recentemente apareceu em um comercial da Avon voltado ao público LGBT, o intuito era dizer que o “mercado” acolhe e busca atender as preferências do público LGBT. Entretanto, há um grande erro nessa lógica: o “mercado” não apoia nada simplesmente porque não é uma entidade, mas sim um arranjo que fornece às pessoas a oportunidade de solucionar os próprios problemas – e quanto mais esse arranjo for livre, mais facilmente isso irá acontecer.

Como Murray Rothbard aponta corretamente em seu paper Individualism and the Philosophy of the Social Sciences, “o ‘mercado’ não é um entidade viva que toma decisões boas ou ruins, mas simplesmente uma forma de agrupar indivíduos e suas interações voluntárias. Se A acredita que o ‘mercado’ não o paga suficiente, na verdade ele está dizendo que os indivíduos B, C e D não estão dispostos a pagar o quanto A gostaria de receber. O ‘mercado’ nada mais é do que a atuação de indivíduos. Da mesma forma, se B acredita que o ‘mercado’ não está pagando A suficientemente bem, o próprio B é perfeitamente livre para se voluntariar em prover um valor extra para A. Ele não terá sua ação impedida por algum monstro chamado ‘mercado'”.

Quando uma empresa ou indivíduo atua para atender um determinado segmento da sociedade, não significa que o “mercado” como um todo apoie. Significa, sim, que há uma oportunidade de aumentar lucros (por meio da venda de um determinado produto ou ganho de imagem que se traduza em novas vendas futuras) ao atender um determinado público, o que não significa, sequer, que realmente haja um apoio à pauta. Um hotel que recebe LGBTs, por exemplo, não é necessariamente um apoiador da causa LGBT, mas um prestador de serviços para o qual a preferência sexual de seus clientes é irrelevante. Essa é a beleza de um mercado livre: você pode e deve ser livre para atender ou não quem quiser, mas cada recusa de atendimento significa novos clientes para seu concorrente, levando a uma maior tolerância da parte de todos. Outros indivíduos, entretanto, podem (e devem ser livres para) ser contra tal atuação, o que torna a lógica de que o “mercado apoia algo” ainda mais incorreta, dado que estes indivíduos também fazem parte do mercado. O mercado em si, portanto, é amoral.

Somente em um mercado mais livre as empresas e indivíduos em geral podem atuar de forma a atender os mais diversos públicos, incluindo segmentos da sociedade que não eram atendidos anteriormente. De acordo com o relatório da Associação Internacional LGBT sobre homofobia – chamado “A homofobia patrocinada pelo estado” – há 75 países no mundo que criminalizam relações homossexuais consensuais entre adultos, especialmente aqueles onde o estado adotou a lei islâmica (Sharia) ou o socialismo ainda persiste (como em boa parte da África). Ou seja, em 75 países, por força do estado, os indivíduos são proibidos de atuar livremente para atender as necessidades do público LGBT. É a liberdade de mercado que permite falar, divulgar e atender as necessidades dos mais diferentes públicos – seja visando o lucro ou por meio do ativismo – e o estado é o seu principal inimigo.

Por isso mesmo, é igualmente incorreto dizer que a lógica liberal de defesa dos LGBTs (e quaisquer outros indivíduos querendo atuar pacificamente sem prejudicar os direitos à vida, liberdade e propriedade de outras pessoas) seja “revolucionária”, “de esquerda” ou atue “em prol da deformidade moral”. Fora a óbvia falácia de generalização indevida (utilizar um post de um partido político para generalizá-lo como visão de todos os liberais), a atuação “revolucionária” da esquerda sempre perseguiu os LGBTs. Seja na Alemanha de Hitler, na União Soviética de Stalin, na Cuba de Fidel e Che ou mesmo nos países socialistas atuais que ainda criminalizam os LGBTs, nada perseguiu mais esse segmento da sociedade do que a lógica socialista baseada justamente numa visão conservadora (do ponto de vista moral) da sociedade. Como disse Fidel Castro em 1965: “Nunca acreditei que um homossexual pudesse encarnar as condições e requisitos de conduta que nos permite considerá-lo um verdadeiro revolucionário, um verdadeiro comunista. Um desvio de sua natureza se choca com o conceito que temos do que um comunista militante deve ser.” Nada atua mais a favor da “deformidade moral” de uma sociedade do que um estado que persegue indivíduos pacíficos somente por causa de sua preferência sexual, algo que liberais e libertários sempre foram veementemente contra.

Por fim, cabe lembrar um último motivo pelo qual é incorreto dizer que o conjunto de indivíduos atuando livremente, o qual rotulamos de “mercado”, seja “a favor da diversidade”: nem toda diversidade atua para o bom funcionamento da sociedade, especialmente quando infringe os direitos humanos à vida, liberdade e propriedade. Apoiar amplamente a diversidade, um erro que a esquerda comete ao apoiar o “multiculturalismo”, leva ao apoio de (ou à falta de oposição contra) polícias religiosas perseguindo LGBTs (como ocorre na Malásia), membros do estado jogando LGBTs do alto de prédios (como ocorre em alguns países islâmicos sob a Sharia) e o apoio à (verdadeira) cultura de estupro em países islâmicos simplesmente porque “é a cultura desses povos” e “devemos apoiar a diversidade”. O respeito à diversidade jamais deve estar acima da vida, liberdade e propriedade dos indivíduos.

Somente indivíduos livres para atuar de forma voluntária sem a coerção estatal podem apoiar (ou surtar) quando outros indivíduos ou empresas atuam em prol de determinados setores da sociedade. Somente a liberdade pode atender todas as cores do arco-íris.

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