Robin Wright e a equiparação salarial entre gêneros em House of Cards

Recentemente foi noticiado que a atriz Robin Wright buscou equiparar seu salário por episódio ao de Kevin Spacey na série House of Cards. Wright interpreta a mulher de Frank Underwood, personagem de Spacey, na ficção. Seu papel lhe deu grande destaque na mídia e demonstrou que a atriz cumpre sua função de forma excelente.

Todavia, se faz necessário avaliar as razões pelas quais mulheres ganham menos do que homens, ainda que exerçam trabalhos equivalentes. É sabido que as chances de mulheres deixarem suas carreiras de lado para se dedicar a família são superiores as dos homens o fazerem. Outro fator é o biológico, mulheres podem engravidar, homens não. Além disto, há uma série de regulações estatais que tornam a força laboral feminina mais cara do que a masculina.

Neste caso, cabe dizer que Spacey tem um valor superior de mercado em razão de seu histórico cinematográfico e reconhecimento quase incontestável entre a crítica, além de premiações por seus trabalhos anteriores ao papel de Underwood. Todos estes fatos antecedem a atuação de Kevin em House of Cards, o que demonstra que o seu valor de mercado já iniciou superior ao de Robin.

É possível observar que o filme de grande repercussão no qual Robin atuou foi Forrest Gump, o qual é lembrado por outros fatores. Kevin Spacey atuou nos filmes Os Suspeitos, Beleza Americana e A Vida de David Gale, os quais se lembra mais do ator do que dos filmes em si em razão de sua brilhante atuação, o qual foi exatamente o motivo do sucesso destes (e de outros) filmes.

Prova disso são as premiações e as indicações do ator. Dois Oscars, de melhor ator principal por Beleza Americana e melhor ator coadjuvante por Os Suspeitos, BAFTA de melhor ator novamente por Beleza Americana e indicação de Globo de Ouro de melhor ator pelo mesmo filme, além de outras premiações e indicações de demais filmes nos quais Spacey atuou.

Não entrando no mérito do uso de ameaça contra a Netflix por Wright e da falta de ética de alegar que viria a público com o fato de ganhar menos do que seu colega de trabalho caso não obtivesse a equiparação e terminar indo a público de qualquer forma, a atriz não deveria ter usado os fundamentos que usou para pedir a equiparação.

O fato de ela ser mulher poderia ter pesado inicialmente de acordo com os fatores mencionados, mas a principal diferença claramente consiste no alto valor de Spacey. A atriz poderia ter atingido o mesmo objetivo demonstrando que as diferenças de gênero não eram compatíveis com sua pessoa e sua igual importância na série – com uma atuação que influencia no sucesso desta – e não utilizando o mero fato de ser mulher.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Sobre valor artístico de Spacey e de Wright vc acerta, pois é isto mesmo que regula os ganhos de artistas.

    Sobre diferenciar mulheres de homens pra deduzir vencimentos você escorrega. Seguindo a lógica que vc colocou, poderia-se diferenciar pessoas por outras características (como já foi mais comum), como o menos-branco ganhar menos (pois ele vende menos… coisa de inconsciente coletivo), ou o cara gay “provocar” burburinho na empresa e diminuir a produção, etc. Então, não procede os “argumentos” pra diferenciar a mulher. Pio ainda se estendêssemos estes “custos” a serem cortados a outras áreas da sociedade como a arquitetura e urbanismo: a exigência de instalação de pisos táteis, elevadores e rampas em edifícios tem causados gastos que pesam nos pobres empresários; vamos deixar os deficientes, anões, idosos, feridos em tratamento e crianças em casa.

    • Li seu texto, Ricardo. Muito bom essa lógica que você desenvolveu de que as máquinas fizeram com que o intelecto fosse mais valorizado do que a força física, o que auxiliou na redução de diferenças entre homens e mulheres no mercado. Já vi em alguns lugares essa afirmação de que a média salarial de homens e mulheres não difere, todavia, não pesquisei sobre isso em fontes confiáveis ou vi dados para saber a veracidade. De fato, os interesses e aptidões naturais de cada gênero influencia na escolha dos empregadores. Muito bom seu texto.

      • Que bom que gostastes, Laírcia. Da mesma forma, tenho bastante admiração pelos teus artigos, e pelo ILISP como um todo. Eu gostaria de contribuir inclusive com este site, se for do interesse de vocês. Alguns de meus artigos já foram publicados por Rodrigo Constantino.

        Abração. Façam contato pelo e-mail ou pelo meu blog, acho que esta parceria tem tudo pra dar certo.

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