Governo decide e bancos comemoram: Nubank pode fechar e quem perde é o consumidor

De acordo com o Banco Central, no ano de 1993 havia 244 bancos múltiplos e/ou comerciais no Brasil. Em 2016, esse número caiu para 157. Você pode ter a impressão de que há uma quantidade razoável de prestadores do serviço atuando em concorrência para atender bem o consumidor no Brasil. Porém, quando se trata de volumes financeiros, 74% dos ativos do sistema bancário estão concentrados no Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander.

Esta divisão do mercado em pouquíssimos players oferece ao cliente final uma taxa média de financiamento do cartão de crédito de 451% ao ano. Há ainda bancos que cobram 446% de juros ao ano para o cheque especial (Santander) e 181% ao ano para o empréstimo pessoal não consignado (HSBC Brasil, recentemente comprado pelo Bradesco). São recordes mundiais absolutos, ainda que a taxa base de juros, determinada por órgãos controlados pelo governo, esteja em 13,75% ao ano.

Após décadas de corporativismo entre (poucos) bancos e governo, surgiram novas alternativas como as “fintechs”, empresas que contam com a criatividade de empreendedores e o uso massivo de tecnologia para gerar eficiência e preço baixo nos serviços financeiros. A mais famosa e prolífica delas até hoje talvez seja a emissora de cartões de crédito Nubank. A empresa não cobra anuidade do cartão e permite que o cliente gerencie as transações por meio de um aplicativo para smartphone.

Na última quinta-feira (15), entretanto, o presidente Michel Temer e o ministro da fazenda Henrique Meirelles oficializaram, entre as medidas para “impulsionar a economia”, a redução do prazo de pagamento das emissoras de cartão de crédito aos lojistas de 30 para 2 dias. Essa medida, ao contrário do que parece, irá prejudicar ainda mais os brasileiros.

A Nubank fatura 5% por intermediar as compras com cartão de crédito, recebendo somente após o pagamento da fatura, o que pode levar quase um mês. Após receber, a empresa paga a bandeira do cartão de crédito (Visa, Mastercard, etc) e a adquirente, a empresa que captou a transação (Cielo, GetNet, Rede, etc), ficando com 1,5% de lucro bruto. A obrigação de repasse financeiro em 2 dias elevará a taxa de juros para o cliente final e obrigará a Nubank a realizar empréstimos para cobrir o fluxo de caixa, o que inviabilizará o negócio. As empresas que possuem um grande capital de giro continuarão sendo as únicas a se manter no mercado. E adivinha quais são? Sim, os grandes bancos.

(Cabe lembrar que Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, órgão responsável por operacionalizar a medida, foi economista-chefe do Itaú antes de assumir o cargo)

“Nós já fizemos algumas simulações. Com dois dias é apagar a luz e fechar a porta. Com 15 dias, a gente precisaria de quase R$ 1 bilhão de capital adicional do dia para a noite”, disse Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank.

Qual seria então a solução para o problema? Certamente, ela não está numa canetada estatal. Muito pelo contrário. O que precisamos no setor financeiro brasileiro é de mais liberdade, reduzindo as (absurdas) exigências do Banco Central para abertura de bancos no país, facilitando a abertura de novas fintechs, liberando os empréstimos entre pessoas físicas sem considerá-los “agiotagem” e permitindo que a negociação de prazos e custos de empréstimos e cartões de créditos seja livre entre clientes e prestadoras. O que reduz os preços no mercado é sempre a concorrência, nunca uma canetada estatal.

O que se vê em uma medida estatal pode até ser bem intencionado. Mas o que não se vê geralmente é ainda mais danoso e nefasto para os consumidores e empresas que não têm amigos no governo.

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20 COMENTÁRIOS

  1. Gente q luxo de sistema financeiro é esse e que grandes bancos filhos da puta deste país de corruptos ! Pq q a Nubank está incomodando pq ela tem ajudados os brasileiros a vencer ! Simples assim. Tomara q as leis da através cooperem a fobor de todos q tem o cartão a conta e tbm.o próprio Nubank pra gente rir da cara destes governantes e sistemas financeiros inúteis e ladrões..eu n tenho nada . Nada mesmo então n.tenho nada a perder ! Força Nubank n desista.

  2. Eu li uma matéria em que dizia que o Nubank estava a salvo… Agora mudou ou não as regras?

    E mudar de 30 para 2 dias assim de uma vez acho muito. Poderia mudar para 28 dias, depois 26, até chegar nesses dois dias. Assim Nubank e iria se adaptando.

    • O governo ainda deu um jeito de forçar uma redução dos juros do cartão de crédito, do contrário ele irá tomar a medida.

  3. Tenho Nubank há 1 ano, sou trabalhador informal, meu limite no cartão de crédito convencional é de 1.000 reais, não aumentam um centavo, tem que pagar anuidade e é maior burocracia

    Nubank tenho limite de 8 mil, não tem anuidade, o cartão é internacional, você consulta a fatura digital, é muito bom.

    Agora, tem lobby aí, o Nubank está incomodando, pode apostar!

  4. ACho que so o Brasil tem esse sistema de cartoes. Nos EUA da concorrencia de arregacar, se paga rapidinho. Cartoes em geral nao cobram mensalidade, e a maioria devolve 1% de suas compras. Tem alguem pagando por esses 30 dias, e nao sao os bancos e operadores de cartoes!!!.

  5. Governo sendo governo, pensa que está ajudando quem?? se no final quem paga o pato é o consumidor final … ai voce vai em uma casa de lanche, gasta R$30,00, nos dias de hoje colocando o pagseguro como a empresa de cartões … o pagseguro tem descontado 4,99% (em uma vez), portanto esse lanche sairá para ele só com o desconto financeiro, R$28,50 … ou seja R$ 1,50 de desconto, agora com essa diminuição do prazo de recebimento, certamente o pagseguro, se tiver a capacidade de antecipação, aumentará a taxa para no minimo 10%, levando em consideração o exemplo acima, a empresa de lanche terá uma despesa financeira de R$ 3,00, e quem pagará essa despesa? isso em um exemplo de R$30,00 … e quem vai comprar uma TV de R$2000,00 … coloque um pobre no governo que ele fara mais pelo país

  6. Na boa…. nao adianta mais acreditar em políticos. Tenho uma pequena empresa e não vejo essa medida de diminuir para dois dias o repasse das máquinas me ajudar em nada!! Pelo contrário as operadoras aumentaram as taxas e eu não terei mais a opção de esperar os 30 dias tendem vista a taxa mais barata!
    Ficarei refém aos ditames das operadoras e bancos. Dai repassamos essas taxas para o cliente ou teremos que engolir mais essa..

    O governo derruba os empreendedores que estão ao lado do consumidor como a nubank

  7. Não concordo com essa posição, o Nubank sobrevive de um desequilíbrio artificial – o prazo de 30 para pagar o lojista, mais uma jabuticaba – com o float e os juros altos o nubank tem folga para atuar, no entanto não existe free luch, quem paga essa conta é o lojista, que tem seu fluxo de caixa prejudicado. Pouquíssimos empresários conseguem funding de menos de 1,5% a.m., esse é o preço que eles pagam para o Nubank existir.

    • Que desequilíbrio artificial? Esqueceu que o cliente pode pagar a fatura em até 30 dias? E o risco de inadimplência, fica aonde? E se o repasse cair para 2 dias, o dinheiro para cobrir os 28 dias restantes até o cliente talvez pagar a fatura caem do céu? E você acha que caindo para 2 dias com uma canetada do governo esse risco e custo extra não serão repassados ao lojista?
      Almoço grátis não existe SEMPRE, não apenas quando você quer.

      • Opa, calma amigão, te explico o meu raciocínio, e já adianto que não acho que vc seja obrigado a concordar, só peço que discorde com educação.
        O lojista faz uma venda no $$$ ele recebe na hora, no cartão, ele recebe com 30 dias (descontada a taxa de administração), ele inclusive, hoje, não pode diferenciar o preço (estranho, não?).
        O cartão não recebe do cliente 30 dias após a compra, recebe de 30 em 30 dias, é diferente, existem compras que o cliente demorará 30 dias para pagar mas existem outras que demorarão bem menos, enquanto para o lojista sempre demorará 30 dias para receber, existe uma diferença entre os fluxos em favor dos cartões (o famoso float).
        Eu entendo que se existe uma diferença de custo para o lojista (taxa de administração mas os juros dos 30 dias) em um caso e ainda uma legislação que não admite diferenciação de preço, existe sim um desequilíbrio artificial.

        • Os efeitos ao pagarem com somente dois dias são muito maiores a longo prazo, os bancos vão taxar essa antecipação ou os clientes vão ter que pagar por isso, diminuindo vendas. Acho que isso pode gerar grandes problemas na economia. Mas o que vale é o governo decidir, então está tudo certo.

      • Eu como lojista digo, esperar 30 dias para receber é um preço baixo perto da garantia de receber. Ou é isso ou é um cheque borrachudo, um boleto que só pra ir pra cartório te causa de imediato um prejuízo de 100 reais fora taxas do próprio boleto e o risco de perder o dinheiro. Juro de cartão de crédito é absurdo, mas quem paga é o inadimplente, quem faz conta e não sabe se vai conseguir pagar tem mais é que arcar com as consequencias. Os efeitos em cascata são muito piores.

      • Pois é. A saída é o nubank mudar de ramo, virar lojista e comprar seus próprios “produtos” receber a grana na hora, investir, e pagar a fatura apois 28 dias lucrando com o rendimento. Hehehe. Que regra absurda. Para que isso não seja viável, alguém vai ter que pagar alguma taxa ou coisa parecida.

      • São vários comentários, vamos por partes:
        @Patrick: se a preocupação é a inadimplência, recebendo em espécie vc tem os recursos na hora;
        @Marco: Não sei se é de conhecimento de todos mas o cartão cobra do lojista aproximadamente 3,5% (varia) de taxa de adm, isso somado ao custo de se antecipar os créditos, vamos colocar uma taxa de 2,5% a.m., as duas somadas chegam a 6% da RECEITA BRUTA DO LOJISTA – poucos lojistas tem uma margem líquida igual;
        @Asdrubal, supondo que vc esteja certo, que o lojista compre com prazo de 30 a 60 dias, se ele optar por comprar a vista terá um desconto – esse prazo médio de 45 dias corresponde a aproximadamente 3,5% de juros. Outro ponto que precisa ser notado é que o prazo que o lojista paga seus fornecedores conta a partir da compra da mercadoria, tem mais o prazo de transporte e preparação até que esteja disponível na loja, e ainda, para ele passar a ter receita, depende do cliente gostar ou não da mercadoria e do preço, qualquer lojista tem em seu estoque mercadoria que pagou a mais de um ano e que está looonge de receber por ela (ainda mais se vender no cartão).

        Recomendo a leitura desse artigo sobre essa ideia “Jenial”:
        http://www.braziljournal.com/30-dias-no-cartao-uma-historia-de-credito-brasileira

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