Larvicida usado pelo Ministério da Saúde no combate ao aedes pode gerar microcefalia

Após a Colômbia e El Salvador declararem que nenhuma de suas grávidas infectadas com zika vírus registraram microcefalia em seus fetos, médicos argentinos e brasileiros têm um novo suspeito: o Pyriproxyfen, um larvicida usado na água e utilizado em programas do Ministério da Saúde brasileiro para evitar o crescimento das larvas de aedes aegypti. O químico é utilizado em tanques de água potável no Brasil pelo Ministério da Saúde desde 2014, especialmente em regiões com saneamento básico precário, como o interior do Nordeste, principal foco do surto de microcefalia. O Pyriproxyfen passou a ser utilizado depois que o larvicida anterior, Temephos, se mostrou ineficiente contra o mosquito, e é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, ligada à ONU.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) divulgou na última semana uma nota técnica apontando que o uso do Pyriproxyfen pode ter relação com os casos de microcefalia. O químico também foi apontado pela Red Universitaria de Ambiente y Salud como um possível causador da microcefalia.

Com informações do Diário de Pernambuco, Zero Hora e EBS

5 COMENTÁRIOS

  1. Complementando: diante do que apontei sobre o relatório, se comprovada ou não a causa de microcefalia, ela SERIA APENAS UM DOS MUITOS PROBLEMAS SÉRIOS que essa substância (se empregada sem os devidos cuidados e respeitando a dosagem liberada pela OMS) provocaria na população (humana, fauna e flora, pois tudo depende de água para a sobrevivência).

    Em um outro teste realizado descrito no relatório, um grupo de animais apresentou RETARDAMENTO* NO CRESCIMENTO. Esse FATO, pode ser sim um INDÍCIO de causa de microcefalia nos humanos (déficit no tamanho da caixa craniana).

    * Entenda como “retardamento” a demora ou a diminuição da velocidade no crescimento.

  2. Eu trabalho na cidade de jatobá pernambucano perto da cidade de Petrolandia, e sou um agente de Endemias isso é verdade mesmo

  3. Patrícia,
    Na verdade, de acordo com o estudo citado por você, o Pyriproxyfen NÃO se mostrou teratogênico e também NÃO carcinogênico em doses até 420 mg/kg em camundongos e 140 mg/kg em ratos. Em nenhum momentos os estudos informaram que houve indícios de carcinogênese em doses mais elevadas. Alguns trechos do texto:

    Pyriproxyfen caused little developmental toxicity and was not teratogenic

    Pyriproxyfen was not carcinogenic when given in the diet at doses up to 420 mg/kg of body weight per day in a study in mice or at doses up to 140 mg/kg of body weight per day in rats

    No reproductive toxicity was observed in the two-generation study, the NOAEL being 5000 mg/kg, equal to 340 mg/kg of body weight per day, the highest dose tested, or in the segment 1 study, the NOAEL being 1000 mg/kg of body weight per day, the highest dose tested.

    Mas o fato é que em altas doses ele causa várias anomalias viscerais, incluindo rins, e seu questionamento é altamente válido! Qual a dosagem realmente utilizada? Não só desse inseticida mas de outros mais como o Diflubenzuron, Malathion e o Novaluron!

    • Olá, Érica.

      Não escrevi que o documento mostrou ser teratogênico nem carcinogênico. O que escrevi foi que o documento mostra que tais efeitos ocorreram em doses iguais ou superiores a 300mg/kg de peso por dia em testes com ratas e coelhas e 120mg/kg de peso corporal por dia em ratos. Ou seja, apenas descrevi o que ocorreu nos testes, justamente para chamar a atenção de que NÃO SE TRATA de um produto INOFENSIVO SE EMPREGADO INDISCRIMINADAMENTE E SEM RESPONSABILIDADE.

      Acredito que isso seja um ponto muito sério que DEVE ser verificado pelas autoridades competentes. É sabido que no Brasil não se tem a cultura de “precisão” (ser preciso) em se tratando do uso de agrotóxicos nem inseticidas. Veja o caso do suco de laranja brasileiro: os EUA não importam esse produto do Brasil. Não só não importam como já negaram várias vezes em função do EXCESSO (teor muito elevado) de agrotóxicos presentes no suco extraído dessas laranjas.

      As pessoas (funcionários) no geral acreditam que só pelo fato de se estar adicionando umas gotas ou mililitros ou gramas da medida estabelecida, não fará grandes diferenças, pensando da seguinte forma: “são só mais umas gotas!”; “só mais um bocadinho, que mal fará? Vai ser até melhor!”. É o tal “toque pessoal” do brasileiro. E também a petulância de achar que se sabe mais que os especialistas, pesquisadores e doutores da área! É o orgulho de achar que esses profissionais e entidades qualificadas estão com frescura!

      Daí o meu questionamento. A sua leitura do relatório está correta e é a leitura que todos fazemos. Mas o fato é que nos esquecemos de levar em consideração o CONTEXTO DO BRASIL. Aqui, quase nada é feito com seriedade e responsabilidade. Portanto, a leitura precisa ser outra, ou seja, precisa saber levantar os pontos que destaquei.

      É muito saudável que essas coisas sejam comentadas, analisadas e debatidas sob diferentes óticas. É um exercício muito importante.

      Agradeço pelos seus comentários. Sem dúvida, ajudará outros leitores!

  4. O documento oficial do WHO (Org. Mundial de Saúde), págs. 3 e 4, sobre o Pyriproxyfen, no link abaixo, mostra que a AÇÃO TERATOGÊNICA, bem como a NEUROTOXIDADE ocorreram em doses iguais ou superiores a 300mg/kg de peso por dia em testes com ratas e coelhas.

    A CARCINOGENICIDADE ocorreu em doses acima de 140mg/kg de peso corporal por dia em ratos e em doses acima de 420mg/kg de peso corporal por dia em ratinhos.

    Resta saber, agora, EM QUAL DOSAGEM SE ESTÁ SENDO UTILIZADO o tal larvicida na nossa terrinha!

    http://www.who.int/water_sanitation_health/dwq/chemicals/pyriproxyfen.pdf

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