Sem conseguir diminuir o tráfico, presidente filipino admite fracasso de guerra às drogas

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, reconheceu que sua polêmica política de luta contra as drogas enfrenta desafios, segundo a rede americana CNN. Quando assumiu a presidência em julho de 2016, apesar de não funcionar em nenhum lugar do mundo, ele prometeu fazer uma política dura contra o tráfico e se não resolvesse o problema em seis meses, ele renunciaria.

Mais tarde, ele reconheceu que esse prazo era um “erro de cálculo” porque ele não percebeu o quão grave era o problema, alegando que as drogas podem ser financiadas por grupos terroristas e, durante uma celebração, ainda disse que nem mesmo os EUA, que possui o maior orçamento estatal contra o tráfico, consegue resolver esse problema.

Em partes o presidente filipino diz a verdade. O problema das drogas não é simples e não foi solucionado em nenhuma lugar do mundo, nem mesmo nos EUA, com exceção do Colorado, estado americano que liberou venda de Maconha há poucos anos e conseguiu diminuir parte do tráfico de drogas com o México. Mas ele ainda peca em insistir em políticas ineficientes.

O resultado da intensa guerra às drogas aplicada na Filipinas já matou mais de 7 mil pessoas e, segundo moradoras das periferias, muitas nem eram traficantes e morreram por serem viciadas em drogas. Em consequência disso, muitas crianças perderam seus pais e dormem nas ruas.

Pessoas dormem ao redor de uma fonte em Manila, nas Filipinas. O número de pessoas dormindo nas ruas aumentou desde o início da guerra do país contra as drogas (Foto: Damir Sagolj/Reuters)

Além dessa tragédia na periferia da cidade, o filho do presidente tem sido acusado de envolvimento com tráfico. Senadores investigam uma carga de metanfetamina, no valor de US$ 125 milhões, que chegou em Manila. Segundo investigadores, o filho do presidente, Paolo Duterte, teria facilitado a entrada da carga no país.

Diante todos esses fatos, só é possível tirar uma conclusão: não há como acabar com tráfico enquanto houver demanda. As leis da economia não podem ser revogadas nem mesmo com uma dura guerra contra o comércio. Os preços dos produtos tendem a subir a medida que ficam escassos devido ao controle estatal. Os altos preços enriquecem traficantes e atraem mais pessoas ao tráfico, nem mesmo o filho do presidente tem escapado dessa oportunidade criada pelo seu pai.

 

 

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6 COMENTÁRIOS

  1. Marcelo Faria, sou a favor da liberação irrestrita das drogas. A campanha de combate as drogas não deu certo. Então libera. Entrega para a indústria farmacêutica a produção e deixa os usuários de maconha plantar em suas casas. Isso quebraria a espinhal dorsal do tráfico. Acabaria a razão de vapores vendendo drogas em esquinas e praças. Porém reforçaria outras leis: Ex. Trânsito. Foi surpreendido conduzindo carro sob efeito de álcool e drogas, simples, perde a cnh. O dinheiro gasto na guerra contra as drogas poderia ser disponibilizado para a prevenção.

  2. Não vem que não tem, Drogas destroem famílias e não deve ser liberada não. Esses liberais é a favor até do aborto.

    • Segundo uma lei federal, “Bebida alcoólica é prejudicial à saúde, à família e à sociedade”. Nunca consigo entender por quê pessoas que se horrorizam com a idéia de liberar a venda de maconha não se importam com a venda de cachaça e cerveja ser legal.

  3. Um bem é vendido pelo valor x. Daí o governo resolve proibir sua comercialização. Cria crimes para punir quem contraria a proibição e coloca as forças policiais para combater sua compra e venda. Esse bem entra então no mercado negro, onde as leis de mercado relativas à formação de preços continuam se aplicando da mesma forma. O combate estatal reduz o número de fornecedores, mas isso apenas faz com que o valor do bem passe por valorização. Quando a valorização chega a tal ponto que as pessoas passem a considerar que os lucros valem a assunção do risco de prisão, decidirão atuar no mercado negro mesmo assim e terão rendimentos tão altos que poderão até mesmo corromper agentes públicos e seguir assim no seu ramo de atuação. Como diria o Patrick Jake O’Rourke: “quando compra e a venda passam a ser reguladas, a primeira coisa a ser comprada e vendida são os reguladores”. A título de exemplo de tudo isso: no início do ano uma traficante foi presa em Vitória/ES. Ela tinha uns 22 dois anos e ganhava R$ 500.000,00 por mês traficando maconha, ao passo que um PM que não seja do DF não deve ganhar mais que R$ 2.500,00 ao mês, sendo assim um alvo fácil para àquele que tenha grana o bastante para corromper servidores públicos. Na prática a ação estatal apenas serve para ajudar cartéis de drogas com know how o suficiente para atuarem no setor fugindo das punições penais, pois eles acabam protegidos de sofrer concorrência de novos traficantes que serão presos pela polícia antes de se firmarem no mercado e assim pressionarem os preços para baixo. Quanto mais o estado mobilizar aparato policial e judiciário para punir o comércio, mais o bem comercializado se valorizará e o ciclo de valorização/incentivos/corrupção será reiniciado novamente. O estado não consegue controlar forças de mercado e nunca vai conseguir. Eu prefiro, por ser menos pior, um modelo em que drogas sejam livremente vendidas, as pessoas que queiram se drogar tenham liberdade para escolher esse caminho sem intervenção estatal e os recursos públicos que deixariam de ser gastos com ações antidrogas, além dos impostos arrecadados com a venda dos entorpecentes, passem a ser utilizados para tratar o vício dos dependentes químicos.

    • Até na teoria há erros no seu raciocínio.
      Ninguém gosta de pagar imposto, incluindo traficantes e viciados. Ou seja, haveria muita sonegação.
      O número de viciados iria crescer de forma exponencial. O sistema de saúde, que já é ruim, iria ficar péssimo. Teriam que aumentar impostos para dar conta com aumento das despesas. Os jovens, especialmente os pobres, são presas fáceis e engrossariam a legião dos zumbis nciados… aumentariam toda a sorte de crimes.
      Os paises que inveredaram por esse caminho voltaram atrás. O Uruguai não está tendo uma boa experiência com a liberação da maconha.
      Por fim, essa problemática não pode ser vista apenas sob o aspecto da teoria econômica.

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