UFRJ gastou mais com salário de reitor do que com a manutenção do Museu Nacional

Mais antigo do país, o Museu Nacional – incendiado na madrugada do último domingo (02) – é subordinado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e vinha sofrendo com poucos recursos financeiros para manutenção e conservação pelo menos desde 2010. Informações obtidas pelo ILISP mostram que, além da universidade dar mais prioridade à captação de verba para criar uma rádio FM, a UFRJ gastou mais com o salário de seu reitor do que com a manutenção do museu.

Entre 2010 e 2018 (período em que os dados estão disponíveis), a UFRJ gastou menos, em valores nominais, com a manutenção e conservação anuais do Museu Nacional – um palácio com 11.417 m2 – do que com o salário do reitor. O pico foi em 2013, quando a universidade destinou R$ 284,1 mil para a manutenção do museu. Desde então, os valores anuais caíram para cerca de R$ 163 mil em 2014 e 2015, e despencaram para meros R$ 5,1 mil em 2016. A situação não melhorou substancialmente em 2017, quando apenas R$ 26,4 mil foram gastos com a conservação do imóvel (sendo R$ 5,5 mil até o mês de agosto). Este ano, o corte foi ainda mais drástico: a UFRJ não gastou 1 centavo sequer com a manutenção do palácio do Museu Nacional em 2018.

Valores nominais gastos pela UFRJ com a manutenção e conservação do palácio do Museu Imperial entre 2010 e 2018. Fonte: Siga Brasil, Senado Federal

No mesmo período, os gastos nominais do Ministério da Educação com a UFRJ cresceram de R$ 2,29 bilhões (2010) para R$ 3,95 bilhões em 2017. A destinação final dos recursos recebidos pela UFRJ é definida pela reitoria, dada a autonomia universitária prevista na Constituição, e não pelo governo federal.

Valores nominais gastos pelo Ministério da Educação com a UFRJ entre 2010 e 2018. Fonte: Siga Brasil, Senado Federal

Por outro lado, o salário do reitor da UFRJ foi superior à verba para manutenção do palácio do Museu Nacional em todo o período analisado. O atual reitor, Roberto Leher – um dos fundadores do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), apoiador declarado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e eleito pelos professores e alunos da UFRJ em 2015 – possui remuneração bruta de R$ 27.988,71 mensais, ou seja, R$ 335,8 mil por ano. Ainda que sejam descontadas as deduções obrigatórias (imposto de renda e previdência) e ignoradas as verbas indenizatórias, o socialista Roberto Leher recebe um salário mensal líquido de R$ 19.546,05, totalizando R$ 234,5 mil por ano.

Remuneração mensal do atual reitor da UFRJ, o socialista Roberto Leher: valor é superior à verba destinada pela UFRJ ao palácio de mais de 11 mil metros quadrados do Museu Nacional. Fonte: Portal da Transparência.

8 COMMENTS

  1. Triste ver que haviam saídas junto com a iniciativa privada. Triste ver que o Canecão também foi demolido e podia gerar rendas. Triste ver como nossa história é tratada por gente que não tem competência. Triste um museu tão lindo ser destruído pelo descaso. Em qualquer lugar do mundo os responsáveis pagariam de alguma forma. Estranho ver que surgem verbas depois que a casa já foi para o brejo, sem contar os inúmeros outros casos.

  2. E o pior quem paga é o povo, que terá todo o prejuízo não somente do dinheiro investido,mas tabem historico. Tudo se transformando em cinzas.

  3. Ainda tem de somar a contribuição previdenciária “patronal” (que deve ser de 22% sobre a remuneração bruta), uma despesa da UFRJ que não aparece no contracheque.

    Não há de se cogitar menção ao “salário líquido”, uma vez que é arcado pelo orçamento da UFRJ o valor bruto.

    A propósito, cabe recriminar a ONG Contas Abertas que, sabe-se lá por quais motivos, “lacra” fazendo comparações impertinentes com dispêndios de outras entidades, em vez de identificar gastos da UFRJ que ela considerasse supérfluos…

  4. esta errado o calculo do salario anuel… vcs esqueceram do 1/3 de férias e 13o… passa dos 250k

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