Carta aberta aos ministros do STF

Será que eles não têm o menor desejo de serem respeitados e admirados pela sociedade que os sustenta?

Essa é a pergunta que sempre me faço, assim que vejo os absurdos que a mais alta corte do país promove.

Os senhores ganham os mais altos salários do funcionalismo público, desfrutam de privilégios imorais, não correm o risco de desemprego e ainda desfrutam de aposentadorias integrais. Ainda assim, são despudoradamente coniventes com a corrupção, demonstrando total indiferença aos apelos da sociedade.

Estamos numa época em que pessoas comuns tomam conhecimento de quase tudo. Depoimentos e provas são acessadas por milhões de cidadãos em casa, na rua, no trabalho ou na faculdade. O brasileiro não depende mais dos 30 minutos do Jornal Nacional. A opinião pública não é mais manipulada como até vinte anos atrás. Hoje, as pessoas podem ler – e muitas leem – os processos da Operação Lava Jato contra políticos e empresários corruptos. Isso significa que algumas das decisões dos senhores repercutem aqui em baixo exatamente como elas são: ABSURDAS.

Por isso, as pessoas olham para cima − digo, para o Superior Tribunal Federal − e sentem um misto de vergonha e revolta.

É vergonhoso um país onde o sonho de qualquer político corrupto é ser julgado pela mais alta corte de justiça, pois é nela onde há mais chances de que os corruptos continuem livres.

Revolta pelos absurdos legais e morais promovidos pelo STF. Absurdos que, somados, explicam as dificuldades que os brasileiros comuns precisam enfrentar todos os dias.

Talvez seja preciso lhes lembrar de uma coisa: a sociedade brasileira é pobre, muito pobre. Cerca de 85% ganha menos de R$ 3 mil por mês. Metade dos brasileiros vive com até um salário mínimo. Essa massa de pessoas não tem ideologia e nem partido político. Essas pessoas querem apenas um país onde os serviços públicos funcionem e criminosos sejam presos.

Nos últimos 15 anos, foram desviados cerca de R$ 1,2 trilhão de reais dos brasileiros. Os senhores têm noção do que isso significa para um país em que metade dos lares não têm acesso a rede de esgoto?

Está cada dia mais evidente o esforço de alguns ministros do STF para não apenas tirar Lula da cadeia, mas também para preservar o corrompido sistema político brasileiro.

Conforme última pesquisa Datafolha, 95% da população apoia a Lava Jato. Milhões de pessoas foram às ruas protestar contra os políticos que os senhores protegem. Isso não lhes sensibiliza?

Insisto: os senhores querem mesmo ser reféns de seus próprios absurdos, os quais lhes impedem de colocar os pés nas ruas sem serem hostilizados? Estão mesmos dispostos a entrar para a história como os párias do Poder Judiciário que ignoraram as instâncias inferiores para proteger os maiores bandidos do Brasil?

Saibam que se consolida na população a crença de que os senhores são tão corruptos quanto aqueles denunciados pela Operação Lava Jato. Lula tê-los no bolso é a única explicação plausível para o nível de absurdo de algumas de suas decisões.

Apenas os senhores podem desfazer essa impressão.

5 COMMENTS

  1. A situação criada pela corrupção e impunidade está mais do que repugnante, insuportável totalmente!

  2. Será que eles não têm o menor desejo de serem respeitados e admirados pela sociedade que os sustenta?

    Posso estar errado, mas acredito que não. Minha visão é que o maior desejo dos ministros do STF é que as coisas voltem a ser como antes: Quando eles eram anônimos, poderosos, e tomavam decisões sem ter que dar satisfação a ninguém, e muito menos se importar com as consequências. Quando a população pensava que a única via legal para tratar a corrupção eram as CPIs (também conhecidas como pizzarias), e nem tinham ideia de quem eram os ministros do STF ou do que significava “foro privilegiado”. A declaração que a Carmem Lúcia deu, pedindo respeito ao STF, dá a entender que ela já está percebendo que os tempos são outros. Já para ministros como o Gilmar Mendes, O Toffoli e o Lewandowski, parece que a ficha ainda não caiu. Continuam colocando as suas togas, entrando todo pomposos em seu castelo de cristal, e tomando decisões arbitrárias como se ninguém estivesse olhando.

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