Não, o aborto não é uma “questão de saúde pública”

Lamentável e assustadora a declaração do vice-presidente Hamilton Mourão em entrevista ao O Globo se declarando favorável ao aborto em casos em que a mulher não tenha condições de criar o filho e queira abortar. Não tanto pela declaração em si, já que como cidadão ele tem todo o direito de se manifestar sobre qualquer tema. Mas pelo fato de jamais ter dito isso na campanha, mesmo tendo participado de inúmeras entrevistas e falado sobre os mais diversos temas. Afinal, quem votou no Bolsonaro votou no Mourão! Certamente, os eleitores pró-vida levariam muito em conta isso na decisão do voto. Estranhamente, este tema foi bastante utilizado na campanha para angariar votos, mas foi completamente esquecido após a vitória, mesmo tendo a população brasileira majoritariamente a favor das duas vidas.

Na mesma entrevista, o vice-presidente disse que o aborto é um problema de saúde pública. Isso é falso! Estive na audiência pública da ADPF 442 em agosto passado, no STF, falando sobre o tema. Nela, mostrei todas as mentiras que norteavam a discussão do aborto tendo uma plateia eminentemente pró-aborto que me vaiou e xingou. Até mesmo a ministra Rosa Weber teve que interromper minha fala para pedir à plateia raivosa que me deixasse continuar destruindo mentiras com números e literatura embasada. Os defensores da descriminalização do aborto tradicionalmente utilizam diversos dados falsos, exagerando o número de mortes e internações decorridas da realização de abortos ilegais, por exemplo. Provei, ao vivo, que os números reais eram muito menores. As mortes maternas por aborto, por exemplo, que alguns chegam a afirmar que são de até 70 mil por ano, na verdade estão entre 50 e 70 mortes por ano somando todos os tipos de aborto, incluindo abortos legais feitos pelo estado com uma mortalidade maior do que a mortalidade materna dos partos. Minha apresentação pode ser vista abaixo:

 

Por definição, um problema de saúde pública é algo que tem impacto na sociedade por meio de mortalidade aumentada, morbidade, custos do tratamento para a sociedade e pelo potencial epidêmico em caso de infecções (saiba mais aqui). Como mostrei no STF, a liberação do aborto aumentou o número de abortos nos países onde aconteceu. No Uruguai, por exemplo, desde a liberação (2013) os números aumentam ano a ano, sem exceção. Dada a taxa de mortalidade de abortos legais no Brasil, a liberação aumentaria a mortalidade de mães e os custos do SUS, além de provocar um caos nas maternidades estatais já lotadas. Mulheres que hoje mal têm leitos para parir e sofrem com recursos escassos correriam ainda mais riscos, tendo que competir com um crescente número de mulheres que desejariam abortar.

Os números divulgados pela mídia, normalmente, são igualmente absurdos: 11 mil mortes maternas, 50 mil, 70 mil. Como mostrei no STF, ONGs feministas fazem cartilhas “ensinando” como os jornalistas devem apresentar o tema e como abordar o assunto, inclusive sugerindo militantes pró-aborto para comentarem as matérias. Até mesmo a liga acadêmica de ginecologia e obstetrícia de uma universidade pública federal citou o número de 70 mil, tendo que corrigir o erro posteriormente. O que preocupa é que eles provavelmente aprenderam isso em sala de aula.

O mais assustador é a total inobservância de General Mourão e demais apoiadores do aborto sobre qual horripilante é defender o assassinato de fetos simplesmente por que não há como sustentá-lo. Será que ele não lembrou que a fila para adoção de recém-nascidos é gigantesca? Ou que as mulheres que realizam o aborto têm uma taxa maior de problemas psiquiátricos, morbidade e mortalidade quando comparadas com quem nunca fez? E milhões de pessoas miseráveis, devemos matá-las seguindo a mesma lógica eugenista?

Não tenho a menor dúvida de que grande parte das pessoas que ficam numa discussão filosófica sobre quando começa a vida para legitimar o assassinato de fetos ficariam horrorizadas ao presenciar um aborto natural de uma gravidez de 12 semanas onde é possível ver uma pequena pessoa lutando para sobreviver fora do corpo materno e falecendo. Como obstetra e médico treinado para não me envolver sentimentalmente com os casos, posso garantir que é difícil entender como alguém pode ter coragem de enfiar uma cureta no interior do útero para matar, decepar e retirar um ser do ventre materno.

Vaquinha O ILISP tem atuado contra a legalização do aborto e em defesa do direito à vida no STF. Para custear a causa, lançamos uma vaquinha. Os interessados em nos ajudar podem fazê-lo por meio do botão abaixo:

40 COMENTÁRIOS

  1. Só pra entender.. o que vcs defendem, nao acreditam nisso??? explico:

    ILISP é um think-tank liberal criada no dia 1° de junho de 2014, na cidade de São Paulo, Brasil. Nossa meta é apenas uma: tornar o Brasil um país onde as pessoas tenham plenos DIREITO Á VIDA, LIBERDADE e propriedade. Como diz a nossa missão:

    Se uma mulher é livre pra fazer qo que ela quer.. o que vcs tem a ver uma vez que ela tem a liberdade dela garantida, decidir fazer aborto???? ou tem liberdade ou é tutelado pelo estado.. ou um ou outro, não??

    Assim ver homem falando o que mulher deve ou nao fazer com seu proprio corpo me soa contraditorio.. como se ela pudessem opinar sobre quando ou nao nos deveriamos ou poderiamos gozar.. cada um cuidando da sua vida e todo mundo seria muito mais feliz, nao acham?? se a mulher de vcs nao quiser abortar, perfeito, direito dela.. mas se de outro ou outra querer.. no que impacta essa decisao na vida de vcs???

    • Bom dia Luiz Antonio, vale lembrar que o direito à liberdade tem como limite a liberdade alheia. Argumentar que a mulher tem direito à escolher fazer o aborto em defesa de sua liberdade somente faz sentido se desconsiderados totalmente os direitos do feto/bebê. Desta forma, não há nenhuma contradição em um liberal ser contra o aborto quando este entende que o feto também deve possuir seu direito mais básico (a vida) garantido.

  2. Este é o link da entrevista que gravei com o Dr. Raphael pra falar sobre o aborto.

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