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Defender “igualdade de oportunidades” é defender a maior desigualdade de todas

Entre as diversas bobagens ditas por Renato Janine Ribeiro em sua entrevista na Folha e por Gregório Duvivier em seu vídeo sobre o “liberalismo”, uma falácia que é repetida de tempos em tempos merece ser rebatida: a de que “liberalismo exige igualdade no ponto de partida”, ou seja, “igualdade de oportunidades”.

De acordo com Renato, “Lula e Dilma tiveram vários elementos liberais, a começar pelo Bolsa Família”, e Dilma “pode ser acusada de defender um maior papel do estado, mas (…) Dilma queria igualdade de oportunidades que é um tema liberal”.

Não, isso não é liberalismo.

Primeiro: as pessoas são naturalmente desiguais. Sempre haverá umas mais inteligentes do que outras, umas com melhor coordenação motora do que outras, umas com mais aptidão para A enquanto outras são melhores em B ou C. Fora isso, há toda uma diferenciação ao longo da vida: diferentes famílias, diferentes meios de atuação, diferentes modelos de pensamento, diferentes formas de acesso à informação, diferentes graus de instrução. Ou seja: nunca haverá “igualdade de oportunidades”.

Segundo: ter a “igualdade de oportunidades” como objetivo é defender uma lógica socialista, afinal, a única forma de buscar tal igualdade é por meio da coerção estatal. Não é à toa que Gregório utiliza tal lógica para defender mais impostos sobre heranças, por exemplo. De Cuba à Venezuela, não faltam exemplos de quais são os resultados dessa busca por “igualdade de oportunidades”: a imensa maioria da população igualmente pobre e muitas oportunidades de riqueza para os líderes da “Revolução” e seus amigos.

Se você quer falar sobre liberalismo e igualdade, a única que se adepta às ideias liberais é a igualdade de autoridade. Ou seja: um indivíduo não deve ser obrigado a se sujeitar a alguém. Daí decorre a independência individual: obrigá-lo a se sujeitar a um administrador (estatal) gera uma desigualdade de autoridade do corpo estatal (burocratas e políticos) em relação aos “pobres mortais”.

Daí decorre, portanto, toda a lógica liberal a favor de menos estado (tendendo a zero) e mais poder aos indivíduos: buscar uma sociedade onde uns não mandam em outros por fazerem parte de uma instituição coercitiva. Quem defende “igualdade de oportunidades” (ou seja, a ação estatal nesse sentido) é antiliberal: defende que poucos detenham um enorme poder para tomar o dinheiro a força de muitos em prol do “bem-estar social”.

Defender “igualdade de oportunidades” é defender a maior e mais injusta desigualdade de todas, a desigualdade de autoridades. E nada é mais antiliberal do que isso.

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