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Eles estão à solta: “arquitetos sociais” e a lógica do “eu sei o que é melhor para a cidade”

Le Corbusier, o arquiteto totalitário suíço, dizia (citado por Theodore Dalrymple) que “o déspota não é um ser humano; é (…) o plano correto, exato e realista (…) a fornecer a solução uma vez que o problema tenha sido colocado de forma clara. (…) Esse plano foi concebido muito longe (…) dos gritos do eleitorado ou dos lamentos das vítimas da sociedade. Foi concebido por mentes serenas e lúcidas”.

Foi um economista norte-americano chamado Mancur Olson quem, na década de 60, mostrou que pequenos grupos bem organizados via de regra fazem prevalecer seus interesses sobre grupos maiores, mas sem organização. Isso porque os benefícios são concentrados, mas as perdas são difusas: em outras palavras, os beneficiários (taxistas, ciclistas e ativistas em geral, por exemplo) tem a exata medida do quanto ganham, mas os perdedores (consumidores, contribuintes, motoristas, etc.) nunca sabem o quanto perdem, se é que sabem. E foi outro norte-americano, William H. Riker, quem demonstrou mais ou menos na mesma época como esses grupos homogêneos podem se juntar para reforçar mutuamente suas pautas, ainda que elas não estejam minimamente relacionadas. A psicologia social fornece o cimento dessa união: esses grupos racionalizam suas próprias demandas como representando “o bem” (“lutamos por uma cidade melhor, mais justa, mais humana” – objetivos genéricos dos quais ninguém obviamente consegue discordar), e demonizam qualquer pessoa que não concorde com os métodos por eles empregados (por exemplo, os “coxinhas”, “reaças”, etc).

Por exemplo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é a síntese perfeita desses três pensamentos. Como todo membro da esquerda, ele acredita que é dever dele planejar e moldar a sociedade segundo sua própria moral e interesses, não importando com qual programa tenha sido efetivamente eleito (é a ilusão da escolha dada ao povo, como se viu claramente nas últimas eleições presidenciais – o eleitor vota num programa mas é surpreendido por outro completamente diverso durante o mandato). Por outro lado, ele desistiu de governar para a maioria e passou a governar para os pequenos grupos estridentes que lhe dão sustentação política: ciclistas, ativistas de direitos humanos (cujo exemplo mais desastrado é política aplicada na cracolândia, que fez com que a própria prefeitura reconhecesse que perdeu o controle da situação), ativistas LGBT, sindicalistas (por exemplo, sindicato dos taxistas), adeptos do politicamente correto (redução de velocidade nas ruas da cidade), etc.

Considerando que apenas 13% da população aprova seu mandato (conforme pesquisa interna do próprio PT), é de se supor que nenhuma dessas medidas, se submetidas a uma votação popular, passaria. Mas pra eles isso pouco importa: são eles os portadores das “mentes serenas e lúcidas”, e nós somos apenas os “coxinhas”, sujeitos históricos em fase de superação. E se não for por bem, vai ter que ser por mal, como já demonstraram em outros tempos e lugares.

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