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O que Mises pensava sobre o Nazismo

Na Internet, o que não faltam são tentativas de associar autores liberais com o nazismo. Como se o governo ditatorial de Hitler, com um estado extremamente regulador, fosse uma política defendida por liberais.


A própria colocação de ditadura, seja ela qual for,  e liberal na mesma frase já seria um absurdo. Nem mesmo  a ditadura de Pinochet no Chile, onde houve uma grande abertura econômica, poderia ser classificado como liberal. As duas palavras, liberal e ditadura, não cabem na mesma frase, uma é o inverso da outra.


Para não restar dúvidas sobre como pensavam os liberais sobre o socialismo e suas ramificações, como o Nazismo na Alemanha, abaixo segue alguns trechos retirados do livro “As 6 lições”, escrito pelo economista liberal Ludwig Von Mises


No capítulo 2 do livro, Mises mostra algumas semelhanças entre a Rússia socialista e a Alemanha Nazista. Ao invés do empresário agradecer pela preferência, são os consumidores que deveriam ficar agradecidos pelo governo oferecer tal produto.
“O consumidor americano, o indivíduo, é tanto um comprador como um patrão.  Ao sair de uma loja nos Estados Unidos, é comum vermos um cartaz com os seguintes dizeres: “Gratos pela preferência.  Volte sempre”. Mas ao entrarmos numa loja de um país totalitário – seja a Rússia de hoje, seja a Alemanha de Hitler -, o gerente nos dirá: “Agradeça ao grande líder, que lhe está proporcionando isso.” Nos países socialistas, ao invés de ser o vendedor, é o comprador que deve ficar agradecido.  Não é o cidadão quem manda; quem manda é o Comitê Central, o Gabinete Central.  “
Já no capítulo 3, Mises fala que a diferença entre o Nazismo Alemão e Socialismo Soviético só difere nos rótulos, pois na prática significam a mesma coisa.


Sobre a propriedade privada:
“O próprio Hitler aplicou-o antes mesmo do início da guerra: na Alemanha de Hitler não havia empresa privada ou iniciativa privada.  Na Alemanha de Hitler havia um sistema de socialismo que só diferia do sistema russo na medida em que ainda eram mantidos a terminologia e os rótulos do sistema de livre economia.  Ainda existiam “empresas privadas”, como eram denominadas.  Mas o proprietário já não era um empresário; chamavam-no “gerente” ou “chefe” de negócios(Betriebsführer).” 
Relação de trabalho regulada pelo estado:
“Todo o país foi organizado numa hierarquia de führers; havia o Führer supremo, obviamente Hitler, e em seguida uma longa sucessão de führers, em ordem decrescente, até os führers do último escalão.  E, assim, o dirigente de uma empresa era o Betriebsführer.  O conjunto de seus empregados, os trabalhadores da empresa, era chamado por uma palavra que, na Idade Média, designara o séquito de um senhor feudal: o Gefolgschaft.  E toda essa gente tinha de obedecer às ordens expedidas por uma instituição que ostentava o nome assustadoramente longo de Reichs-führerwirtschaftsministerium, a cuja frente estava o conhecido gorducho Göring, enfeitado de joias e medalhas.  E era desse corpo de ministros de nome tão comprido que emanavam todas as ordens para todas as empresas: o que produzir, em que quantidade, onde comprar matérias-primas e quanto pagar por elas, a quem vender os produtos e a que preço.  Os trabalhadores eram designados para determinadas fábricas e recebiam salários decretados pelo governo.  Todo o sistema econômico era agora regulado, em seus mínimos detalhes, pelo governo.”
Taxação de grande fortunas: 
“O Betriebsführer não tinha o direito de se apossar dos lucros; recebia o equivalente a um salário e, se quisesse receber uma soma maior, diria, por exemplo: “Estou muito doente, preciso me submeter a uma operação imediatamente, e isso custará quinhentos marcos”. Nesse caso, era obrigado a consultar o führers do distrito (o Gauführer ou Gualelter), que o autorizaria – ou não – a fazer uma retirada superior ao salário que lhe era destinado.  Os preços já não eram preços, os salários já não eram salários – não passavam de expressões quantitativas num sistema de socialismo. “

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