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Diretório do PT demite funcionários e dá calote nos “direitos” trabalhistas

O diretório estatual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul, presidido pelo ex-sindicalista e atualmente deputado federal Zeca do PT, demitiu oito funcionários no último dia 3 de julho. Entretanto, ao contrário do que prega o partido, os demitidos levaram um calote de seus “direitos” trabalhistas.

De acordo com o presidente do partido, o deputado federal Zeca do PT, as dívidas com Previdência e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) são de cerca de R$ 60 mil. Os ex-funcionários, entretanto, afirmam que o débito é muito maior. De acordo com o ex-assistente financeiro Marquinhos Nogueira, um dos demitidos, a dívida só com as rescisões dos funcionários chega a R$ 500 mil.

O PTMS foi condenado, em abril deste ano, a perder o Fundo Partidário por erros nas prestações de contas da campanha de Zeca do PT em 2010. Há um mês, quase todos funcionários foram demitidos. Sobrou apenas a copeira. Alguns estavam há mais de 10 anos na legenda. Em nota divulgada à imprensa, seis dos oito ex-empregados afirmaram que o PTMS deu um “calote nos direitos trabalhistas dos funcionários” e na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Confira a íntegra da nota:

Manifesto dos ex-funcionários do PTMS pelo cumprimento da CLT

Os ex-funcionários do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul, demitidos sumariamente no último dia 3 de julho de 2017, pelo atual presidente José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, vêm a público manifestar repúdio ao tratamento concedido pelo atual comando do PTMS, dando o calote na CLT, sepultada hoje pelo governo golpista de Temer com a sanção da Reforma Trabalhista.

Mesmo vencido o prazo neste dia 13 para pagamento das rescisões, até o momento o presidente não deu qualquer satisfação aos oito funcionários, alguns há mais de 10 anos e, até, 16 anos auxiliando nas diversas gestões do partido.

O ex-governador o Zeca do PT parece estar em outro mundo bem diferente do que vive a presidente nacional do Partido, a senadora Gleisi Hoffmann. Enquanto ela ocupou a Mesa Diretora do Senado na tentativa de evitar a aprovação da Reforma Trabalhista, cena que marcou o auge da luta das mulheres guerreiras naquela Casa em favor dos trabalhadores contra o sepultamento da CLT, ele faz demissão em massa e, pior, dá o calote nos direitos trabalhistas dos funcionários.

Na reunião da Direção Executiva Estadual, ocorrida na segunda-feira, 10, Zeca do PT, já deu recado aos novos diretores e disse que “não adianta ninguém vir chorando que não recebeu”. Ou seja, ele impõe uma gestão que destoa o discurso da prática defendida pelo Partido dos Trabalhadores, contrariando todos os princípios partidários e jogando no lixo a luta da própria presidente nacional no Senado.

A revolta maior dos funcionários, que também são militantes do partido, é que o novo presidente construiu sua trajetória política no sindicato dos bancários. A partir daí, conseguiu se eleger deputado estadual, governador, vereador na Capital e agora deputado federal. Muitos dos demitidos foram seus assessores nesta trajetória, mas se afastaram dele por não compactuarem com suas posições políticas.

Mais que o atual presidente, os funcionários têm conhecimento das condições financeiras do PTMS, que perdeu o fundo partidário em abril passado, por falha na prestação de contas na campanha eleitoral de Zeca governador em 2010. Por conta disso, recebiam os salários atrasados, mas continuavam nas suas atividades.

Zeca do PT justifica a demissão em massa dizendo que o PTMS não tem recursos para pagar a folha de pagamento, pouco mais de R$ 30 mil por mês, uma vez que perdeu a parcela mensal do Fundo Partidário, cerca de R$ 70 mil, ocorrido em abril deste ano. Ele alega também que recebeu o Diretório com dívidas da gestão passada.

Também é importante ressaltar que na história do PTMS nenhum presidente, por mais grave que a situação estivesse, fez demissão em massa. Em vez de fazer uma política de arrecadação juntos aos parlamentares, preferiu o ‘choque de gestão’, muito usada nos governos do PSDB.

Outro fato que causa revolta entre os ex-funcionários é a falta de sensibilidade do ex-governador Zeca do PT, sabendo que têm famílias que dependem deles. Sabendo que não havia recursos para pagamento das rescisões, o atual presidente teria como alternativa, além de melhorar a arrecadação do partido fazer a demissão escalonada, sem causar traumas aos colaboradores e sem ganhar a fama de caloteiro da CLT.

Para nós, funcionários, essa decisão parece ter mais caráter de perseguição política e assédio moral, que por falta de recursos financeiros. Por isso, queremos apenas reivindicar os direitos trabalhistas, tão defendido pelos companheiros e companheiras petistas em todo o Brasil.

Campo Grande (MS), 14 de julho de 2017.

Assinam abaixo os funcionários de acordo com o manifesto.

Antonio Marques de Almeida
Carla Lopes da Silva
Lucas Evangelista Helio
Marcos Nogueira Norberto
Valnici Cardoso Minatti
Vânia Barbosa Cunha

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