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15 perguntas para Flávio Rocha, João Amoêdo e outros pré-candidatos liberais

A campanha eleitoral de 2018 entrará para a história como a que terá a maior quantidade de candidatos que se apresentam como liberais. Mas… são liberais mesmo?

Há algumas semanas, um representante do Partido Novo me procurou. Queria me conhecer. Conversar comigo.

Resumindo, ele disse que não tinha posição definida sobre porte de arma, que o cristianismo é uma grande desgraça da sociedade e que respeita o socialista fabiano Geraldo Alckmin.

Voltei para casa com uma pergunta na cabeça: esse é o tipo de liberal que está preenchendo os partidos que se dizem liberais?

Para esclarecer isso, convido Flávio Rocha, João Amoêdo e outros liberais que desejam se envolver com a política a responderem quinze perguntas básicas.

1 – Como sabemos, o liberalismo rejeita todo tipo de interferência estatal nas relações de mercado, excluindo, portanto, a ideia de programas econômicos baseados em concessão de crédito subsidiado para determinados setores da economia. Considerando isso, vocês defendem a ideia de que o BNDES deve ser extinto e todos os bancos estatais devem ser privatizados?

2 – Falando em privatização… Vocês defendem a privatização de todas as empresas estatais, incluindo Petrobrás e Correios, bem como estatais estaduais?

3 – O modelo de privatização que vocês defendem diz que o governo deve manter alguma participação acionária e representantes nos conselhos administrativos das empresas?

4 – O Brasil é uma das economias mais fechadas, reguladas e burocratizadas do mundo. Quais medidas práticas e objetivas deveriam ser tomadas para reverter essa situação?

5 – O caos na segurança pública do Rio de Janeiro deixa evidente a incapacidade do estado em lidar com a violência urbana. A concentração de poder no estado enfraqueceu os cidadãos honestos e pequenas empresas, que se tornaram reféns da bandidagem. Diante disso, vocês defendem que as pessoas tenham pleno direito de portar armas para defender suas famílias, suas propriedades e a si mesmas; e também maior liberdade para criarem ou contratarem aparatos de segurança privada para defenderem suas ruas, bairros, etc?

6 – Ainda dentro dessa pauta, temos o tráfico de drogas. Há quase um século, todos os países do mundo vêm tentando acabar com um mercado que só existe porque muitas pessoas querem consumir drogas. Nenhum obteve sucesso. O melhor que se conseguiu foi legalizar a maconha em alguns países, cujos resultados estão sendo positivos. Considerando que o liberalismo diz que o estado não deve julgar as escolhas dos indivíduos, vocês defendem a ideia de que a produção e o comércio de drogas devem ser liberados, interrompendo, assim, a queima de montanhas de dinheiro numa guerra que gera nada além de violência e injustiça?

7 – Considerando que o assistencialismo estatal cria uma classe social de pessoas dependentes do governo, sem motivação e responsabilidade individual, vocês pretendem manter os programas criados pelos governos socialistas anteriores?

8 – Cada pessoa nasce com uma determinada condição física e ao longo da vida estabelece hábitos que potencializam ou não o surgimento de doenças ou a possibilidade de acidentes. Considerando isso, todo sistema de saúde oferecido pelo governo é injusto e autoritário, já que obriga umas pessoas a sustentar o tratamento de outras com as quais elas não têm qualquer relação. No liberalismo, a solidariedade deve ser privada e voluntária. Ou seja: pessoas é que devem, voluntariamente, ajudar outras pessoas de forma individual ou por meio de associações privadas. No socialismo, o governo é que deve fazer isso por meio de leis e cobrança de impostos. Diante disso, o que o governo deveria fazer para aumentar o acesso dos brasileiros mais pobres a tratamentos médicos de qualidade?

9 – Como sabemos, a “cultura” patrocinada pelo governo é o principal vetor de promoção do socialismo. A esquerda exige que o governo financie artistas para que eles propaguem a ideia de que todas as relações privadas devem ser controladas pelo estado. Como se fosse pouco absurdo, isso isola os artistas independentes e/ou críticos ao governo; e ainda insulta a própria cultura que, de fato, é muito maior do que a tal “classe artística” que tem espaço na grande mídia. Sendo assim, vocês defendem a extinção de todo e qualquer financiamento e programa de incentivo estatal à cultura?

10 – O socialismo defende a “educação pública e de qualidade”, o que, na prática, significa a imposição de um modelo de doutrinação em massa, onde todos os cidadãos são instruídos a obedecer e servir o governo. Os liberais, como sabemos, defendem a educação privada e livre de regulações, para que cada pessoa e família possa escolher o modelo de ensino mais adequado às suas condições, necessidades e desejos. Qual a opinião de vocês sobre o tema?

11 – Lembrando que toda discriminação racial e sexual começa com a avaliação das características das pessoas, vocês acham que o estado deve promover qualquer tipo de sistema de cotas para “negros”, gays e outras “minorias”?

12 – No Brasil, o poder municipal foi esvaziado pelo governo federal, obrigando a maioria dos municípios a mendigar dinheiro em Brasília para realizar qualquer obra mais cara. Considerando que a descentralização do poder e do dinheiro dos pagadores de impostos é um princípio liberal, como vocês acham que isso deveria ser feito?

13 –  Sob a ótica liberal, todas as organizações privadas devem ser sustentadas com recursos privados recolhidos sem qualquer tipo de coerção. Diante disso, vocês acreditam que o estado deve financiar partidos políticos, ONGs, sindicatos e “movimentos sociais” como o MST?

14 – Se os princípios liberais citados acima forem implantados, não haverá mais justificativa para a cobrança de tantos impostos e para a existência da maior parte da máquina estatal. Diante disso, vocês acham que o governo deveria lançar um programa concreto e objetivo de extinção de ministérios, órgãos e agências do governo, assim como um programa radical de redução de impostos?

15 – Durante a campanha eleitoral para a prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, Marcelo Freixo disse que existe dose segura de crack. Converto essa afirmação numa pergunta: existe dose segura de socialismo?

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